A rotina de quem depende de programas sociais promete ficar mais movimentada a partir de março de 2026. O Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) confirmou a abertura de uma grande revisão cadastral e convocou nada menos que 11.294.149 famílias para conferir e atualizar as informações no Cadastro Único.
O alerta é direto: quem não responder ao chamado dentro do prazo pode ver o Bolsa Família, o BPC ou a Tarifa Social de Energia Elétrica bloqueados ou até cancelados ainda neste ano. A medida cumpre a Lei 15.077/2024, que impõe recadastramento obrigatório a cada 24 meses.
Por que o governo faz novo pente-fino no Cadastro Único
A estratégia do MDS busca evitar pagamentos indevidos e garantir que os recursos cheguem a quem realmente precisa. Com dados desatualizados, o risco de fraudes aumenta e o orçamento dos programas fica comprometido. A pasta quer, portanto, cruzar informações, checar renda, composição familiar e até se o endereço continua o mesmo.
Não é a primeira vez que o governo federal passa o pente-fino. Em ciclos anteriores, cerca de um milhão de cadastros chegaram a ser bloqueados por divergências. Agora, a meta é completar a revisão antes de novembro de 2026, data-limite para regularizar a situação sem perder o direito aos benefícios.
Quem está na mira da revisão em 2026
O foco inicial recai sobre o grupo identificado como REV26. Entram nessa lista as famílias que não mexem nos dados desde dezembro de 2023 ou antes. Outra fatia relevante é formada por beneficiários que atualizam o cadastro entre janeiro de 2024 e janeiro de 2025; estes serão convocados conforme o intervalo de 24 meses se aproximar do fim.
Embora o pente-fino mire públicos distintos, o recado é único: todos precisam estar com CPF em ordem. O título de eleitor, que até pouco tempo servia como documento de referência, deixa de valer para fins de registro ou permanência no sistema.
Exigências para famílias unipessoais
Quem mora sozinho sentirá uma fiscalização ainda mais rigorosa. Pela nova regra, a atualização de famílias unipessoais deve ocorrer preferencialmente por meio de entrevista em domicílio. O objetivo é confirmar se a residência não abriga outros integrantes que também recebam benefícios.
Essa visita, porém, pode ser dispensada em cenários especiais, como áreas onde o risco de violência é elevado, regiões de difícil acesso ou localidades atingidas por calamidade. Também há flexibilização para comunidades indígenas e quilombolas, que poderão ser atendidas em postos móveis ou mutirões.
Após a conferência, caso seja detectada qualquer informação divergente, o sistema bloqueia o pagamento por dois meses. Persistindo a irregularidade, o benefício é definitivamente cancelado — etapa que costuma gerar dúvidas parecidas com aquelas ligadas a erros que travam o pagamento do Bolsa Família, assunto explorado no guia publicado pelo Salão do Livro em “Valor do Bolsa Família não caiu? Conheça os erros que travam o pagamento”.
Calendário e consequências para quem não comparecer
O MDS separou o cronograma em duas etapas-chave. Em março, as primeiras notificações chegam por aplicativo, extrato bancário, conta de luz ou plataforma Meu INSS. Quem receber a mensagem terá de ir ao CRAS do município com documentos de todos os moradores da casa, principalmente CPF e comprovante de residência.
Já em novembro de 2026, termina o período de tolerância. Famílias que ignorarem o chamado até essa data serão retiradas do Cadastro Único, perdendo acesso automático aos programas federais. A interrupção pode pesar no orçamento doméstico, sobretudo em um ano em que o horário de verão segue suspenso e a conta de energia não sofre o tradicional ajuste de relógio, ampliando o consumo em horários de pico.
Documentos obrigatórios e canais de aviso
A regra ficou clara: nenhum membro da família entra ou permanece no Cadastro Único sem apresentar CPF. Carteira de Identidade, certidão de nascimento ou casamento seguem válidas como complemento, mas não substituem o documento fiscal.
Para acelerar o atendimento presencial, o MDS recomenda verificar se a atualização pode ser parcialmente adiantada no aplicativo Cadastro Único. Lá, um ícone de envelope no canto superior direito indica se a família foi convocada. No app Bolsa Família e no Caixa Tem, a mensagem aparece no extrato de pagamento.
Quem recebe a Tarifa Social de Energia Elétrica também deve prestar atenção à própria fatura, onde surgirá a notificação de revisão. Já beneficiários do BPC encontram o alerta em “Meu INSS”. Caso a renda se enquadre, vale acompanhar ainda as novidades sobre microcrédito destinado a famílias do CadÚnico, iniciativa que poderá aliviar o orçamento no período de recadastramento.
Apesar do tom de urgência, o MDS garante que ninguém será pego de surpresa. O pente-fino seguirá até o fim do ano, com revisões gradativas. Nos próximos meses, a pasta deve publicar relatórios periódicos sobre o andamento da ação e a quantidade de famílias já regularizadas.
Com a base de dados em dia, o governo diz ter mais precisão na formulação de políticas públicas e no controle de gastos. Para a população, atualizar o cadastro é garantia de que benefícios essenciais, como o Bolsa Família, não ficarão pelo caminho.


