Entrar no aplicativo Gov.br, consultar benefícios ou atualizar dados ficou bem mais rápido. A plataforma federal passou a aceitar acesso sem senha, aproveitando a biometria já configurada no celular do usuário. Com isso, os cerca de 170 milhões de perfis existentes evitam o tradicional trio “CPF, senha e foto para conferência”.
A mudança, liberada nesta semana, utiliza Passkeys – ou Chaves de Acesso – padrão de segurança apoiado por Google, Apple e FIDO Alliance. Em vez de decorar combinações complexas ou aguardar luz adequada para o reconhecimento facial, basta encostar o dedo no sensor ou olhar para a câmera nativa do aparelho.
O que muda com o acesso sem senha no Gov.br
O login por Passkey transforma a experiência diária dos cidadãos que recorrem ao Gov.br para emitir documentos, conferir extratos do INSS ou acompanhar processos no e-CAC. Agora, a identidade é confirmada diretamente pelo hardware criptografado do aparelho, eliminando digitação de senhas e, em muitos casos, o bloqueio automático por erros sucessivos.
Quem já possui biometria configurada no smartphone não precisa instalar softwares extras; basta atualizar o aplicativo na Play Store ou na App Store. O recurso também dispensa a iluminação perfeita exigida no reconhecimento facial externo, tornando o procedimento ágil até em ambientes pouco iluminados.
Por que Passkeys são mais seguras?
A tecnologia cria um par de chaves: uma pública, armazenada nos servidores do Governo Federal, e outra privada, guardada no dispositivo do cidadão. Nem mesmo aplicativos de terceiros conseguem acessar essa chave privada, o que reduz significativamente a chance de vazamentos ou phishing.
Além disso, o método impede que senhas fracas sejam reutilizadas em vários sites. Sem combinação alfanumérica para comprometer, atacantes não conseguem explorar o velho truque de tentar credenciais vazadas em diferentes serviços.
Outro ponto importante: se o aparelho for perdido, a Passkey pode ser invalidada no portal Gov.br, garantindo que o eventual novo dono do celular não tenha acesso aos serviços. É um bloqueio rápido e sem burocracia, reforçando a proposta de segurança embarcada.
Passo a passo para ativar o recurso
A adesão leva menos de dois minutos. Veja como habilitar o acesso sem senha no Gov.br:
- Atualize o app Gov.br na loja oficial do sistema operacional.
- Entre uma última vez com CPF e senha tradicionais.
- Quando aparecer o convite “Deseja acessar com a biometria do seu celular?”, escolha “Ativar”.
- Confirme sua impressão digital ou reconhecimento facial nativo.
- Pronto: na próxima vez, a plataforma reconhecerá automaticamente o dispositivo.
O procedimento só precisa ser realizado uma vez por aparelho. Caso o cidadão utilize outro celular, será preciso repetir a configuração para gerar uma nova chave vinculada ao novo hardware.
Reconhecimento facial oficial continua necessário
Importante destacar que o tradicional reconhecimento facial do Gov.br não foi abolido. Ele segue obrigatório para quem pretende subir o nível da conta para Prata ou Ouro, condição exigida por serviços sensíveis, como declaração pré-preenchida do Imposto de Renda ou consulta a “Valores a Receber” do Banco Central.
Nesses casos, a selfie é comparada às bases biométricas do TSE ou do Senatran. A nova solução por Passkey, porém, reduz filas virtuais para ações corriqueiras, sobretudo no nível Bronze, que abrange tarefas como consulta de carteira de trabalho digital ou acompanhamento do Bolsa Família.
A dupla convivência de métodos atende a diferentes camadas de risco: a biometria do celular agiliza o dia a dia, enquanto a verificação facial robusta protege dados financeiros delicados.
Impacto para mais de 170 milhões de contas
Segundo o Ministério da Gestão e Inovação, o Gov.br registra, em média, 3,7 bilhões de acessos anuais. A simplificação de login pode economizar milhares de horas de espera coletiva, sobretudo em épocas de alta demanda, como a temporada de declaração do Imposto de Renda.
Despesas públicas também tendem a cair, pois o suporte a contas bloqueadas por tentativas erradas de senha é uma das ocorrências mais registradas na Central 0800. Ao permitir biometria integrada, o governo alinha a plataforma ao padrão de usabilidade já adotado por grandes bancos e apps de pagamento.
O que fazer se a biometria falhar?
Usuários com sensores defeituosos ainda conseguem recorrer ao método clássico. Basta escolher “Outras formas de acessar” e informar CPF, senha ou código de verificação via e-mail. Mesmo assim, especialistas recomendam manter pelo menos um tipo de desbloqueio biométrico atualizado para garantir a fluidez prometida pela nova versão.
Em aparelhos muito antigos, sem leitor de digitais ou Face ID, a função de Passkey poderá não surgir. Nestes casos, a recomendação é atualizar o sistema operacional ou considerar a troca do dispositivo, medida que amplia tanto a segurança quanto a compatibilidade com aplicativos essenciais.
Vale lembrar que diversos programas governamentais – como a CNH Social 2026 ou o recente calendário do PIS/Pasep – exigem login no Gov.br para inscrição ou consulta. Ter o novo acesso configurado garante entrada imediata nessas páginas, sem aborrecimentos.
Com a mudança, o Salão do Livro reforça sua missão de traduzir, em linguagem clara, as novidades que influenciam a rotina de estudantes, leitores e educadores que dependem de serviços públicos digitais. Afinal, menos tempo em telas de autenticação significa mais tempo para mergulhar em boas leituras.


