Um detalhe banal, mas bastante comum, tem tirado o sono de quem está prestes a solicitar a aposentadoria. Informações imprecisas no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) são responsáveis por barrar ou postergar milhares de pedidos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) todos os anos.
O problema só costuma ser descoberto depois que o requerimento é protocolado no Meu INSS, quando o sistema detecta inconsistências e exige documentos complementares. Resultado: processo parado, meses de espera e, muitas vezes, benefício calculado para baixo.
O CNIS como porta de entrada — e de travamento
É no CNIS que o INSS confere vínculos empregatícios, salários recebidos e cada contribuição previdenciária feita ao longo da vida laboral. Se qualquer dado estiver incorreto, o fluxo automático é interrompido para análise manual, aumentando a fila de concessão.
Entre as falhas mais comuns estão empresa que não repassou o recolhimento, vínculo sem data de saída e contribuições de autônomos pagas fora do prazo. Qualquer uma dessas pendências basta para que o processo seja direcionado à temida fase de “exigência”, em que o segurado precisa apresentar prova documental.
Inconsistências que mais aparecem
O INSS identifica diariamente divergências simples, como datas trocadas ou valores de salário informados errados pela empresa. Outra dor de cabeça frequente é o recolhimento em atraso do contribuinte individual, que precisa ser regularizado antes de entrar na contagem de tempo.
Também ganham destaque vínculos duplicados ou sobrepostos e períodos registrados como ativo mesmo após demissão. A correção, nesse caso, exige contracheques, Termo de Rescisão ou comunicação da empresa para comprovar a dispensa.
O segurado que não se antecipa acaba surpreendido no momento em que mais precisa de agilidade. Segundo especialistas ouvidos pelo Salão do Livro, falta de conferência prévia é a principal causa de entraves em processos aparentemente simples.
Documentos que você não pode perder de vista
Além dos registros eletrônicos no CNIS, o INSS depende de papéis físicos ou digitais para confirmar períodos trabalhados. Guardar uma carteira de trabalho antiga, carnês de contribuição, contratos de prestação de serviço, laudos de atividade especial ou comprovantes de trabalho rural faz toda a diferença.
Quando o documento não existe mais, a alternativa é buscar segunda via junto a empresas, contadores ou órgãos de classe. Cada lacuna não comprovada reduz o tempo total de contribuição, o que pode significar adiamento da data de aposentadoria ou redução do valor do benefício.
Impacto direto no cálculo do benefício
Depois da Reforma da Previdência, regras de transição incorporaram média salarial e fator de tempo de contribuição de forma mais rígida. Se um período não é reconhecido, ele não entra na média e, portanto, reduz o valor final pago mês a mês.
Por exemplo, um segurado que perde cinco anos de contribuição por falta de holerites pode ver a alíquota cair de 100% para 90% do salário de benefício, diferença que impacta o orçamento por décadas.
O mutirão de perícias anunciado pelo INSS para reduzir filas mostra que a autarquia tenta acelerar concessões, mas o dever de provar cada vínculo continua sendo do trabalhador.
Como revisar dados antes de protocolar o pedido
A recomendação unânime de advogados previdenciários é realizar uma “revisão preventiva” de três a cinco anos antes de se aposentar. Com tempo, é possível corrigir falhas no CNIS, incluir contribuições esquecidas e checar se a modalidade de aposentadoria escolhida é realmente a mais vantajosa.
O próprio sistema Meu INSS oferece ferramentas de simulação. Antes de enviar o requerimento, vale conferir cada linha do cadastro, atualizar endereço e contato e anexar toda a documentação digitalizada de forma legível.
Passo a passo para evitar exigências
1. Acesse o Meu INSS e consulte a aba “Extrato Previdenciário”.
2. Identifique períodos com indicadores de pendência, como contribuições em atraso.
3. Reúna documentos que comprovem vínculo e remuneração, escaneie em boa qualidade.
4. Ajuste dados cadastrais, como nome de mãe e CPF, que também geram bloqueio.
5. Use a simulação para conferir se já cumpre idade e tempo exigidos.
Com esse roteiro, o segurado reduz drasticamente o risco de ter o processo interrompido. Caso ainda reste dúvida, é possível agendar atendimento na agência ou contratar consultoria especializada.
Existem serviços adicionais que também merecem atenção. Quem teve descontos associativos indevidos, por exemplo, pode aproveitar o ressarcimento liberado pelo INSS, mas precisa apresentar boletos e comprovantes antes do prazo expirar.
Manter o CNIS impecável e a papelada em ordem não é apenas burocracia: é garantia de que a aposentadoria — sonhada e planejada por anos — chegue no tempo certo e sem surpresas desagradáveis.


