O Carnaval já aponta na esquina, trazendo cores, batuques e uma multidão que só quer dançar. No mesmo compasso chegam batedores de carteira, golpistas digitais e malandros prontos para transformar a alegria em dor de cabeça.
Neste guia, o Salão do Livro destrincha as cinco ciladas comuns no Carnaval, mostra por que elas se repetem ano após ano e ensina rotas de fuga simples que cabem no bolso e na pochete. Se o objetivo é só jogar confete pro alto, a leitura a seguir vale tanto quanto aquela garrafa d’água gelada no meio do bloco.
Por que as ciladas se multiplicam na avenida
Blocos lotados, vendedores ambulantes improvisados e a pressa de não perder o refrão criam o cenário perfeito para fraudes relâmpago. O volume elevado de transações em dinheiro, cartão ou apps de banco torna mais difícil checar cada detalhe na hora do pagamento. E, quando a atenção está no trio elétrico, o golpe corre solto.
Além disso, os dias de folia acontecem quase sempre perto da virada de salário ou do adiantamento de benefícios, período em que muita gente já recebeu salário, abono ou até a antecipação do 13º — serviço que alguns bancos oferecem e que costuma atrair o folião disposto a gastar mais. Quem planeja adiantar o benefício deve estudar as regras com atenção, como explica este material sobre antecipação do 13º dos aposentados.
Cinco ciladas comuns no Carnaval e as rotas de fuga
Golpes envolvendo cartão e Pix
1. Troca de cartão: o ambulante finge que a maquininha deu erro, pega seu plástico e devolve outro idêntico. Enquanto você guarda “o seu” e volta para o batuque, o verdadeiro cartão está nas mãos dele, e a senha já foi espiada.
Desvio rápido: insira o plástico você mesmo na máquina, cubra o teclado ao digitar a senha e confira o nome impresso antes de guardar. Um adesivo bem chamativo no cartão ajuda na identificação imediata.
2. Maquininha com visor escurecido: o vendedor alega reflexo do sol e digita R$ 500 em vez dos R$ 5 combinados. Na correria, o folião só percebe o rombo quando a notificação do banco chega.
Desvio rápido: se não enxergar o valor, recuse a transação. Procure um ambulante com equipamento em boas condições ou pague em dinheiro. Ativar alertas de movimentação pelo celular também diminui o prejuízo.
3. Pix agendado: na compra de abadás ou ingressos de última hora, o golpista mostra um comprovante falso ou programado para data futura. Assim que some na multidão, ele cancela o agendamento e você fica sem produto e sem dinheiro.
Desvio rápido: só libere o item depois de ver o valor creditado na conta. O recibo de Pix instantâneo traz a palavra “Efetivado” ou “Concluído” e não “Agendado”.
Furtos silenciosos via aproximação e perfis falsos
4. Cobrança por aproximação (contactless): no meio da aglomeração, uma maquininha encosta no seu bolso e debita valores até R$ 200 sem pedir senha. O golpe é rápido e quase imperceptível.
Desvio rápido: desative o pagamento por aproximação no app do banco enquanto durar a festa. Alguns aplicativos permitem zerar o limite para transações sem senha; use esse recurso a seu favor.
5. Perfis falsos de revenda: redes sociais se enchem de ofertas de camarotes e festas privadas “com preço de desistência”. O folião paga adiantado, o perfil some e a pulseira nunca chega.
Desvio rápido: compre em canais oficiais ou use plataformas de revenda que ofereçam estorno em caso de fraude. Desconfie de contas recém-criadas, poucos seguidores ou preços muito abaixo da média.
Dicas extras para um Carnaval sem sustos
Levar um celular reserva, com acesso apenas aos aplicativos essenciais, é medida cada vez mais popular. Nesse aparelho secundário, evite cadastrar conta bancária principal. Se optar pelo telefone oficial, anote o IMEI em casa, mantenha GPS ligado para rastreio e use senha forte — deixar data de nascimento como código é convite para problema.
No quesito dinheiro, defina limite de gastos antes de sair de casa e considere levar parte em espécie. O planejamento financeiro é tema recorrente de quem quer brincar sem estourar o orçamento; a própria Caixa lista estratégias simples para economizar na folia. Assim, o bolso não sofre ressaca na Quarta-feira de Cinzas, quando, vale lembrar, bancos só abrem ao meio-dia em muitas cidades.
Se precisar de atendimento na agência nesse dia, chegue cedo ou use canais digitais para evitar filas, conforme recomenda o texto sobre o funcionamento bancário pós-Carnaval. Outra prática útil é ativar a biometria nos aplicativos de pagamento, recurso que inibe acessos não autorizados caso o aparelho seja furtado.
Por fim, guarde documentos em pochetes resistentes, distribua valores em mais de um bolso e combine pontos de encontro com amigos para evitar desencontros. Assim, a única lembrança que vai embora é a serpentina jogada pelo alto – e não o saldo da sua conta.


