Faltavam apenas três etapas para a sonhada bolada de R$ 1 milhão quando o engenheiro Leonardo Cremonesi, de 27 anos, esbarrou numa única pergunta sobre astronomia. No estúdio do “Domingão com Huck”, o silêncio foi mais pesado que a gravidade que rege os astros.
A dúvida girou em torno do tamanho colossal do Sol: “Quantas Terras cabem no volume da nossa estrela?”, questionou o apresentador. Entre quatro alternativas, Cremonesi optou pela mais alta — e saiu de mãos abanando depois de uma sequência impecável de acertos.
A escalada até os R$ 300 mil
Antes do tropeço, o competidor vinha num ritmo firme. Perguntas sobre história, cultura pop e lógica foram vencidas uma após a outra, sempre com explicações que mostravam descontração e domínio dos temas. A plateia reconhecia cada resposta correta com aplausos crescentes, alimentando a confiança do engenheiro.
Quando o valor atingiu R$ 300 mil, o nível de tensão ficou ainda mais evidente. As luzes do palco se ajustaram, a trilha subiu de tom e o apresentador reforçou que apenas três questões separavam Cremonesi do prêmio máximo. Um clima de final de campeonato se instalou em rede nacional.
Os números que a ciência confirma
A virada dramática ocorreu na exata fronteira entre a matemática e a astronomia. O enunciado pedia a quantidade de “Terras” capazes de preencher o volume total do Sol — um cálculo que envolve dividir o volume da estrela, 1,412 × 1018 km³, pelo da Terra, 1,083 × 1012 km³.
O resultado, arredondado nos livros didáticos, aponta para cerca de 1 300 000 planetas como o nosso. A alternativa correta, portanto, era a letra C: “1 milhão e 300 mil”. Ao escolher a letra D, “1 milhão e 400 mil”, o engenheiro viu a contagem de pontos ser zerada num piscar de olhos.
Pressão de estúdio x raciocínio frio
Na conversa pós-resposta, o participante admitiu que, em casa, provavelmente teria checado mentalmente as potências de dez e acertado o desafio. Porém, diante da plateia, dos holofotes e do relógio correndo, a atenção vacilou. Esse choque entre a pressão do palco e o raciocínio frio de sofá costuma ser decisivo no “Quem Quer Ser um Milionário?”.
O apresentador destacou que a dúvida de Cremonesi é comum até entre estudantes de Exatas, justamente porque a magnitude astronômica exige olhar atento às ordens de grandeza. Não se trata de um mero detalhe numérico: estamos falando de seis casas decimais que separam o volume de um planeta do de uma estrela.
Mesmo após a eliminação, o engenheiro recebeu aplausos pela performance consistente. Dentro dos bastidores, membros da produção comentaram que poucos candidatos demonstram tamanha desenvoltura ao longo de toda a trilha de perguntas.
Ciência como estrela do horário nobre
A questão astronômica trouxe ao palco uma discussão pouco frequente nos domingos televisivos. Em vez de curiosidades pop, o público foi convidado a imaginar a dimensão real do Sol — informação que, de acordo com astrofísicos, costuma surpreender até quem tem interesse em ciências.
Segundo estudiosos consultados pelos roteiristas do programa, incluir perguntas que extrapolam o senso comum é uma maneira de estimular o debate em casa. No dia seguinte, redes sociais fervilharam com fãs tentando refazer o cálculo. Para portais como o Salão do Livro, que valorizam conhecimento e divulgação científica, o episódio virou pauta instantânea.
Lições para futuros competidores
A própria produção do “Domingão” admite que perguntas sobre astronomia, química ou física geram um alto índice de erros. O principal conselho para quem sonha em ocupar a poltrona quente é revisitar conceitos de volume, escalas logarítmicas e unidades de medida — tópicos que, longe da rotina escolar, tendem a se apagar da memória.
Outra dica crucial é treinar sob condições de estresse. Cronometrar respostas, simular ambiente barulhento e até pedir que amigos façam “plateia” improvisada podem ajudar o cérebro a manter a clareza quando o coração dispara.
Por fim, vale lembrar que lifelines como cartas, ligações ou eliminações de alternativas nem sempre resolvem impasses envolvendo cálculos aproximados. A bagagem de leituras e o domínio básico de ciências exatas continuam fazendo a diferença no jogo.
O que vem depois do tropeço
Apesar da queda, Leonardo Cremonesi virou referência para futuros participantes. Seus momentos de acerto ilustram vídeos motivacionais internos do programa, usados para mostrar que cada pergunta tem lógica, por mais capciosa que soe.
Fora da TV, o engenheiro volta ao cotidiano, agora com uma experiência singular e, segundo ele, “um baita argumento” para conversar em qualquer roda de bar. Afinal, quem mais pode dizer que quase levou R$ 1 milhão ao acertar uma sequência de provas culturais, históricas e científicas ao vivo?
No fim das contas, a noite reforçou um antigo ditado não escrito da televisão: às vezes, um milímetro — ou, no caso, 100 000 Terras — separa o espectador do milionário. E é justamente essa margem apertada que mantém o “Quem Quer Ser um Milionário?” na lista de programas mais comentados da TV aberta brasileira.


