Todo dependente que recebe pensão por morte costuma pensar que o benefício é vitalício. A realidade, porém, é bem diferente: o Instituto Nacional do Seguro Social estabelece prazos rígidos para viúvos, companheiros e outros familiares, e pode suspender o pagamento quando as condições deixam de existir.
Para evitar surpresas, é fundamental conhecer cada regra, desde a quantidade de contribuições do segurado até a idade do pensionista. A seguir, confira um panorama completo sobre os cenários que levam ao fim do benefício, elaborado pelo Salão do Livro com base nos dados oficiais do INSS.
Quando o prazo legal chega ao fim
Idade do pensionista e tempo de contribuição do segurado influenciam
A legislação previdenciária determina que o período de pagamento é proporcional à idade do cônjuge na data do óbito. Se o segurado tinha menos de 18 recolhimentos ou o casamento/união durava menos de dois anos, o benefício dura apenas quatro meses.
Já nos casos em que o falecido somava mais de 18 contribuições e o relacionamento ultrapassava dois anos, entram em cena faixas etárias pré-definidas. Quem tinha 44 anos ou mais quando perdeu o parceiro garante pensão vitalícia; abaixo disso, os prazos variam de três a 20 anos.
Na prática, o pensionista perde o direito automaticamente após o período previsto. Não há renovação nem possibilidade de estender o benefício alegando falta de emprego ou renda. Por isso, planejar o futuro tornou-se indispensável — sobretudo diante das mudanças nas alíquotas do INSS previstas para 2026.
Casos de novo casamento ou união estável
Contrair novas núpcias não cancela a pensão por morte, mas o instituto faz um alerta: se o novo companheiro também vier a falecer e gerar outra pensão, o dependente terá de optar por apenas um dos benefícios. Ignorar essa escolha resulta no cancelamento automático de um deles.
Essa exigência vale tanto para casamentos civis quanto para uniões estáveis registradas em cartório. O objetivo é impedir o acúmulo integral de pensões do mesmo regime previdenciário.
Perda da qualidade de dependente
Filhos completam 21 anos e deixam a folha de pagamento
Filhos e enteados recebem a pensão por morte até a maioridade civil, que no Brasil é atingida aos 21 anos. Ao soprar as velas desse aniversário, o benefício é encerrado sem necessidade de notificação prévia.
Há exceção apenas para quem comprova invalidez ou deficiência grave anterior ao aniversário. Nesse cenário, o pagamento segue enquanto durar a incapacidade, sujeita a avaliações médicas regulares.
O mesmo raciocínio vale para irmãos dependentes. Se eles atingem 21 anos ou recuperam a capacidade de trabalhar, a folha do INSS é atualizada e a pensão deixa de ser depositada.
Cônjuge que recupera autonomia financeira
Embora a lei não condicione a pensão à renda do viúvo, há casos de fraude investigados quando o INSS descobre que o cônjuge se casou novamente e passou a figurar como dependente econômico de outra pessoa, mas tentou manter duas pensões simultâneas.
Se a autarquia comprovar má-fé, o benefício é suspenso e pode haver devolução de valores. Situações como essa ganharam visibilidade após mudanças em programas de prova de vida, reforçadas pela recente obrigatoriedade da biometria no BPC.
Fatores que encerram a pensão de forma imediata
Morte do pensionista e exigência de opção entre benefícios
Se o pensionista falece, a própria condição que originou o benefício desaparece. O INSS, então, cancela a pensão por morte sem qualquer trâmite adicional, uma vez que não há mais dependente vivo.
Outro evento clássico envolve o recebimento de duas pensões de cônjuges diferentes. Ao acumular benefícios, o viúvo tem de escolher qual manter. A recusa ou demora nessa escolha gera a cessação de um dos pagamentos.
Por fim, vale lembrar que a pensão por morte independe de carência — basta que o segurado possuísse qualidade de segurado na data do óbito. Esse detalhe simplifica o pedido inicial, mas não interfere nas regras de duração nem nas hipóteses de cancelamento.
Com tantas variáveis, conhecer a legislação torna-se essencial para planejar finanças de longo prazo. Quem precisa acompanhar novidades do setor pode consultar o calendário de pagamentos do INSS, que periodicamente divulga novos valores e datas.
Manter a documentação atualizada, realizar prova de vida dentro dos prazos e observar o término do período de cobertura são atitudes que evitam suspensões inesperadas. Assim, viúvos, filhos e demais dependentes conseguem se organizar financeiramente antes que o benefício chegue ao fim.


