Uma virada de página celeste está marcada para 3 de março de 2026. Na data, um eclipse lunar total fará a Lua desaparecer no horizonte por longos minutos, transformando-se num disco escuro — ou avermelhado — que deve prender a atenção de curiosos e astrônomos.
O fenômeno, que será visível em boa parte do planeta e em diferentes regiões do Brasil, não traz riscos à Terra nem exige equipamentos sofisticados para observação. Ainda assim, causa expectativa entre estudiosos por sua duração próxima de uma hora e pelo potencial de oferecer dados sobre a atmosfera terrestre.
O que é um eclipse lunar total
Para quem acompanha os temas científicos só de passagem, vale reforçar a mecânica do evento. Um eclipse lunar total ocorre quando a Terra se alinha perfeitamente entre o Sol e a Lua. Nessa posição, nosso planeta bloqueia a luz solar direta que costuma iluminar o satélite natural, mergulhando-o numa sombra intensa.
Mesmo na escuridão, a Lua não fica completamente invisível. A luz do Sol atravessa a atmosfera terrestre, sofre dispersão e tem seus tons azulados filtrados. Apenas as faixas avermelhadas conseguem contornar o globo e alcançar a superfície lunar, resultando no tom rubro popularmente apelidado de “Lua de Sangue”. Esse mesmo processo explica por que o céu fica laranja no pôr do sol.
Como e quando o eclipse será visto no Brasil
A madrugada de 3 de março de 2026 marcará o ápice do eclipse lunar total. Segundo os cálculos mais recentes, o ponto máximo — quando toda a superfície lunar estiver coberta — deve durar perto de 60 minutos. O horário exato ainda passará por ajustes finos, mas o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indica que ele ocorrerá pouco antes do nascer do Sol.
A visibilidade dependerá da posição geográfica do observador. Moradores das regiões Norte e Centro-Oeste terão melhores condições de ver o fenômeno completo, já que o céu ainda estará escuro quando a Lua mergulhar na sombra. No Sul, Sudeste e Nordeste, o sol nascente pode ofuscar parte do espetáculo, permitindo apenas uma visão parcial.
A influência do horário local
Por acontecer nas primeiras horas da manhã, o eclipse pode coincidir com a troca de turno de quem trabalha à noite ou com quem programa o despertador para atividades físicas ao ar livre. Ajustar o relógio, portanto, será fundamental. Caso você já costume fazer transferências via Pix fora do horário comercial, terá familiaridade com essa adaptação noturna.
Nessa faixa de tempo, a Lua começará a escurecer lentamente, passando do brilho prateado habitual para um tom acinzentado. Em seguida, ganhará a coloração vermelho-escura característica. Todo o processo levará cerca de três horas, contando o início da penumbra, o ápice e o retorno à luminosidade normal.
Quem desejar fotografar o evento deve buscar áreas com pouca iluminação artificial, levando em conta que luzes urbanas podem prejudicar a nitidez das imagens. Tripés simples, configurações de longa exposição e ISO médio costumam bastar para captar boas fotos sem grandes investimentos.
Por que o fenômeno desperta tanto interesse
Embora previsível, cada eclipse lunar total possui detalhes únicos. Neste caso, a duração prolongada — quase uma hora em totalidade — e o horário conveniente para regiões habitadas elevam o potencial de registros científicos. Pesquisadores aproveitam eventos como esse para examinar a composição das partículas na atmosfera. Se houver mudanças na quantidade de poeira, fuligem ou aerossóis, elas alteram a tonalidade refletida pela Lua.
Além da ciência, há o fascínio cultural. Povos antigos viam eclipses como presságios, razão pela qual a ideia de “apagão” ainda circula em posts alarmistas. A comunidade acadêmica, no entanto, reforça que o fenômeno é inofensivo: satélites, redes de internet e sistemas elétricos continuam funcionando normalmente. Não há relação com quedas de energia nem com calendários de pagamentos, como os que o INSS divulga mensalmente.
No universo da divulgação científica, a chance de um eclipse total visível em terras brasileiras é valiosa. Observatórios, planetários e clubes de astronomia já planejam transmissões ao vivo, workshops e oficinas para aproximar o público do céu noturno. O Salão do Livro, inclusive, costuma aproveitar datas astronômicas para lançar coletâneas de contos de ficção científica, conectando literatura e constelações.
Dicas para observar o eclipse lunar total com segurança
Diferentemente dos eclipses solares, olhar diretamente para a Lua durante um eclipse total não causa danos à visão. Óculos especiais, portanto, não são necessários. Ainda assim, alguns cuidados práticos tornam a experiência mais confortável:
- Escolha um local elevado, longe de prédios altos e poluição luminosa.
- Leve uma manta ou cadeira dobrável, já que o ápice ocorrerá de madrugada.
- Tenha água e um lanche à mão; a temperatura pode cair durante a observação.
- Use aplicativos de astronomia para acompanhar a trajetória da Lua e não perder a fase principal.
- Se planeja filmar, teste as configurações da câmera com antecedência.
Amantes de registros digitais podem programar o despertador para cerca de meia hora antes do início da totalidade. Nesse intervalo, há tempo de ajustar o foco e garantir que a iluminação ambiente não interfira nos cliques.
Equipamentos necessários
Binóculos e pequenos telescópios ajudam a realçar detalhes das crateras, mas não são obrigatórios. O contraste oferecido pela Lua avermelhada contra o fundo escuro já compõe uma cena impactante a olho nu.
Para quem gosta de astrofotografia, configurações recomendadas incluem ISO entre 400 e 800, abertura f/4 a f/6.3 e tempo de exposição variando de 1 a 2 segundos, dependendo do nível de luz. Lentes de 50 mm ou superiores ampliam o disco lunar sem distorções drásticas.
Lembre-se de que um tripé simples estabiliza a câmera e evita o efeito tremido. Caso ainda não tenha o acessório, improvisar um apoio fixo pode resolver. Pensar nos detalhes com antecedência evita frustração na hora H, semelhante ao planejamento que se faz antes de mudanças de horário, tema que gerou dúvidas quando se falou em horário de verão fora de época.
Ao final da totalidade, a Lua voltará gradualmente ao tom prateado. O espetáculo, porém, permanecerá na memória de quem acordar cedo — ou virar a noite — para acompanhar o escurecimento do satélite. Até lá, vale anotar a data no calendário e torcer por céu limpo.


