Bernardo Vinício Manfredini, um adolescente de 12 anos natural de São Pedro da Aldeia, transformou a curiosidade sobre vestibulares em um feito pouco comum: garantiu vaga no curso de Matemática da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). O estudante, que ainda cursa o 8º ano do ensino fundamental, inscreveu-se como treineiro apenas para entender a dinâmica do processo seletivo e acabou ultrapassando a nota de corte com folga.
A conquista, divulgada recentemente, ganhou destaque nas redes e entre colegas de classe, projetando o jovem como exemplo de dedicação acadêmica. Mais do que uma simples notícia, o caso desperta interesse de educadores e do público leitor do Salão do Livro sobre como altas habilidades podem ser identificadas e estimuladas desde cedo.
Trajetória do adolescente de 12 anos até a prova
Desde a infância, Bernardo demonstra afinidade natural com números. Aos quatro anos, a família foi informada sobre suas altas habilidades, o que mudou a rotina de estudos em casa. A mãe, Luzia Manfredini, professora, passou a inserir atividades extras e a monitorar a carga horária para evitar sobrecarga. O interesse maior sempre recaiu sobre matemática, mas o garoto navega com facilidade por ciências, química, astronomia e física.
Quando surgiu a ideia de prestar o vestibular da Uerj como treino, Luzia ofereceu apoio imediato. A proposta não era obter aprovação, mas sim vivenciar a estrutura de uma prova extensa, com etapas objetivas e discursivas, incluindo redação. O resultado, porém, surpreendeu toda a família: a nota mínima exigida naquele ano ficou cerca de 20 pontos acima da média vista em edições passadas, e, mesmo assim, o adolescente de 12 anos ultrapassou a linha de corte.
Rotina nos dias de exame
No primeiro dia de prova, o estudante chamou atenção de poucos candidatos por causa da altura; muitos nem perceberam que se tratava de alguém tão novo. Houve quem perguntasse se ele participava como treineiro, mas nenhuma abordagem prolongada. O jovem concentrou-se em preencher as 60 questões de múltipla escolha do exame de qualificação, deixando o local após mais de duas horas de dedicação.
Na fase discursiva, a tensão voltou a aparecer por conta da redação. Bernardo temia zerar a parte textual, porém saiu da sala satisfeito por ter conseguido desenvolver o tema proposto. As avaliações específicas de Física e Matemática também correram bem, graças ao conhecimento adquirido em olimpíadas escolares, experiência que, segundo ele, ampliou o repertório e a segurança.
Ao receber a aprovação, a família comemorou, mas ressaltou que a prioridade segue o calendário regular do colégio. Nesse momento, a vaga serve como indicativo de potencial, não como sinal de que o adolescente vá assumir imediatamente as cadeiras universitárias.
Desempenho nas olimpíadas científicas reforça talento precoce
Além do vestibular, Bernardo coleciona vitórias em mais de 100 competições acadêmicas. São aproximadamente 80 medalhas que cobrem áreas diversas, prova clara da versatilidade intelectual. As mais celebradas pelo garoto são as conquistas na Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), na Olimpíada de Matemática do Estado do Rio de Janeiro (OMERJ) e na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP).
As disputas internacionais também figuram na prateleira. O estudante já trouxe para casa reconhecimentos de olimpíadas norte-americanas e asiáticas, algo que o motiva a continuar ampliando seus horizontes acadêmicos. Cada competição exige meses de estudo, resolução de listas e simulados, aliados a uma rotina que ainda reserva tempo para videogame, bicicleta, praia e encontros no shopping.
Coleção de medalhas e reconhecimento
O impacto das medalhas vai além do brilho metálico. Elas legitimam o método de estudo adotado em casa, no qual curiosidade e disciplina caminham lado a lado. Segundo Luzia, é preciso dosar inscrições em provas e atividades de lazer, garantindo que o filho não tente “abraçar o mundo” de uma só vez.
Professores da escola e de cursinhos preparatórios destacam que a experiência em olimpíadas reforça raciocínio lógico, gerenciamento de tempo e leitura crítica de enunciados, competências determinantes para qualquer vestibular. Nesse ponto, o adolescente de 12 anos larga na frente de muitos candidatos mais velhos.
Na comunidade local, Bernardo virou celebridade instantânea. Amigos o parabenizam, redes sociais comentam sua dedicação e, em entrevistas, ele faz questão de incentivar colegas: “Sigam seus sonhos e nunca deixem de estudar”. A simplicidade no discurso contrasta com a robustez do currículo acadêmico.
Planos futuros e apoio familiar
Embora matemática seja paixão declarada, o garoto já projeta voos mais altos: pretende ingressar em Engenharia da Computação, de preferência no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) ou no Instituto Militar de Engenharia (IME). Para isso, sabe que terá de manter ritmo forte de preparação, com foco redobrado em física e questões multidisciplinares.
A discussão sobre inteligência artificial também está no radar. Bernardo vê a tecnologia como aliada em cálculos complexos, mas reconhece limitações atuais. O jovem pretende usar IA como ferramenta de estudo, sem abdicar do pensamento crítico — postura alinhada com o debate contemporâneo sobre educação e algoritmos.
Enquanto o futuro acadêmico não se define, Luzia garante que o filho terá espaço para atividades físicas, lazer analógico e convivência familiar. “A curiosidade é enorme, mas ele precisa lembrar que existe vida além dos livros”, diz a mãe, ciente de que o equilíbrio emocional é tão estratégico quanto uma equação bem resolvida.
O caso de Bernardo Manfredini inspira estudantes de todas as idades e lembra que entusiasmo e disciplina podem encurtar distâncias. Ao mesmo tempo, a história serve de alerta para famílias, escolas e gestores públicos sobre a importância de identificar altas habilidades cedo, oferecendo oportunidades que potencializem talentos em diversas áreas do conhecimento.
Para leitores que acompanham o Salão do Livro, a trajetória do adolescente de 12 anos reforça um ponto crucial: quando paixão e apoio se encontram, o aprendizado ultrapassa fronteiras etárias e geográficas, transformando curiosidade em conquistas concretas.


