Deixar o livrinho azul no fundo da gaveta já não faz mais sentido. Com a Carteira de Trabalho Digital, o trabalhador acessa histórico de contratos, solicita benefícios e agora pode conferir o Abono Salarial 2026 sem sair de casa.
A atualização liberada nesta segunda-feira, 5 de fevereiro, transformou o aplicativo em ponto central para quem quer checar se tem direito ao PIS ou ao Pasep referente ao ano-base 2024. Além da nova função, o app segue reunindo dados de férias, contribuições ao INSS e opção para dar entrada no seguro-desemprego.
Por que a Carteira de Trabalho Digital virou peça obrigatória
Lançado como simples espelho do documento físico, o aplicativo evoluiu e agora concentra informações em tempo real. Empresas registam admissões e desligamentos diretamente no eSocial, e tudo aparece no celular do empregado quase instantaneamente, dispensando carimbos e anotações manuais.
A rapidez se estende às atualizações salariais. A cada alteração no contracheque, o sistema Gov.br reflete o valor na tela, permitindo conferência imediata. Para quem depende do histórico formal para comprovar renda — caso de financiamentos ou pedidos de isenção de taxas municipais, como a isenção de IPTU para idosos — o app facilita a emissão de relatórios sem precisar de papelada.
Central de benefícios integrada
A funcionalidade que mais chama atenção é o atalho para seguros, abonos e benefícios assistenciais. Pelo menu “Benefícios”, o usuário consulta pagamentos liberados, acompanha datas e recebe alertas automáticos quando um valor cai na conta.
No caso do seguro-desemprego, o processo que antes exigia visita a postos de atendimento agora é totalmente online. Basta preencher o requerimento no próprio smartphone, anexar a documentação e aguardar análise.
Com a Carteira de Trabalho Digital, a tramitação costuma levar menos tempo, já que os dados do desligamento são puxados da própria base do Ministério do Trabalho, reduzindo inconsistências.
Segurança de dados e acesso unificado
Todas as funções estão protegidas pela conta Gov.br. Quem possui selo prata ou ouro faz login com CPF e senha, dispensando cadastros extras. A autenticação em dois fatores também impede acessos não autorizados, mesmo que o aparelho seja perdido ou roubado.
Outro ponto de destaque é a hospedagem em ambiente governamental, o que evita repasse de informações sensíveis para terceiros. Documentos comprobatórios, dados bancários e histórico de salários circulam apenas entre o trabalhador e os órgãos oficiais.
Essa mesma estrutura ampara diversos serviços públicos, como o portal Meu INSS — onde a recente correção do salário mínimo refletiu em pagamentos acima de R$ 1.600 neste mês — e concursos federais que exigem comprovação de experiência.
Como consultar o Abono Salarial 2026 pelo app
A principal novidade da nova versão é a liberação das consultas ao PIS/Pasep 2026. A verificação pode ser feita em poucos passos, poupando deslocamentos às agências bancárias.
Após entrar com a conta Gov.br, o usuário seleciona “Benefícios” e, em seguida, “Abono Salarial”. Na tela, basta conferir se o ano-base 2024 está marcado. Caso o direito esteja confirmado, o aplicativo mostrará valor, data de depósito e instituição pagadora — Caixa Econômica para trabalhadores de empresas privadas e Banco do Brasil para servidores.
Quem tem direito este ano
As regras permanecem as mesmas: é necessário ter trabalhado pelo menos 30 dias em 2024, com média salarial de até dois mínimos, além de estar inscrito no PIS ou no Pasep há cinco anos. O valor a receber varia conforme o número de meses trabalhados.
Para muitos brasileiros, a dúvida gira em torno de prazos de liberação. Quem quiser aprofundar detalhes pode acompanhar a consulta do PIS/Pasep 2026 no Salão do Livro, que atualiza os calendários oficiais.
Vale lembrar que, se o trabalhador mudou de emprego ou de município, o CPF continua sendo a chave principal. Assim, a Carteira de Trabalho Digital consolida todos os registros, mesmo quando há múltiplos contratos no mesmo ano.
Orientações para quem não aparece na lista
Se, após a consulta, não surgir nenhum valor, o passo seguinte é verificar se o empregador enviou corretamente as informações ao eSocial. Uma única divergência de data de admissão já impede a habilitação automática.
Nesse caso, o recomendável é contatar o departamento de recursos humanos da empresa ou abrir solicitação em uma unidade regional do Ministério do Trabalho. O protocolo poderá ser acompanhado pelo próprio aplicativo.
Outro ponto de atenção é o tipo de vínculo. Trabalhos como estagiário ou autônomo não contam para o cálculo do abono; por isso, contratos intermitentes precisam estar configurados como CLT no sistema federal.
Passo a passo para instalar e ativar a Carteira de Trabalho Digital
Para quem ainda não possui o app, o caminho é simples. Na Google Play ou App Store, basta digitar “Carteira de Trabalho Digital” e confirmar se o desenvolvedor aparece como Governo do Brasil. O download ocupa pouco espaço e leva menos de dois minutos.
Ao abrir pela primeira vez, o aplicativo solicitará login Gov.br. Quem ainda não tem a conta poderá criá-la na hora; o registro pede CPF, nome completo, e-mail e validação de dados junto à Receita Federal e ao INSS. Depois disso, a Carteira de Trabalho Digital estará pronta para uso, reunindo documentos, benefícios e notificações personalizadas.
Com o histórico em mãos, o trabalhador evita transtornos na hora de comprovar tempo de serviço, seja para pleitos no INSS ou para disputar concursos como o da Ebserh, que encerra inscrições para médicos nesta semana e exige experiência comprovada em especialidades específicas.
O aplicativo, portanto, consolida-se como ferramenta indispensável tanto para acompanhar direitos imediatos, como o abono salarial, quanto para planejar passos de carreira a longo prazo.


