Blocos de rua já tomam conta das principais cidades brasileiras e a animação promete ser intensa até a Quarta-Feira de Cinzas. A multidão, porém, continua atraindo não apenas foliões, mas também criminosos atentos a carteiras, cartões e, principalmente, smartphones desbloqueados.
Com foco em prevenção financeira e digital, este guia reúne estratégias simples que fazem toda diferença na hora de curtir o Carnaval 2026 sem transformar lembranças em boletos ou corridas à delegacia. Tudo em linguagem direta, como pede a tradição do Salão do Livro.
Blindagem financeira: limite é sinônimo de liberdade
O pagamento por aproximação conquistou milhares de usuários pela praticidade, mas, em meio a empurrões e músicas altas, qualquer distração vira brecha para perdas expressivas. Por isso, antes de sair de casa, reduza o teto de operações sem senha a um valor simbólico — R$ 30,00 costuma ser suficiente para água, refrigerante ou espetinho.
Quem prefere evitar surpresas pode, ainda, desativar completamente a função “contactless” até o fim do feriado. O processo é rápido no aplicativo do banco e devolve a paz de espírito na hora de dançar atrás do trio.
Cartão virtual temporário e CVV camuflado
Outra camada de proteção está no uso exclusivo de cartões virtuais criados dentro do app da instituição financeira. Como o número expira após cada transação, a clonagem deixa de ser problema. Caso seja indispensável levar o cartão físico, vale colar um pequeno adesivo opaco sobre o código de verificação (CVV). O custo é nulo e a medida dificulta tentativas de fraude quando o objeto passa de mão em mão.
Fique atento também ao visor da maquininha. Golpistas têm digitado um zero extra para transformar R$ 20,00 em R$ 200,00. Conferir o montante antes de aproximar ou inserir o cartão ainda é a defesa mais eficiente contra “trombadas” na fatura.
Se, mesmo com cautela, o imprevisto acontecer, aprender a bloquear celular e contas em 5 minutos é conhecimento valioso que evita um rombo maior no orçamento.
Segurança digital: o aparelho vale mais que o abadá
Smartphones concentram acesso imediato a aplicativos de banco, carteiras digitais e redes sociais. Quando o aparelho cai em mãos erradas sem bloqueio, o prejuízo pode ir além do valor do dispositivo. Por isso, a biometria precisa ser exigida em todos os apps financeiros.
Reserve alguns minutos, ainda em casa, para reduzir drasticamente os limites diários de PIX. Assim, mesmo que alguém acesse a conta, as transferências ficarão engessadas e será mais fácil reverter o estrago com o gerente.
E-mail de recuperação fora do alcance dos ladrões
Muita gente esquece que o endereço de recuperação de senhas costuma ficar logado no mesmo telefone que vai para o bloco. Crie um e-mail alternativo, mantenha-o seguro em outro aparelho ou computador e evite que o criminoso redefina suas credenciais em poucos toques.
Outra dica de ouro é memorizar ou anotar, em local seguro, o passo a passo do aplicativo Celular Seguro, do Governo Federal. O recurso bloqueia, de uma só vez, o dispositivo e as contas cadastradas, atuando como “freio de emergência” em situação de furto.
Falar em segurança digital também inclui fugir de corridas combinadas fora dos apps de mobilidade. Aceitar uma oferta supostamente barata pode custar a conta inteira. Além disso, manter o compartilhamento de rota ativado e a placa conferida são hábitos que se tornaram mandatórios nos últimos carnavais.
Logística, bem-estar e golpe do perfume: evite as armadilhas clássicas
Grandes aglomerações dificultam a conectividade. Quando o 4G some, vale ter um ponto de encontro físico previamente combinado com amigos. Locais altos ou fachadas comerciais fáceis de identificar são ideais.
Sobre saúde, a fórmula “um copo de água para cada bebida alcoólica” segue imbatível na prevenção da desidratação. A regra é simples, mas faz diferença entre terminar a noite no hotel ou na enfermaria. Na alimentação, priorize lanches leves, acondicionados em refrigeração visível. Alimentos gordurosos ou expostos ao sol elevam o risco de intoxicação e podem destruir uma viagem planejada durante meses.
Pulserinha suspeita? Melhor recusar
Um dos golpes que mais crescem é o da pulseira ou do suposto “perfume gratuito”. A tática usa uma abordagem amistosa para colocar um adereço à força ou borrifar líquidos. Enquanto a vítima tenta entender o que acontece, um comparsa leva carteira, celular ou até arranca correntes do pescoço. Desconfie sempre de brindes excessivamente insistentes — e proteja seus pertences com as mãos à frente do corpo.
Famílias que viajam com crianças ou idosos podem investir em pulseiras de identificação, contendo nome e telefone, para acelerar reencontros em caso de desencontro. A prática simples evita pânico em um ambiente que já costuma ser barulhento e cheio.
Interessado em outras armadilhas comuns? O levantamento com cinco ciladas frequentes ajuda a fortalecer o plano de ação antes de sair de casa.
Adotar essas medidas não elimina todos os riscos, mas reduz drasticamente as chances de gastos inesperados. Na folia ou fora dela, o segredo continua sendo antecipar problemas e reagir rápido. O bolso — e a memória do celular lotada de fotos — agradecem.


