O WhatsApp começou a testar, no Brasil, um pacote de mudanças que altera a forma como menores de 18 anos exibem informações pessoais no aplicativo. O objetivo principal é antecipar as exigências da Lei de Proteção Digital para Menores, que entra em vigor em 2026.
A iniciativa traz ajustes automáticos em opções como “Visto por último” e “Recado”, restringindo a exibição desses dados. A medida afeta milhões de adolescentes e já gera discussão entre pais, educadores e especialistas em segurança digital.
O que muda na prática para quem tem menos de 18 anos
A partir dos testes liberados nesta semana, usuários identificados como menores de idade passam a ter configurações mais rígidas por padrão. O WhatsApp bloqueia a visualização do “Visto por último” e do recado de perfil para contatos que não estejam na lista de amigos do jovem. A mudança vale tanto para Android quanto para iOS, sem necessidade de atualização manual.
Essas restrições são aplicadas de forma automática. Caso o adolescente tenha configurado permissões mais abertas, o sistema sobrescreve a preferência e mantém a conta protegida. Quem tentar alterar manualmente as opções recebe um alerta sobre o novo protocolo de segurança.
Configurações mais restritivas
Além de ocultar status e recados de desconhecidos, o app restringe convites para participar de grupos. A partir de agora, apenas contatos salvos poderão adicionar o menor a conversas coletivas. O convite de números desconhecidos fica pendente até que um responsável aprove a entrada.
Outro ponto de atenção é o bloqueio ao download automático de fotos de perfil de terceiros. Esse recurso, muitas vezes usado por golpistas para montar perfis falsos, será desativado por padrão nas contas de menores. A equipe do WhatsApp garante que a medida reduz riscos de furto de identidade.
Com as novas rotinas, os dados que antes ficavam expostos — como status “online” e frases personalizadas — tornam-se visíveis apenas para quem o adolescente inserir na agenda. Especialistas em direito digital avaliam que a proposta equilibra a privacidade juvenil e o direito dos pais ao acompanhamento.
Impacto para famílias e educadores
Os ajustes vêm acompanhados de um painel de orientações dentro do próprio aplicativo. A seção reúne dicas sobre diálogos familiares, denúncias de assédio e prevenção ao cyberbullying. A expectativa é que o material sirva de apoio a escolas que elaboram cartilhas contra a violência on-line.
Muitos responsáveis, porém, demonstram dúvidas sobre como acompanhar a vida digital dos filhos. Plataformas de controle parental já oferecem relatórios de atividade e podem atuar como complemento. Vale lembrar que, nesse contexto, ferramentas financeiras simples — como uma calculadora de salário — ajudam a planejar gastos extras com licenças de aplicativos de monitoramento.
Na opinião de pedagogos, as mudanças estimulam conversas sobre privacidade em sala de aula. Enquanto leis ganham força, o desafio permanece em educar jovens sobre exposição excessiva de dados, tema que também aparece em iniciativas de cidadania fiscal, como a adesão ao CPF na nota.
Por que o aplicativo se antecipou à lei
A Lei de Proteção Digital para Menores determina que plataformas limitem coleta e uso de dados de crianças e adolescentes a partir de 2026. Embora o prazo pareça distante, o WhatsApp optou por adiantar a implementação para testar a adesão e ajustar eventuais falhas técnicas.
Segundo a empresa, o Brasil figura entre os cinco mercados com maior número de usuários menores de idade. A antecipação reduz riscos de sanções futuras e reforça a imagem de que o serviço está alinhado às políticas de proteção infantil adotadas em outras regiões, como União Europeia e Estados Unidos.
Relação com outras iniciativas de segurança
O mensageiro desenvolve, em paralelo, um recurso de mensagens temporárias aprimoradas. Quando ativado, todo o histórico é apagado após período configurado, impedindo que prints sejam usados como forma de exposição non-consensual. A ferramenta deve chegar primeiro a contas de menores.
Analistas de mercado destacam que rivais, como Telegram e Signal, estudam medidas semelhantes. A disputa para quem oferece o ambiente mais seguro pode atrair novos usuários e agradar órgãos reguladores. O movimento lembra a migração de serviços trabalhistas para a Carteira de Trabalho Digital, que também ganhou tração ao antecipar obrigações legais.
Para o Salão do Livro, que acompanha de perto a relação entre tecnologia e educação, tais avanços no WhatsApp contribuem para um cenário onde a leitura crítica de termos de uso se torna habilidade essencial entre jovens leitores.
Como os usuários podem se adaptar às novas regras
Quem administra grupos escolares ou familiares deve revisar listas de participantes e reforçar a necessidade de adicionar números à agenda. Caso contrário, adolescentes podem ser removidos involuntariamente das conversas, já que convites passam a depender de aprovação.
Outra dica é orientar os jovens a configurar senha ou biometria para acesso ao WhatsApp. Embora a nova política dificulte a exposição de dados, ela não impede curiosos de tentar desbloquear o aparelho físico. Boas práticas de segurança continuam fundamentais.
Passo a passo para verificar as configurações
Para ver se a conta já foi incluída no piloto, basta abrir Configurações > Privacidade. As opções “Visto por último”, “Recado” e “Foto de perfil” devem exibir a mensagem “Somente contatos” e ficar bloqueadas para edição caso o usuário tenha menos de 18 anos.
Os pais podem solicitar ao suporte do aplicativo a inclusão de um contato administrativo. Esse perfil extra não visualiza mensagens privadas, mas recebe notificações sobre mudanças na conta. O processo requer comprovação de parentesco via documento.
Caso o adolescente opte por alterar o número de celular, o aplicativo replica a política restritiva para a nova linha. Esse cuidado evita brechas no sistema e garante que a proteção acompanhe o usuário em portabilidade de operadora ou troca de aparelho.
As mudanças no WhatsApp inauguram uma fase em que privacidade digital deixa de ser escolha individual para se tornar obrigação legal. Em poucos anos, outras plataformas precisarão seguir o mesmo caminho, consolidando um ecossistema mais seguro para crianças e adolescentes.


