O carro ganhou status de companheiro fiel do brasileiro, mas manter esse parceiro em dia pode ganhar novos contornos a partir de 2026. A inspeção técnica periódica volta ao centro das discussões em Brasília e já provoca movimentação nos Detrans estaduais.
Embora ainda não exista obrigação nacional imediata, o avanço do Projeto de Lei 3.507/2025 fez São Paulo e outras unidades da federação ajustarem seus sistemas para absorver a possível demanda de vistoria para carros 5+. O Salão do Livro explica o que está em jogo.
Por que a vistoria para carros 5+ entrou na pauta federal
O PL 3.507/2025, aprovado na Comissão de Viação e Transportes e agora sob análise da CCJ, pretende restabelecer em todo o país a inspeção veicular extinta em 2019. Pelo texto, veículos de até cinco anos ficariam isentos; modelos entre cinco e dez anos passariam por avaliação a cada dois anos; e automóveis com mais de dez anos seriam verificados anualmente.
Se confirmado sem alterações, o projeto transformará a inspeção em condição obrigatória para o licenciamento. Conduzir o veículo com vistoria vencida configurará infração grave, sujeita a multa de R$ 195,23, cinco pontos na CNH e bloqueio no documento de circulação.
A proposta concentra-se em três frentes: segurança mecânica, identificação veicular e controle ambiental. A meta é reduzir acidentes, coibir clonagens e diminuir emissões de poluentes, retomando ideias já aplicadas no antigo programa ambiental paulistano.
A dimensão do impacto pode ser medida pelos números da frota: segundo o Denatran, mais de 70% dos automóveis brasileiros têm seis anos ou mais. Ou seja, a maioria dos proprietários precisaria se adequar em poucos anos se a regra passar a valer.
Estados saem na frente e criam agendas próprias de inspeção
Sem calendário unificado, cada Detran decide como se preparar. São Paulo lidera o movimento, mas outras regiões acompanham de perto a tramitação para evitar gargalos quando o texto virar lei.
São Paulo acelera digitalização e credencia novas empresas
O Detran-SP anunciou para 2026 a modernização de seu sistema de vistorias. A autarquia aposta em plataforma 100% digital para agendamento, emissão de laudos e auditoria remota. A estratégia inclui ampliar o número de Empresas Credenciadas de Vistoria (ECVs), prevendo aumento significativo de demanda.
Na prática, isso significa reduzir filas e descentralizar atendimento, principalmente em municípios menores. Mesmo sem obrigação etária em vigor, a iniciativa pode servir de modelo para outros estados interessados em cumprir prazos quando a inspeção for exigida nacionalmente.
Além do planejamento logístico, São Paulo avalia integrar dados de emissões de poluentes ao sistema ambiental estadual, repetindo parte do programa que vigorou entre 2009 e 2014. A medida facilitaria a análise de índices de qualidade do ar e a adoção de políticas de saúde pública.
Como será a inspeção técnica e ambiental prevista no projeto
O texto que avança no Congresso detalha pontos de verificação mecânica, identificação veicular e medição de emissões. A lista é mais ampla do que a conferência documental atualmente realizada em boa parte dos Detrans.
Frequência, itens analisados e penalidades previstas
Entre os componentes de segurança, o inspetor checará eficiência de freios, estado de suspensão e direção, ausência de vazamentos, profundidade dos sulcos dos pneus e funcionamento de todas as luzes obrigatórias. Qualquer falha classificada como grave poderá reprovar o veículo.
No quesito identificação, será obrigatória a conferência do número do chassi, marcação do motor, placas no padrão Mercosul e busca de indícios de clonagem. O laudo tem validade imediata e será integrado ao sistema nacional Renavam para evitar fraudes.
Já a vertente ambiental envolve análise de gases e nível de ruído, aproximando o formato brasileiro de padrões internacionais. Caso o escapamento apresente furos ou o veículo exceda limites de emissões, o proprietário precisará corrigir o problema antes de solicitar nova inspeção.
Quem ignorar a obrigação poderá enfrentar penalidades semelhantes às aplicadas hoje para licenciamento atrasado. A multa grave de R$ 195,23 se soma a cinco pontos na carteira e ao bloqueio do CRLV, impedindo transferência ou circulação regular.
A frequência da vistoria para carros 5+ — a cada dois anos — poderá ser ajustada pelo Contran, mas o projeto já sinaliza que automóveis mais antigos terão controle anual, reforçando a necessidade de manutenção preventiva.
Nos demais estados, a vistoria permanece restrita a transferência de propriedade, mudança de município, alteração de características ou regularização de GNV, táxi e transporte escolar. A ampliação para veículos particulares dependerá da aprovação final do PL, como aponta a decisão da comissão do Congresso.
Motoristas que planejam trocar de carro também precisam considerar possíveis custos extras. Avaliar modelos mais econômicos, como os listados no guia de carros mais baratos para 2026, pode ajudar a equilibrar o orçamento, sobretudo se o veículo novo ficar isento de vistoria nos primeiros cinco anos.
Outra questão financeira envolve tributos: proprietários interessados em cortar gastos podem buscar alternativas de isenção de IPVA, já que a inspeção periódica não substitui o pagamento anual do imposto.
A evolução da proposta será acompanhada de perto. Enquanto isso, a recomendação geral é manter manutenção em dia para evitar surpresas quando — e se — a vistoria para carros 5+ se tornar realidade nacional.


