Um raro eclipse lunar total previsto para 3 de março de 2026 vem movimentando comunidades de astronomia e, ao mesmo tempo, alimentando teorias sobre a abertura de um “portal 03/03”. A data chamativa, combinada ao forte impacto visual da chamada Lua de Sangue, disparou buscas e comentários nas redes sociais.
Especialistas reforçam que não há qualquer risco para a Terra. O que chamam de “apagão lunar” nada mais é que a Lua inteiramente imersa na sombra do nosso planeta por quase uma hora, espetáculo que pode ser apreciado a olho nu em boa parte do globo.
O que os astrônomos esperam do apagão geral 03/03
Durante o eclipse total, a Terra se posiciona entre o Sol e a Lua. Nesse alinhamento, a luz solar direta fica barrada e apenas raios refratados pela atmosfera terrestre alcançam o satélite, conferindo a coloração avermelhada que popularizou o termo Lua de Sangue. É justamente esse escurecimento completo que ganhou nas redes sociais o apelido de apagão geral 03/03.
De acordo com cálculos do Observatório Real de Greenwich, o ápice ocorrerá pouco depois das 4h (UTC). O período de totalidade deve durar cerca de 58 min, tempo suficiente para observadores prepararem câmeras ou simplesmente contemplarem o céu. Já o Brasil verá o início do eclipse pouco antes do nascer do Sol, cenário confirmado pela NASA.
Como a Lua de Sangue se forma
O tom vermelho intenso nasce do mesmo princípio que colore nossos crepúsculos. Partículas na atmosfera espalham luz azul e deixam passar tons quentes, que acabam refletidos na superfície lunar. Quanto maior a quantidade de poeira ou umidade no ar, mais marcante pode ficar a tonalidade.
Para quem observa, a sensação é de que a Lua “apaga” antes de assumir uma face rubra. O contraste chama atenção até de quem não costuma olhar para o céu e ajuda instituições de pesquisa a promover atividades de extensão com o público.
Alguns laboratórios aproveitarão o momento para medir variações na temperatura da superfície lunar, experimentar novos sensores ópticos e testar algoritmos de captura em baixa luminosidade, aplicações úteis em futuras missões robóticas.
Por que a internet apelidou o fenômeno de portal 03/03
Repetições numéricas sempre renderam teorias místicas, e 03/03 foi rapidamente vinculado à ideia de portais dimensionais. Vídeos no TikTok sugerem que o desaparecimento momentâneo da luz transformaria a Lua em uma “porta” para outras realidades. Do ponto de vista científico, porém, não existe qualquer mecanismo que sustente essa narrativa.
Pesquisadores destacam que o interesse público é bem-vindo, desde que a curiosidade não se confunda com desinformação. A coincidência entre a data simétrica e o espetáculo visual funciona como ímã de cliques, mas o fenômeno se resume a um alinhamento orbital conhecido e calculado com séculos de antecedência.
O papel da divulgação científica no combate aos boatos
Observatórios públicos e planetários preparam transmissões ao vivo, apostando em linguagem acessível para neutralizar rumores. A estratégia inclui comparar o eclipse a eventos cotidianos, como o pôr do Sol, reforçando que ambos obedecem às mesmas leis da física.
A corrente de boatos lembra o alvoroço recente sobre uma suposta mudança abrupta de horário de verão, tema já desmentido e contextualizado por especialistas em cronobiologia. Em ambos os casos, números chamativos foram suficientes para espalhar informações sem lastro.
O Salão do Livro notou aumento expressivo na busca por títulos de astronomia popular e guias de observação do céu. Livrarias afiliadas relatam que autores como Carl Sagan e Neil deGrasse Tyson voltaram às listas de mais vendidos, sinal de que um fenômeno celeste pode, sim, despertar interesse genuíno por ciência.
Melhores formas de observar o eclipse total de 3 de março de 2026
Não é preciso equipamento especializado para assistir ao apagão lunar 03/03. Basta escolher um local aberto, distante de postes e fachadas iluminadas. Em grandes centros, parques e mirantes costumam oferecer a menor poluição luminosa possível.
Para quem deseja registrar o momento, um tripé simples e exposição acima de dois segundos já garantem boas fotos. Astrônomos recomendam configurar o balanço de branco manualmente, o que ajuda a captar o vermelho profundo da Lua de Sangue.
Apps de carta celeste podem auxiliar na orientação, mas vale lembrar que o eclipse será visível a olho nu. Mesmo quem não madrugar encontrará fases parciais antes ou depois da totalidade, momento em que o satélite volta a emergir da penumbra terrestre e exibe bordas gradualmente iluminadas.


