O Governo de São Paulo deu início a um modelo inédito de mensagens que alerta quem está utilizando um celular roubado ou furtado. A iniciativa, que já disparou cerca de 2 mil notificações na primeira leva, aposta em um número oficial e verificado para reduzir dúvidas sobre a autenticidade dos avisos.
A estratégia integra o programa SP Mobile, cria um canal direto com o usuário e promete acelerar tanto a devolução de aparelhos quanto o mapeamento de rotas do mercado ilegal. A seguir, veja como funciona o sistema, quais dados são checados e o que fazer caso o alerta apareça na sua tela.
Como funciona o novo alerta para celular roubado em São Paulo
A Secretaria da Segurança Pública passou a cruzar informações de boletins de ocorrência com bancos de IMEI, número de série único de cada aparelho. Assim que o sistema detecta que um celular roubado voltou a operar com outra linha, uma mensagem automática é enviada ao chip em uso.
Diferente de tentativas anteriores, o aviso parte de um contato verificado, exibindo selo oficial. Isso minimiza bloqueios por filtros de spam e evita confusão com golpes, cada vez mais comuns em aplicativos de mensagens. Segundo técnicos da pasta, a verificação foi decisiva para assegurar a entrega dos recados e a credibilidade do projeto.
Por que usar um número verificado faz diferença?
Para quem já recebeu mensagens suspeitas sobre boletos, prêmio ou até mudanças de privacidade do WhatsApp, qualquer alerta oficial pode parecer fraude. O selo verificado dribla essa desconfiança: a plataforma identifica o remetente como órgão público, reduzindo o risco de o cidadão ignorar a notificação.
Outro ponto é a segurança. Ao confirmar que aquele contato pertence mesmo ao governo, a mensagem não precisa incluir links ou pedir senhas – artifícios usados por criminosos para roubar dados. Dessa forma, o usuário pode checar o IMEI informado e tomar providências sem expor informações pessoais.
Além disso, o contato verificado cria um histórico de serviço confiável. Com o tempo, a população se acostuma à identidade visual do emissor, o que facilita futuras comunicações sobre programas, como campanhas de registro de boletim on-line ou devolução voluntária de aparelhos.
Impacto esperado na recuperação de aparelhos roubados
Na avaliação da Secretaria, o envio de notificação logo após a reativação de um celular roubado produz efeito duplo. Primeiro, inibe a circulação do aparelho, já que o comprador percebe que pode responder por receptação. Em paralelo, fornece dados sobre localização e rota de venda, elementos preciosos para investigações contra quadrilhas.
O governo destaca que cada resposta do usuário às orientações (visita à delegacia, entrega espontânea ou contestação de dados) alimenta o banco de informações do SP Mobile. Assim, agentes conseguem montar um panorama mais amplo do mercado ilegal e ampliar ações conjuntas com delegacias especializadas.
Passo a passo para quem recebe a notificação
Recebeu o alerta no celular? O primeiro passo é conferir se o contato traz selo oficial. Caso não apareça, a recomendação é ignorar a mensagem e não fornecer nenhum dado sensível.
Com o número verificado confirmado, compare o IMEI citado com o do aparelho. Para descobrir o seu, basta digitar *#06# no discador ou consultar a caixa original. Se ambos coincidem, o telefone está, de fato, registrado como roubado ou furtado.
Nesse cenário, a orientação é procurar a delegacia mais próxima. Lá, policiais indicam se há possibilidade de restituição ao dono ou se o caso exige perícia. Evite repassar a notificação a terceiros, clicar em links ou informar senhas: autoridades não solicitam dados bancários por aplicativos, reforça o Salão do Livro.
Expansão gradual e integração com investigações
A aposta inicial de 2 mil notificações deve crescer. O governo trabalha para integrar cada vez mais bancos de dados, ampliando o cruzamento entre ocorrências policiais e relatórios das operadoras. A meta é atingir milhares de usuários por mês, cobrindo todo o território paulista.
Essas informações dialogam com outras frentes de combate ao crime. Mapas de calor mostram onde os celulares roubados reaparecem, enquanto estatísticas ajudam a definir onde reforçar patrulhamento ou operações específicas em pontos de revenda.
Por fim, a sistemática de alertas pode inspirar novas ferramentas digitais do estado. Iniciativas como transformar créditos do CPF na nota em desconto no IPVA ou consultas a benefícios trabalhistas via aplicativo ilustram como o poder público vem apostando em tecnologia para aproximar o cidadão dos serviços.
Enquanto isso, quem comprar aparelho usado deve redobrar a cautela. Exigir nota fiscal, checar IMEI antes de fechar negócio e evitar locais de procedência duvidosa continuam sendo barreiras simples, mas eficazes, contra o problema do celular roubado.


