A carteira de motorista dos brasileiros com 70 anos ou mais passará por um pente-fino a partir de março de 2026. As novas regras para motoristas idosos mexem no prazo para renovação, mantêm a exigência de exames médicos presenciais e deixam de fora, por enquanto, a renovação automática oferecida aos condutores mais jovens.
A medida, confirmada pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), busca aumentar a segurança viária sem retirar a autonomia de quem já dirige há décadas. A seguir, o Salão do Livro detalha cada ponto da mudança, explica por que os prazos são diferentes e mostra o que o idoso precisa fazer para continuar legalmente ao volante.
O que muda na renovação da CNH a partir de março de 2026
A principal alteração é a impossibilidade de aderir ao novo modelo de renovação automática pelo aplicativo do Detran. Enquanto condutores abaixo de 70 anos poderão atualizar o documento on-line, bastando declarar boa saúde, o público idoso seguirá obrigado a cumprir quatro etapas presenciais:
- agendamento no Detran;
- pagamento das taxas estaduais;
- realização de exames clínicos e oftalmológicos;
- entrega de documentação física para emissão da nova CNH.
O intervalo para troca do documento também sofre ajuste. Quem completa 70 anos até a data-limite deverá renovar a cada três anos, e não mais a cada cinco. A lógica adotada pelo governo é acompanhar, em ciclos mais curtos, fatores como visão, reflexos e cognição, diretamente ligados à direção segura.
Renovação automática fora do alcance dos idosos
A proposta de digitalização do processo de habilitação ganhou força dentro do Plano Nacional de Mobilidade. O Contran liberou o uso de inteligência artificial para cruzar dados de saúde, pontuação e validade do documento, permitindo que condutores com exame em dia recebam a CNH nova pelo celular em poucos cliques.
Contudo, essa facilidade não valerá para quem tem 70 anos ou mais. O órgão justificou que, embora a tecnologia reduza filas e torne os serviços mais ágeis, ainda não existe parâmetro eletrônico confiável que substitua, nessa faixa etária, o exame clínico presencial.
Assim, o motorista idoso seguirá o caminho tradicional. A decisão foi apontada pelo Contran como um “filtro de segurança”, uma forma de evitar que alterações fisiológicas passem despercebidas e coloquem em risco vidas no trânsito.
Prazos diferentes, mesmo direito de dirigir
Apesar de a exigência parecer mais rígida, não há previsão de limite etário para cassar a CNH. O que muda é a frequência do controle médico. Caso o condutor esteja apto nos testes, sai do Detran liberado para dirigir até a próxima renovação, mantendo todos os direitos previstos no Código de Trânsito Brasileiro.
Se o usuário não cumprir o cronograma ou for reprovado em algum exame, a CNH passa a ficar irregular. Nesse cenário, conduzir veículo configura infração gravíssima. O condutor pode ter o documento retido, pagar multa e somar pontos que dificultem futuras regularizações.
O fato de existir uma regra específica para a terceira idade não representa punição, mas prevenção. À medida que o corpo envelhece, variáveis como tempo de resposta e acuidade visual tendem a cair. O acompanhamento periódico, defendem especialistas, minimiza acidentes e protege tanto o idoso quanto os demais usuários das vias.
Exames médicos: o que será cobrado dos condutores acima de 70
O pacote de testes exigidos permanece o mesmo, porém com avaliação mais criteriosa. São verificados:
- acuidade visual e campos periféricos;
- pressão arterial e funções cardíacas;
- coordenação motora fina e grossa;
- capacidade cognitiva para tomada de decisão rápida.
Em casos de suspeita de doença crônica, o perito pode solicitar laudos de especialistas antes de liberar a habilitação. Na presença de restrições, como uso obrigatório de lentes corretivas, a observação aparece no verso da nova CNH.
As taxas médicas variam de estado para estado, mas costumam girar em torno de R$ 160, somadas às custas administrativas do Detran. O idoso que recebe benefício assistencial ou apresenta renda de até dois salários mínimos pode requerer isenção parcial, desde que comprove a condição.
Como agendar a avaliação presencial
Para evitar filas, o motorista precisa entrar no site do Detran do seu estado e selecionar a opção “Renovação de CNH para Idoso”. É possível escolher data, hora e clínica credenciada. A confirmação chega por e-mail ou SMS.
No dia marcado, é fundamental levar documento oficial com foto, CNH atual e, se houver, atestado médico recente. O não comparecimento implica reagendamento e gera cobrança extra de taxa.
Algumas capitais planejam instalar unidades móveis em bairros com maior concentração de idosos, estratégia similar à usada na fiscalização de ciclomotores em São Paulo. A medida, porém, ainda depende de orçamento.
Impacto das novas regras para motoristas idosos na rotina do trânsito
Dados do Ministério da Infraestrutura indicam que motoristas acima de 70 anos representam pouco mais de 7% da frota habilitada. Eles se envolvem em menos colisões fatais que jovens, mas são mais suscetíveis a traumas graves quando ocorre um acidente. Por isso, a atualização dos exames tenta reduzir ocorrências e salvar vidas.
Associações de gerontologia veem a mudança com bons olhos. Para elas, dirigir faz parte da independência do idoso, essencial para saúde mental e socialização. Ao exigir check-ups mais frequentes, o Estado reforça a cultura de prevenção sem cortar o direito de ir e vir.
Já sindicatos das autoescolas sugerem ampliar programas de reeducação no trânsito, ofertando cursos rápidos sobre direção defensiva focada na terceira idade. A iniciativa pode caminhar junto ao debate sobre impostos para a categoria, como a proposta de alíquota única de 1% no IPVA, que promete aliviar o bolso de todos os proprietários.
O que fazer até 2026
Quem alcança 70 anos antes de março de 2026 deve seguir o calendário atual: renovação em cinco anos, ou três se a CNH vencer após a data. Vale anotar o vencimento impresso no documento e programar o agendamento com antecedência de, no mínimo, 30 dias.
Também é prudente manter exames oftalmológicos em dia, mesmo fora do período de renovação. Alterações na visão, como catarata, costumam evoluir de forma silenciosa e prejudicar a leitura de placas ou a percepção de cores no semáforo.
Por fim, guardar comprovantes de consulta médica, laudos e receitas facilita o processo junto ao perito do Detran. Dessa forma, o condutor demonstra transparência e agiliza a aprovação.
A contagem regressiva já começou. Entender as novas regras para motoristas idosos evita surpresas e garante que a liberdade sobre quatro rodas continue intacta depois dos 70.


