Você sabia que pode haver uma grana parada em seu nome, aguardando apenas alguns cliques para voltar ao seu bolso? O Banco Central atualizou, nesta semana, a base de dados do Sistema Valores a Receber (SVR) e confirmou que milhões de brasileiros ainda não resgataram recursos esquecidos em bancos, cooperativas, consórcios e outras instituições.
Os números chamam atenção: são 49,3 milhões de pessoas físicas aptas a retirar valores que, somados, chegam a cerca de R$ 10 bilhões. A consulta é gratuita, feita pelo CPF e, em boa parte dos casos, o depósito cai diretamente na conta em poucos dias.
49 milhões ainda têm valores a resgatar
O levantamento divulgado pelo Banco Central mostra a dimensão do dinheiro esquecido: praticamente um em cada quatro brasileiros possui algum valor à espera de resgate. Para muita gente, o montante é modesto — parcelas inferiores a R$ 10 são maioria —, mas há casos que ultrapassam a marca dos R$ 1.000.
Especialistas lembram que, independentemente do tamanho da quantia, a recuperação dos valores pode aliviar o orçamento, complementar o pagamento de contas do mês ou, simplesmente, reforçar a reserva de emergência. Por isso, a recomendação oficial é que todos façam a verificação periódica no SVR.
Quantias pequenas predominam
De acordo com o BC, cerca de 60 % dos registros no sistema referem-se a cifras inferiores a R$ 10. Esses valores, embora pareçam pouco expressivos, resultam de tarifas cobradas indevidamente, contas encerradas com saldo residual ou consórcios encerrados sem devolução total aos participantes.
Um segundo grupo — aproximadamente 30 % das ocorrências — concentra saldos entre R$ 10 e R$ 100. Nessa faixa, estão sobretudo restituições de cooperativas de crédito e recursos provenientes de contas-salário desativadas.
A fatia restante, perto de 10 %, reúne os valores mais altos, que podem superar R$ 1.000. Aqui entram, por exemplo, consórcios antigos, seguros ou devoluções de tarifas bancárias cobradas ao longo de vários anos.
Passo a passo para consultar o CPF no SVR
O acesso é simples e pode ser feito pelo computador ou celular. Basta entrar no site valoresareceber.bcb.gov.br/publico, digitar CPF e data de nascimento e, em segundos, o sistema informa se há ou não saldo a receber. Caso positivo, o próprio portal oferece as instruções para o saque.
Quem possui conta gov.br nos níveis prata ou ouro consegue concluir o pedido na hora. Depois de confirmar a operação, a transferência é realizada via Pix ou TED para a conta indicada, normalmente em até 12 dias úteis.
Conta gov.br acelera o depósito
O Banco Central recomenda que o correntista utilize uma conta gov.br verificada, pois o procedimento dispensa o envio de documentos e reduz o tempo de espera. Quem ainda não alcançou o nível prata ou ouro pode evoluir no cadastro validando dados no aplicativo gov.br.
Outro ponto importante é ter uma chave Pix associada ao CPF. Quando isso acontece, o valor é creditado diretamente, sem necessidade de informar número de agência ou banco. A praticidade incentiva o resgate, especialmente entre quem não tem familiaridade com etapas mais burocráticas.
Mesmo com todo o processo digital, vale guardar o comprovante gerado pelo sistema. Esse documento serve para eventual conferência futura ou em caso de divergência nos lançamentos bancários.
Cuidados para evitar golpes durante o resgate
Com a popularidade do SVR, aumentou também o número de tentativas de fraude. O Banco Central reforça que não envia e-mails, SMS ou mensagens em aplicativos solicitando senhas ou dados bancários. Toda consulta deve ser feita exclusivamente pelo site oficial.
Caso receba qualquer contato prometendo “facilitar” a liberação ou cobrando taxas, desconfie. O órgão recomenda que o cidadão denuncie o episódio aos canais de atendimento do BC ou à polícia local. A orientação é a mesma para beneficiários de programas sociais, como o Bolsa Família, que podem se tornar alvo frequente de golpistas por movimentarem contas digitais com frequência.
Os cuidados também incluem manter antivírus atualizado, evitar acessar o SVR em redes públicas de Wi-Fi e confirmar se o endereço digitado no navegador contém o domínio oficial “bcb.gov.br”. Medidas simples reduzem o risco de clonagem de dados e garantem que o dinheiro esquecido volte, de fato, à conta do titular.
No Salão do Livro, acompanhamos de perto todas as iniciativas que impactam o bolso dos leitores. Além de verificar o SVR, vale ficar atento a temas como prova de vida do INSS ou organização de documentos para o próximo IRPF, assuntos que também podem proteger sua renda no dia a dia.


