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    Direitos e Benefícios

    Bolsa Família não afasta mulheres do mercado de trabalho, indica estudo do FMI

    Thais AmorimBy Thais Amorimfevereiro 13, 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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    Índice

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    • O que mostra a pesquisa do FMI
      • Economia do cuidado e jornada dupla
      • Desigualdade salarial e custo de trabalhar
    • Impacto econômico de maior inclusão feminina
      • Rede de proteção vs. barreiras estruturais
    • Recomendações para fortalecer a participação feminina

    Um novo relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) derruba a tese de que o Bolsa Família seria o vilão da empregabilidade feminina. O levantamento analisou a participação das mulheres na força de trabalho em 2026 e concluiu que o benefício não reduz o ímpeto de busca por vagas.

    Os dados revelam, na verdade, um conjunto de barreiras estruturais — como jornada dupla de cuidados, diferença salarial e falta de creches — que mantêm grande parte das mães fora do emprego formal. A seguir, o Salão do Livro traz os principais números e destaca por que o debate sobre políticas públicas precisa ir além do valor depositado no Caixa Tem.

    O que mostra a pesquisa do FMI

    Publicada em 11 de fevereiro, a análise do FMI combinou microdados da PNAD Contínua, do IBGE, com estatísticas de programas sociais federais. Entre as 18,84 milhões de famílias atendidas pelo Bolsa Família, 84% são chefiadas por mulheres. Mesmo assim, a entidade não encontrou correlação negativa robusta entre o benefício e a procura por trabalho remunerado.

    Segundo o relatório, a maioria utiliza a transferência de renda como complemento, não como substituto do salário. Com isso, o argumento de que o programa “desestimula” o emprego perde força técnica. Em vez disso, entram em cena fatores econômicos e sociais que restringem a oferta de mão de obra feminina.

    Economia do cuidado e jornada dupla

    A principal razão citada por 34,4% das entrevistadas para ficar em casa é a necessidade de cuidar de filhos, idosos ou afazeres domésticos. O FMI apontou que as brasileiras dedicam em média 9,8 horas semanais a mais a tarefas não remuneradas do que os homens, resultando em menos tempo disponível para atividades formais.

    Essa diferença de carga horária, chamada de “economia do cuidado”, ainda não é compensada por políticas de licença parental ampla ou incentivo à corresponsabilidade masculina. A consequência é a perpetuação de um ciclo que impede o avanço da participação feminina no PIB.

    Para analistas, a expansão de creches públicas e serviços de cuidado reduziria significativamente esse hiato, impulsionando o emprego e o rendimento familiar.

    Desigualdade salarial e custo de trabalhar

    Outro dado que chama atenção: mulheres recebem, em média, 22% menos que homens em funções equivalentes. Essa disparidade muitas vezes torna o custo de deslocamento, alimentação fora de casa e contratação de creche superior ao ganho líquido do trabalho.

    Quando o salário não compensa, opções temporárias — como trabalhos informais, venda de produtos caseiros ou freelances — acabam surgindo como alternativas de flexibilidade. O estudo ressalta que a correção dessa lacuna salarial seria mais eficaz para elevar a participação feminina do que restringir a assistência social.

    No mesmo sentido, medidas como a Lei da Igualdade Salarial podem se traduzir em ganhos reais de renda para as famílias chefiadas por mulheres.

    Impacto econômico de maior inclusão feminina

    O FMI calculou cenários de crescimento caso a distância entre as taxas de atividade de homens e mulheres seja reduzida pela metade até 2033. O resultado seria um salto de até 0,5 ponto percentual no PIB anual, reforçando que a inclusão feminina é vetor de desenvolvimento macroeconômico.

    Para atingir essa meta, o organismo recomenda políticas de incentivo, como expansão de creches, revisão de licenças parentais e estímulo à corresponsabilidade masculina nos cuidados domésticos. O objetivo é liberar tempo para que mais mulheres busquem vagas formais sem sacrificar a renda familiar.

    Rede de proteção vs. barreiras estruturais

    Estudos recentes do Ipea e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) reforçam a conclusão do FMI. Mesmo após o reajuste que incluiu parcelas extras de R$ 150 por criança e R$ 50 por gestante, não houve transição significativa do emprego formal para o informal entre as beneficiárias.

    Esses levantamentos identificam o Caixa Tem como ferramenta de proteção em períodos de instabilidade econômica, mas não como justificativa para abandono do mercado.

    Assim, a transferência de renda permanece como rede de segurança enquanto não forem superados gargalos de infraestrutura social, transporte e formação profissional.

    Recomendações para fortalecer a participação feminina

    O FMI lista três frentes prioritárias de atuação governamental. A primeira é consolidar a Lei da Igualdade Salarial, garantindo fiscalização e penalidades efetivas. A segunda é ampliar a oferta de creches públicas, especialmente em regiões periféricas.

    A terceira envolve ajustar as regras de licença parental, de forma a incentivar mais homens a compartilhar responsabilidades domésticas. Especialistas lembram que, sem a divisão equilibrada do cuidado, qualquer política de incentivo ao emprego feminino tende a produzir resultados tímidos.

    Em resumo, o relatório afasta o mito de que o Bolsa Família desestimula a busca por trabalho. O desafio, segundo o FMI, está em remover barreiras históricas que limitam o potencial produtivo de milhões de mulheres brasileiras.

    bolsa família FMI mercado de trabalho mulheres transferência de renda
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