Idosos que dependem da renda mensal do Instituto Nacional do Seguro Social ganharam um novo motivo para checar o aplicativo Meu INSS todos os meses. O órgão voltou a reforçar que pequenas falhas — muitas vezes interpretadas como meros detalhes burocráticos — já bastam para travar o pagamento da aposentadoria.
O alerta surge em meio ao pente-fino agendado para 2026. Prova de vida ignorada, faltas injustificadas à perícia médica e cadastro desatualizado no CadÚnico lideram a lista de “atos de indisciplina” que resultam em suspensão imediata do benefício.
Prova de vida continua decisiva para manter o benefício
Desde 2023, o INSS passou a tentar confirmar a existência do segurado cruzando bases de dados externas, estratégia chamada de busca ativa. Mesmo assim, o sistema ainda emite notificações individuais quando não encontra evidências suficientes de que o aposentado está vivo. Caso o idoso deixe o prazo expirar, o pagamento é bloqueado no mês seguinte.
O rigor faz parte de uma checagem de dados mais ampla programada pelo governo para 2026. Técnicos projetam economizar bilhões ao estancar pagamentos irregulares, mas o movimento também exige atenção redobrada de quem depende do dinheiro para comprar remédios ou complementar a renda familiar.
Como realizar a comprovação online
A forma mais rápida de resolver a pendência é pelo app Meu INSS. Basta abrir a opção “Prova de Vida”, tirar foto do documento solicitado, seguir as instruções de biometria facial e aguardar confirmação. Quem encontra dificuldade pode procurar agência bancária parceira, levando documento oficial com foto.
O Salão do Livro apurou que o período médio de análise caiu para 24 horas quando o usuário segue todas as instruções na primeira tentativa. Mesmo assim, o ideal é não deixar para o último dia: eventuais falhas de conexão ou imagem ruim podem atrasar o processo.
Importante lembrar que, após o bloqueio, o segurado tem 60 dias para regularizar a situação antes que o benefício seja suspenso definitivamente.
Perícia médica: convocação não negociável
Quem recebe auxílio-doença ou aposentadoria por incapacidade permanente precisa passar por perícia regular. A ausência sem justificativa clara é interpretada como indisciplina e leva ao corte automático do pagamento.
O INSS envia carta, e-mail, SMS ou mensagem no aplicativo com data, hora e local. Caso o comunicado chegue quando o idoso está internado ou viajando para tratamento, é possível reagendar, mas o pedido deve ser protocolado antes da data original.
Ausência implica bloqueio imediato
Não há período de carência: basta faltar uma única vez para o crédito ser interrompido. Quando isso ocorre, o segurado deve apresentar laudos médicos ou documentos que comprovem o motivo da ausência. Se o órgão aceitar a justificativa, a perícia é remarcada e os valores voltam a ser depositados retroativamente.
Especialistas recomendam levar relatórios atualizados e receituário. Deixar para reunir papéis depois da suspensão costuma alongar o processo, prolongando o “apagão” de renda que, para muitas famílias, significa atraso em contas básicas.
Durante feriados prolongados, como Carnaval, peritos podem remarcar atendimentos. Em fevereiro, por exemplo, agências fecharam e perícias foram adiadas. Mesmo nessas situações, o segurado precisa acompanhar novas datas no aplicativo.
CadÚnico e acúmulo de benefícios: riscos adicionais
Idosos que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC) precisam atualizar o Cadastro Único a cada dois anos ou sempre que houver mudança de endereço, composição familiar ou renda. O descuido é um dos campeões de suspensão no grupo, segundo dados do próprio INSS.
A atualização pode ser feita no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) mais próximo, bastando levar documentos pessoais, comprovante de residência e, quando houver, declaração de renda. A falha em comunicar mudança simples, como troca de telefone, já é suficiente para travar o benefício, pois o órgão não consegue localizar o titular.
Acúmulo indevido gera devolução de valores
A legislação proíbe o recebimento simultâneo de dois benefícios inacumuláveis, como pensão e auxílio-reclusão. Sistemas de cruzamento de dados detectam rapidamente a irregularidade. Quando identificada, além da suspensão, o idoso pode ser obrigado a devolver integralmente as quantias recebidas de forma considerada indevida.
O INSS oferece canal de denúncia anônima para terceiros comunicarem suspeitas, e muitos casos chegam ao órgão dessa forma. Portanto, confiar que a sobreposição passará despercebida é estratégia de alto risco.
Para evitar transtornos, o segurado deve acessar o app Meu INSS periodicamente. Ali, é possível conferir extratos de pagamentos, verificar pendências cadastrais e solicitar serviço sem sair de casa — economia de tempo, dinheiro e dor de cabeça.
Dicas para não cair no pente-fino
1. Faça login no aplicativo Meu INSS ao menos uma vez por mês e verifique alertas na área de mensagens.
2. Mantenha endereço, e-mail e telefone corretos. Qualquer mudança deve ser informada imediatamente para evitar cartas devolvidas ou SMS perdidos.
3. Quando receber convocação para perícia, junte laudos e chegue com antecedência. Se a data não for viável, solicite remarcação antes do dia marcado.
4. Se tiver BPC, organize lembrete para atualizar o CadÚnico a cada dois anos. O procedimento é rápido e pode ser agendado online em muitos municípios.
5. Nunca acumule benefícios sem confirmar se é permitido. Em caso de dúvida, consulte um advogado previdenciário ou agende orientação no próprio INSS.
A indisciplina pode parecer inofensiva, mas a experiência mostra que cada regra ignorada abre caminho para bloqueios, suspensões e longas batalhas administrativas. Com o pente-fino cada vez mais rigoroso, atenção aos detalhes é, literalmente, questão de sobrevivência financeira.


