A partir de janeiro de 2026, o antigo Vale-Gás dá lugar ao Programa Gás do Povo, que passa a zerar o custo da recarga do botijão de 13 kg para famílias de baixa renda. Em vez de depósito em conta, o governo adotará um vale digital, válido exclusivamente em revendas credenciadas.
Quem já recebia o benefício será migrado automaticamente. Para novos contemplados, a porta de entrada continua sendo o CadÚnico, exigindo renda per capita de até meio salário mínimo. A seguir, veja todas as mudanças, critérios de elegibilidade e o passo a passo para garantir a recarga sem desembolsar nada.
Do Vale-Gás ao Gás do Povo: o que muda na prática
A principal alteração está na forma de pagamento. O modelo anterior depositava, a cada dois meses, um valor correspondente a 100% da média nacional do preço do botijão na conta Caixa Tem. Agora, o crédito será eletrônico e cobrirá o valor real cobrado pela revenda no momento da troca.
Além disso, a frequência deixa de ser bimestral fixa. A quantidade de vales anuais passa a ser calculada conforme o tamanho do núcleo familiar: até quatro recargas para lares com até três pessoas e até seis para quem possui quatro ou mais moradores. A ideia é adequar o ritmo de consumo e evitar que beneficiários fiquem sem gás antes do próximo ciclo.
Uso restrito a revendas autorizadas
Na lógica do vale digital, o dinheiro não poderá ser sacado nem utilizado para outras despesas. A recarga acontecerá somente em pontos de venda cadastrados no programa, onde uma maquininha fará a validação do CPF ou do cartão social do responsável familiar.
Isso significa que a família deve levar o botijão vazio a um estabelecimento que exiba o selo “Gás do Povo”. Caso opte pela entrega em domicílio, o benefício cobre apenas o produto; eventuais taxas de frete ficam por conta do consumidor.
O governo aposta nesse desenho para reduzir fraudes, garantir que o recurso chegue ao destino certo e, ao mesmo tempo, fortalecer pequenos revendedores regionais.
Quem tem direito ao Programa Gás do Povo
Os requisitos seguem focados na população vulnerável. Veja os filtros que serão verificados automaticamente pelo sistema:
- Cadastro atualizado no CadÚnico nos últimos 24 meses;
- Renda familiar de até meio salário mínimo por pessoa (estimada em R$ 810,50 em 2026);
- Prioridade para famílias já atendidas pelo Bolsa Família e com, pelo menos, duas pessoas;
- CPF do responsável sem pendências na Receita Federal.
Membros do Bolsa Família não precisam realizar novo cadastro: a migração ocorrerá de forma automática. Basta manter endereço, documento e composição familiar em dia no CRAS mais próximo.
Para quem ainda não está no CadÚnico, a inscrição exige agendamento no Centro de Referência de Assistência Social. É o mesmo procedimento usado por idosos que pleiteiam isenção do IPTU, por exemplo, e envolve entrevista social e apresentação de documentos de todos os moradores.
Validação eletrônica do benefício
No ato da recarga, três métodos poderão ser escolhidos:
- Cartão Bolsa Família – basta inserir o chip na maquininha;
- Cartão de débito Caixa – identifica automaticamente o NIS do beneficiário;
- CPF + SMS – o atendente digita o CPF e o sistema envia um código de validação para o celular cadastrado.
Após a confirmação, o crédito é abatido integralmente e o consumidor recebe o botijão cheio sem desembolsar um centavo. Se tentar comprar outro item junto, o sistema recusará a transação.
Para garantir custo zero, a orientação oficial é retirar o botijão no balcão da revenda. Caso o consumidor prefira receber em casa, a empresa pode cobrar taxa de entrega.
Como consultar vales disponíveis e prazos
A checagem de saldo será feita por três canais intuitivos:
- Aplicativo Meu Social – Gás do Povo (Android e iOS);
- Portal oficial do programa;
- Central de atendimento 121.
A página inicial do aplicativo exibe a quantidade de créditos ativos, a última data de utilização e um mapa com revendas próximas. O sistema também envia notificações quando um novo vale é liberado, recurso semelhante ao que ocorre com o cronograma do Bolsa Família.
Calendário de liberação
Os créditos não seguem mais o NIS, como no Vale-Gás anterior. A previsão é de que o depósito virtual ocorra no início de cada quadrimestre, garantindo quatro vales mínimos para todas as famílias elegíveis.
Lares com quatro ou mais integrantes recebem um crédito extra entre junho e julho e outro entre outubro e novembro, totalizando seis recargas anuais. O governo calcula que o novo arranjo custe menos que subsidiar valores em dinheiro, pois reduz a margem para desvio de finalidade.
Quem perder o prazo de utilização – válido por 90 dias – perde o crédito do período, mas não é excluído do programa. Na liberação seguinte, o ciclo recomeça normalmente.
Esses detalhes foram confirmados pela Secretaria Nacional de Inclusão, que também estuda integrar o sistema de vales ao aplicativo Caixa Tem, referência para beneficiários que acompanham o calendário do INSS.
No universo de programas sociais, o Gás do Povo vem sendo apontado como evolução necessária para garantir eficiência orçamentária e segurança alimentar. Não à toa, ganhou destaque no Salão do Livro durante mesas redondas sobre políticas públicas de combate à pobreza energética.
Com a implementação, a expectativa do governo é atender perto de seis milhões de domicílios em 2026, meta que dependerá da adesão de pequenas revendas e da atualização regular dos dados cadastrais das famílias.


