O prazo de matrícula em universidades públicas e privadas corre, mas muitos aprovados pelo Enem 2025 ainda não conseguem acessar o documento que confirma o fim da educação básica. A “declaração de conclusão do ensino médio”, liberada on-line pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), simplesmente não aparece para todos os usuários.
Sem o arquivo, jovens e adultos aptos ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu) enfrentam a possibilidade de perder a vaga conquistada. A falha reacende o debate sobre a eficiência digital do Inep e desperta preocupação no meio educacional, assunto que também mobiliza leitores do Salão do Livro.
O que aconteceu com a declaração do Enem 2025
Desde 30 de janeiro, candidatos com 18 anos ou mais e notas mínimas de 450 em cada área do conhecimento, além de 500 na redação, deveriam baixar a declaração diretamente na Página do Participante. O documento provisório serve como substituto do certificado definitivo, prometido para março.
Na prática, porém, a opção “Declaração” não surge para todos. Até a manhã de 3 de fevereiro, relatos em redes sociais mostravam telas sem o botão. O Inep foi questionado, mas ainda não apresentou explicação formal. Enquanto isso, as matrículas do Sisu e de vestibulares independentes se encerram nesta semana.
Impacto imediato nas matrículas
As universidades exigem a comprovação de conclusão do ensino médio no ato da matrícula. Sem o arquivo, aprovados como Manoella Righi, 22, selecionada para Engenharia de Minas na Universidade Federal de Minas Gerais, temem perder a vaga. “Abri chamado, liguei, e ninguém resolve”, afirma.
Lilian Ismério, mãe de outro candidato, relata frustração semelhante. “Estamos desesperados. O Inep não responde ao 0800 nem ao fale-conosco”, diz. A ausência de resposta institucional intensifica a insegurança de famílias que contavam com o documento para garantir acesso imediato ao ensino superior.
Para completar, o cronograma oficial do Sisu define 5 de fevereiro como data-limite de matrícula em muitas instituições. Sem a solução, gestores universitários terão de decidir se flexibilizam prazos ou mantêm o rigor documental.
Promessa, recuo e nova promessa: a cronologia do problema
A troca de versões públicas contribuiu para o clima de incerteza. Em 26 de janeiro, o presidente do Inep, Manuel Palacios, informou que um aplicativo viabilizaria a emissão on-line do certificado apenas em março. Na ocasião, garantiu que universidades seriam orientadas a aceitar matrículas sem o comprovante definitivo.
No dia seguinte, o Instituto recuou: já não seria um app, mas uma plataforma interna, e, para evitar danos, uma declaração provisória estaria pronta em 30 de janeiro. A data chegou, muitos usuários acessaram o sistema ainda de madrugada e descobriram que nada havia mudado. O acesso só foi parcialmente restabelecido após as 13h, mas seguiu incompleto para diversos perfis.
Declaração provisória era solução temporária
Originalmente, o mecanismo emergencial resolveria o vácuo entre o resultado do Enem e a expedição do certificado definitivo. Com a volta do exame nacional como meio de certificação — decisão anunciada pelo Ministério da Educação em maio passado, nove anos após a suspensão desse uso — surgiu a necessidade de digitalizar o procedimento.
Responsável por informatizar processos do Enem, o Inep optou por concentrar a função na Página do Participante. A ideia parecia simples: habilitar um botão que gerasse um PDF automático, válido até a chegada do documento final. Todavia, erros de back-end ou inconsistências de banco de dados deixaram milhares de cadastros sem a opção.
Na ponta do sistema, o candidato apenas vê a omissão do botão. Sem canais de ajuda efetivos, resta a ele aguardar uma correção coletiva que, até o momento, não tem data confirmada.
Quem está apto e como tentar o download
Embora parte dos usuários encontre a função, outros seguem passos sucessivos em vão. O roteiro oficial é:
– Acessar a Página do Participante;
– Clicar em “Resultados” na coluna esquerda;
– Marcar a aba “Declaração” e baixar o PDF.
Casos de sucesso normalmente envolvem navegadores atualizados e cache limpo, mas não há garantia. Printscreens divulgados mostram candidatos que atingiram pontuação mínima, fizeram 18 anos em 2025 e, ainda assim, não veem o link.
Risco de perda de vaga motiva pressa
Quem passou em instituições públicas pelo Sisu encontra prazo apertado, pois as universidades não costumam prorrogar matrícula de primeira chamada. Já vestibulares privados podem ter algum jogo de cintura, mas essa flexibilidade varia. A insegurança aumenta a pressão sobre o Inep para liberar o arquivo ou, ao menos, emitir nota pública orientando as instituições.
Especialistas em gestão educacional lembram que a Lei de Diretrizes e Bases permite matrícula condicional, mas a decisão é sempre da universidade. Sem orientação centralizada, cada reitoria adota critério próprio, resultando em disparidade no tratamento de casos idênticos.
Enquanto isso, grupos de estudo e cursinhos compartilham tutoriais alternativos, pedem que alunos gravem tela e protocolem reclamações formais. A mobilização revela como a tecnologia, quando falha, afeta diretamente o acesso ao ensino superior.
A expectativa agora recai sobre uma atualização emergencial do sistema ou uma portaria do MEC autorizando, de maneira explícita, o ingresso sem a declaração provisória. Até lá, seguir insistindo no site, registrar protocolos e manter contato com a secretaria acadêmica da universidade permanecem as únicas recomendações práticas.


