Calor recorde, noites mal dormidas e muita gente recorrendo ao ar-condicionado para atravessar o verão. A conta, porém, chega no fim do mês e costuma assustar quem não sabe exatamente quanto custa manter o aparelho ligado.
Para esclarecer a dúvida, o supervisor de P&D da Gree, Romenig Magalhães, calculou o consumo de um equipamento split residencial em quatro cenários de uso diário. A metodologia leva em conta condições típicas de casas e apartamentos brasileiros, resultando em números que ajudam o consumidor a planejar o orçamento sem surpresas.
Simulação mostra o consumo hora a hora
O estudo parte de um aparelho com consumo anual de 362,6 kWh, instalado em ambiente entre 12 m² e 18 m². A temperatura externa média considerada foi de 35 °C, com o termostato interno ajustado entre 24 °C e 25 °C – faixa recomendada para equilibrar conforto e eficiência.
Com tarifa média de R$ 1,04 por kWh e um mês de 30 dias, o resultado ficou assim:
- 2 h por dia – 10,4 kWh/mês | R$ 10,80
- 5 h por dia – 26,1 kWh/mês | R$ 27,10
- 8 h por dia – 43,8 kWh/mês | R$ 44,00
- 10 h por dia – 52,2 kWh/mês | R$ 54,30
Em outras palavras, mesmo dez horas de funcionamento diário podem custar menos que dois cafés por semana em muitas capitais brasileiras. Ainda assim, valores reais podem variar conforme características do imóvel e do próprio equipamento.
Fatores que encarecem o uso do ar-condicionado
A disparidade entre a teoria e a conta real costuma aparecer quando o aparelho não conversa bem com o ambiente ou quando hábitos de uso sabotam a eficiência.
Equipamento fora de medida
BTUs em excesso ou em falta tendem a elevar o consumo. Um modelo superdimensionado liga e desliga com frequência para manter a temperatura, o que cria picos de gasto. Já um equipamento fraco trabalha no limite, mantendo o compressor ativo por longos períodos.
Outra armadilha envolve aparelhos antigos, fabricados antes da popularização da tecnologia inverter. Neles, o compressor opera sempre na potência máxima, diferente dos modelos atuais que modulam a energia de acordo com a necessidade térmica.
Por fim, filtros sujos obrigam o sistema de refrigeração a trabalhar mais para vencer a resistência do ar, aumentando rapidamente o consumo por hora.
Condições externas e hábitos de quem mora
Ambientes com grande incidência solar, especialmente janelas voltadas para o oeste, exigem mais esforço do ar-condicionado. Vidros simples sem película refletiva deixam o calor entrar e o aparelho compensa rodando por mais tempo.
Outra prática que pesa no bolso é deixar portas ou janelas mal vedadas. A troca de ar constante impede que a temperatura estabilize, obrigando o compressor a permanecer ativo.
Há, ainda, o hábito de programar o aparelho em 18 °C. Cada grau abaixo da faixa recomendada pode aumentar o consumo em até 7 %, segundo técnicos do setor, um número que se acumula no fim do ciclo de faturamento.
Boas práticas para reduzir o valor da fatura
Os mesmos especialistas que apontam os vilões do gasto trazem medidas simples para segurar a despesa mensal sem abrir mão do conforto térmico.
Rotina de manutenção faz diferença
Limpar filtros a cada 15 dias e checar a carga de gás refrigerante uma vez por ano evitam quedas de desempenho. Pequenos vazamentos forçam o equipamento e podem passar despercebidos até que a conta dispare.
Também vale revisar a vedação de janelas e portas. Uma fita de espuma ou borracha costuma resolver infiltrações de ar quente por um custo baixo. O retorno aparece rapidamente na conta de energia.
Se o aparelho tem mais de dez anos, considerar a troca por um inverter pode ser vantajoso. Além da economia contínua, alguns fabricantes oferecem modelos que dispensam grandes reformas, alternativa prática para quem mora em imóvel alugado.
Ajustes no dia a dia
Manter o termostato entre 24 °C e 25 °C reduz o consumo sem comprometer o conforto. Programar o timer para desligar pouco antes de acordar ou sair de casa também ajuda.
Outra dica útil é evitar ciclos curtos de liga e desliga. Esperar pelo menos 15 minutos antes de religar o aparelho permite que o gás estabilize, prolongando a vida útil do compressor e economizando energia.
Por fim, quem trabalha remotamente pode reorganizar o espaço para minimizar o tempo de uso. Criar um home office em ambiente menor, por exemplo, demanda menos BTUs. As regras atualizadas para trabalho remoto em 2026, detalhadas neste guia sobre home office, mostram que adaptar a rotina pode trazer ganhos que vão além do conforto térmico.
A simulação confirma que o ar-condicionado não precisa ser o vilão da conta de luz. Usado com critério, o equipamento pesa menos no orçamento do que muitos imaginam. O Salão do Livro seguirá atento às mudanças de hábitos que impactam a vida doméstica, sempre focado em oferecer informação clara e prática ao leitor.


