O mês mal começou e o benefício social mais tradicional do país já movimenta as filas virtuais dos aplicativos e dos caixas eletrônicos. A partir desta segunda-feira, 12 de fevereiro, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) libera R$ 13 bilhões para o Bolsa Família, contemplando 18,84 milhões de famílias em todos os estados.
Com valor médio de R$ 690,01 por domicílio, a rodada atende diretamente mais de 49,32 milhões de brasileiros. Neste ciclo, a pasta mantém a lógica de depósito escalonado pelo dígito final do NIS, mas com prioridade automática para municípios em situação de emergência ou calamidade, que recebem tudo já no primeiro dia.
Quem recebe hoje e como funciona o calendário escalonado do Bolsa Família
O cronograma definido pelo governo segue a ordem crescente do Número de Identificação Social. Assim, quem tem NIS terminado em 1 vê o crédito aparecer já nesta segunda, enquanto quem tem final 0 só terá acesso ao dinheiro em 27 de fevereiro. Apesar da espera, o cidadão pode consultar valores antecipadamente pelo aplicativo Caixa Tem — prática que evita deslocamentos e longas filas.
Cidades com decreto de emergência ou calamidade pública, por sua vez, descolam da regra geral. Todos os inscritos desses municípios recebem integralmente na largada, medida que tenta reduzir a insegurança alimentar justamente onde a vulnerabilidade é maior. É o chamado pagamento unificado, destacado pelo próprio MDS e que acompanha o avanço das transferências antecipadas quando o cenário local é crítico.
Regra de Proteção mantém 2,51 milhões de lares no programa
Para além do calendário, o governo usa fevereiro para reforçar a Regra de Proteção, dispositivo que impede a exclusão imediata de quem conseguiu aumentar a renda formal ou informal. Permanecem nessa categoria 2,51 milhões de famílias, número que inclui 150,8 mil novos beneficiários.
Na prática, se a renda per capita ultrapassou o limite de R$ 218, mas não chegou a R$ 706, o domicílio continua recebendo 50% do valor do benefício por até 12 meses. Funciona como um “tapete de transição”, reduzindo o risco de retorno à extrema pobreza. O mecanismo, inclusive, dialoga com outras portas de saída, como o saque-calamidade do FGTS ou programas de microcrédito produtivo.
Valores: o que cada família pode esperar no extrato
O governo manteve o valor base de R$ 600 por lar, somando-se os adicionais de:
- R$ 150 para cada criança de até seis anos;
- R$ 50 para crianças de 7 a 18 anos ou gestantes;
- R$ 50 adicionais para nutrizes.
Quando somados, esses componentes explicam a média de R$ 690,01 divulgada pelo MDS. Vale lembrar que o benefício varia conforme a composição familiar, e por isso vizinhos podem receber quantias bem diferentes mesmo morando na mesma rua.
Além disso, casos de bloqueio momentâneo por inconsistência cadastral ainda geram dúvidas. Quem percebeu que o valor não caiu deve verificar se há pendências no Cadastro Único ou erros de informações pessoais, problema que faz muita gente pensar, erroneamente, que o benefício foi reduzido. O travamento por dados divergentes segue entre os principais motivos de reclamação.
Calendário completo de fevereiro: confira as datas
O MDS divulgou todas as datas ainda em janeiro, permitindo planejamento de gastos essenciais, como alimentação e material escolar. Confira:
- NIS final 1 – 12/02 (segunda-feira);
- NIS final 2 – 13/02 (terça-feira);
- NIS final 3 – 18/02 (domingo);
- NIS final 4 – 19/02 (segunda-feira);
- NIS final 5 – 20/02 (terça-feira);
- NIS final 6 – 23/02 (sexta-feira);
- NIS final 7 – 24/02 (sábado);
- NIS final 8 – 25/02 (domingo);
- NIS final 9 – 26/02 (segunda-feira);
- NIS final 0 – 27/02 (terça-feira).
Embora os depósitos caiam sempre em dias úteis, duas exceções recaem sobre finais de semana (NIS 3 e 8). Nesse caso, o saque em espécie só ocorre no próximo dia útil, mas o valor já fica disponível no aplicativo Caixa Tem para pagamentos de contas ou transferências via Pix.
Para quem prefere um lembrete extra, vale conferir se o app oferece notificações sobre crédito futuro. Esse simples ajuste diminui a ansiedade típica das datas de pagamento do Bolsa Família.
Tendência de revisão cadastral segue no radar de 11,2 milhões de famílias
O governo aproveita o fluxo de fevereiro para alertar sobre o pente-fino no Cadastro Único, processo que convoca 11,2 milhões de famílias para atualizar informações até 2026. Quem descumprir prazos pode ter repasse suspenso. Portanto, atualizar endereço, renda e composição familiar é estratégia fundamental para evitar cortes.
A própria equipe do Salão do Livro ressaltou que o chamamento alcança quem está há mais de dois anos sem revisão ou apresenta divergências em bases de dados federais. Detalhes estão na página oficial do MDS e no aviso de revisão cadastral publicado recentemente.
O que fazer se o pagamento não entrar na data prevista
Se o valor não cair, a primeira providência é abrir o aplicativo do Bolsa Família e verificar se existe mensagem de bloqueio ou suspensão. Caso não conste nada, o próximo passo é ligar para o 121, canal do MDS, ou para o 111, central da Caixa.
Outro ponto de atenção envolve movimentação fora do prazo de 120 dias. Se o beneficiário deixar o recurso parado por quatro meses consecutivos, o sistema pode devolver o dinheiro aos cofres públicos. Fique atento a essa regra para não perder valores já creditados.
Por fim, famílias que tiveram aumento de renda e ainda não informaram a mudança devem fazer a comunicação rapidamente. Isso evita possíveis débitos futuros ou cobranças de devolução, além de garantir análise para migração automática à Regra de Proteção.
Com esses cuidados, o repasse de fevereiro promete chegar às contas sem sobressaltos, mantendo a política de transferência de renda como uma das principais ferramentas de combate à fome e à pobreza no Brasil.


