Milhões de brasileiros aderiram ao Saque-Aniversário do FGTS em busca de uma grana extra todo ano. O alívio, no entanto, cobra um preço alto: quem escolhe a modalidade não pode retirar o saldo integral da conta se for demitido sem justa causa.
Se essa limitação tirou seu sono, saiba que há saída. A Caixa permite voltar ao Saque-Rescisão, mas impõe carência de dois anos. O Salão do Livro destrinchou cada etapa para que o trabalhador faça a troca sem tropeços.
Por que muitos trabalhadores estão desistindo do Saque-Aniversário
A principal frustração de quem migrou para o Saque-Aniversário surge no momento da demissão. Imagine perder o emprego e descobrir que, além da instabilidade financeira, o valor guardado ao longo de anos continua preso no FGTS. Apenas a multa de 40% fica disponível imediatamente, enquanto o saldo permanece bloqueado.
Com o desemprego ainda alto e setores inteiros passando por reestruturação, a segurança de resgatar todo o fundo tornou-se prioridade para muita gente. Esse movimento ganhou força especialmente entre trabalhadores que não veem indícios de estabilidade a curto prazo.
A matemática também pesa. Dependendo do valor na conta, o Saque-Aniversário libera quantias que podem não cobrir emergências reais. Já o resgate total após a dispensa costuma ser decisivo para reorganizar finanças, quitar dívidas e até atrasar a busca por um novo emprego.
Outro fator é a antecipação de parcelas com bancos. Quando o trabalhador usa o Saque-Aniversário como garantia de empréstimo, o fluxo de caixa mensal se aperta. Nesse cenário, especialistas recomendam cautela semelhante àquela necessária antes de aceitar o adiantamento do 13º salário, pois a dívida pode consumir parte expressiva do benefício no futuro.
Passo a passo para solicitar o retorno ao Saque-Rescisão
A troca de modalidade é 100% digital e leva poucos minutos no aplicativo oficial do FGTS. Apesar da simplicidade, é fundamental seguir cada etapa para evitar erros que prolonguem ainda mais o prazo de carência.
- Acesse o aplicativo FGTS
Disponível para Android e iOS, o app pede login com CPF e senha da conta Gov.br. Se você usa biometria, o processo fica ainda mais rápido, recurso semelhante ao que deve acelerar o acesso ao Gov.br sem senha. - Entre em “Meus Saques”
Na tela inicial, procure a seção de saques. Lá aparece a modalidade ativa, normalmente destacada como “Saque-Aniversário”. - Escolha “Saque-Rescisão”
O sistema exibe um quadro explicando as diferenças entre as duas opções. Toque em “Trocar modalidade”. - Confirme a solicitação
A Caixa alerta sobre a carência de 24 meses. Leia atentamente e confirme se concorda. - Guarde o comprovante
Ao final, o app libera protocolo detalhando a data em que o Saque-Rescisão voltará a valer. Vale salvar ou imprimir o documento.
Entenda o período de carência de 24 meses
A regra de transição funciona como um “pedágio” imposto pela Caixa. Nos 24 meses seguintes ao pedido, o trabalhador permanece no Saque-Aniversário. Só a partir do primeiro dia do 25º mês ele recupera o direito de retirar todo o saldo em caso de demissão.
Durante esse intervalo, não há como acessar o valor integral, mesmo que o contrato seja quebrado sem justa causa. A única quantia disponível continua sendo a multa de 40% sobre o total depositado pelo empregador.
Portanto, quem teme perder o emprego deve fazer a solicitação o quanto antes, iniciando imediatamente a contagem dos dois anos. Quanto mais cedo o pedido é registrado, mais cedo chega o momento de voltar ao modelo tradicional.
O que muda para quem já antecipou parcelas
Caso o Saque-Aniversário tenha sido utilizado como garantia de crédito, a história ganha um capítulo extra. Até que o empréstimo seja quitado, a plataforma não libera a troca de modalidade. Isso porque os bancos precisam da segurança da garantia para receber o valor emprestado.
Quem se encontra nessa situação deve negociar a quitação ou portabilidade da dívida. Algumas instituições aceitam amortizar parte do saldo devedor com o próprio FGTS, desde que respeitadas as regras do contrato.
Vale redobrar a atenção em períodos de instabilidade tecnológica, semelhantes às falhas que deixaram o Meu INSS fora do ar recentemente. Problemas de acesso podem prejudicar a visualização do status da solicitação e atrasar decisões financeiras importantes.
Vale a pena sair agora? Avalie o risco de demissão e seus direitos
A resposta passa por uma análise sincera da situação no emprego atual. Quem enxerga alta probabilidade de dispensa em curto prazo tende a se beneficiar da mudança, mesmo enfrentando dois anos de espera. Isso porque o relógio da carência começa a rodar imediatamente após a solicitação.
Já quem possui estabilidade alta ou trabalha em setores menos suscetíveis a cortes talvez prefira manter o Saque-Aniversário para usar a quantia anual como reforço no orçamento. Nesses casos, o valor pode servir para compor reserva de emergência, pagar impostos ou financiar projetos pessoais.
Outro ponto é o tamanho do saldo no FGTS. Se o total acumulado já ultrapassa a faixa que gera parcelas maiores, a perda de acesso integral pesa mais. Para saldos menores, a diferença pode não ser tão impactante e o saque anual cumpra bem o papel de “renda extra”.
Por fim, programe-se. Assim como quem acompanha as possíveis antecipações do 13º do INSS, entender o calendário ajuda a evitar surpresas. Verifique com frequência o aplicativo FGTS, anote a data exata em que o Saque-Rescisão volta a vigorar e monte um plano financeiro de acordo com esse horizonte.
Com a decisão bem calculada e o processo registrado, basta esperar o fim da carência. A partir daí, em caso de demissão sem justa causa, o saldo completo volta a ser seu, devolvendo a tranquilidade que motivou a criação original do FGTS.


