Dezembro costuma chegar com a expectativa de dinheiro extra, mas o valor exato do 13º salário ainda gera dúvida em boa parte dos trabalhadores. A conta envolve meses efetivamente trabalhados em 2025, novas faixas de tributação do INSS e o reajuste do salário mínimo.
Para evitar surpresas e entender quanto vai cair na conta, o Salão do Livro preparou um guia detalhado com fórmulas, exemplos práticos e os prazos que empresas e governo precisam cumprir em 2026.
Como funciona o cálculo do 13º salário em 2026
O direito ao décimo terceiro é conquistado mês a mês. Sempre que o empregado completa pelo menos 15 dias de serviço, garante 1/12 do salário que estiver registrado na carteira naquele período. Essa fração serve de base para a soma final paga em 2026.
A conta é simples: divide-se o salário bruto por 12 e multiplica-se pelos meses trabalhados. Quem ficou o ano inteiro de 2025 na empresa receberá o valor equivalente a um salário bruto. Quem entrou ou saiu ao longo do ano terá o cálculo proporcional.
Fórmula básica e rubricas que entram no cálculo
A fórmula usada pelas empresas é a seguinte:
(Salário Bruto / 12) × Meses Trabalhados = 13º Salário Bruto
Além do salário fixo, integram a base de cálculo médias de horas extras, adicional noturno, insalubridade, comissões e gratificações. Verbas de natureza indenizatória, como vale-transporte, não entram na conta.
Exemplo: um empregado que ganha R$ 3.000, faz duas horas extras por semana e trabalhou os 12 meses de 2025 terá as horas extras incorporadas à remuneração média antes da divisão por 12.
Salário mínimo 2026 e impacto no 13º
Para quem recebe o piso nacional, o valor de referência passa a ser R$ 1.621,00 em 2026, contra R$ 1.518,00 no ano anterior. Isso garante aumento direto no décimo terceiro de trabalhadores que ganham o mínimo e aposentados que recebem por meio do INSS.
Embora o piso seja o ponto de partida, quem acumula horas extras ou adicionais pode ver um valor maior tanto no holerite mensal quanto no décimo terceiro. A diferença aparece na média de remuneração usada pela empresa.
Prazos de pagamento e divisão em duas parcelas
A legislação determina que o 13º seja quitado em duas etapas, salvo se a companhia optar por pagar tudo até 30 de novembro. Confira:
• Primeira parcela: entre 1º de fevereiro e 30 de novembro de 2026, equivalente a 50 % do valor bruto, sem deduções.
• Segunda parcela: até 20 de dezembro de 2026, já com desconto de INSS e, quando aplicável, Imposto de Renda.
Empresas que preferem antecipar o adiantamento costumam usar as férias ou a data comemorativa do aniversário do empregado como base de pagamento. Quem quiser conferir valores com antecedência pode usar uma calculadora online específica.
Nesse ponto é bom ficar atento a mudanças legislativas. Recentemente, o estado de São Paulo adotou novos alertas eletrônicos para proprietários de celulares roubados, e a lógica de notificação imediata mostra como regras podem ser atualizadas rapidamente. O mesmo vale para decisões fiscais que afetem o décimo terceiro.
Descontos: INSS progressivo e nova faixa de isenção do IR
Em 2026, a tabela do INSS segue o modelo progressivo. Quanto maior a faixa salarial, maior a alíquota efetiva. O teto de contribuição chega a R$ 8.475,55. Veja as alíquotas:
• Até R$ 1.621,00 — 7,5 %
• De R$ 1.621,01 a R$ 2.902,84 — 9 %
• De R$ 2.902,85 a R$ 4.354,27 — 12 %
• De R$ 4.354,28 a R$ 8.475,55 — 14 %
Já no Imposto de Renda, houve ampliação da faixa de isenção. Trabalhadores que recebem até R$ 5.000,00 por mês ficam livres do IR sobre o 13º. Quem ultrapassa esse patamar sofre retenção conforme a tabela anual da Receita Federal.
Exemplo prático: salário de R$ 3.000,00
Um empregado com remuneração fixa de R$ 3.000,00, que tenha trabalhado os 12 meses de 2025, observará:
• Valor bruto do 13º: R$ 3.000,00.
• Primeira parcela (novembro): R$ 1.500,00, sem descontos.
• Desconto de INSS na segunda parcela (dezembro): aproximadamente R$ 247,63, conforme cálculo progressivo.
• Imposto de Renda: isento, pois o salário está abaixo do novo teto de R$ 5.000,00.
Com isso, a segunda metade do benefício será de R$ 1.252,37. Para validar o percentual descontado, é útil comparar com uma calculadora CLT x PJ e verificar as diferenças contratuais.
O mesmo raciocínio vale para outras faixas salariais. Quem estiver próximo do teto pode observar alíquota efetiva maior, mas continua obedecendo ao limite máximo de contribuição previdenciária.
Perguntas frequentes sobre o 13º salário 2026
Pedi demissão. Tenho direito? Sim. Na rescisão há pagamento proporcional aos meses trabalhados, exceto em demissão por justa causa.
Aposentados recebem quando? O INSS tradicionalmente antecipa a primeira parcela entre abril e maio, seguindo calendário próprio. A segunda parcela cai no segundo semestre, alinhada à folha regular.
Posso usar o 13º para abatimento de dívidas? Sim, sobretudo se o débito cobrar juros simples. Ferramentas como a calculadora de juros simples ajudam a simular o ganho real ao pagar uma dívida à vista.
Há chance de mudança na tabela do IR ainda em 2026? O governo pode ajustar faixas até o fim do ano-base, mas qualquer modificação precisa ser oficializada em lei ou medida provisória.
Vale a pena antecipar o pagamento pelo banco? Algumas instituições oferecem adiantamento do 13º. É preciso comparar o custo efetivo total da operação com o potencial ganho de deixar o dinheiro aplicado.
Com as informações acima, trabalhadores já conseguem prever o valor líquido que entrará na conta e programar o orçamento com mais segurança. Caso surjam ajustes na legislação, basta refazer o cálculo usando as mesmas fórmulas de base.


