Parece simples, mas muita gente ainda não sabe que o FGTS retido, bloqueado desde a adesão ao saque-aniversário, finalmente começou a ser devolvido. A medida provisória assinada pelo governo destrava valores de trabalhadores demitidos entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025. O pagamento é escalonado e segue até fevereiro de 2026, gerando expectativa em milhões de CPFs.
Se você pertence a esse grupo, há um caminho claro para descobrir se já está na lista de liberação. A seguir, reunimos os principais pontos: quem tem direito, como consultar e o que fazer caso o dinheiro ainda não apareça. O objetivo é evitar surpresas e garantir que cada centavo retorne ao bolso do trabalhador.
Por que o saldo ficou retido?
A modalidade saque-aniversário nasceu como alternativa para quem queria sacar uma fração do FGTS todos os anos, no mês de aniversário. O problema veio quando esses mesmos trabalhadores foram demitidos sem justa causa: em vez de receber o saldo total da conta, o montante permaneceu bloqueado. A promessa de resgate imediato transformou-se em frustração.
Com a nova medida provisória, o governo reconheceu a inconsistência e decidiu liberar esses recursos. A Caixa Econômica Federal, gestora do fundo, montou um cronograma que se estende até 12 de fevereiro de 2026. O modelo de pagamento escalonado levou em conta a capacidade operacional do banco e a quantidade de contas afetadas.
Critérios para entrar no lote de pagamentos
O primeiro requisito é estar ou ter estado no saque-aniversário entre 2020 e 2025. Sem isso, o saldo permanece intocado. O segundo: ter sido demitido ou ter o contrato suspenso durante o mesmo período. Por fim, o trabalhador precisa ter saldo disponível; valores dados em garantia de empréstimo são descontados do total a receber.
Mesmo cumprindo todos os itens, alguns CPFs terão liberação parcial. Se parte do saldo foi usada como colateral de crédito consignado, o valor liberado pode ser menor ou até chegar a zero. A recomendação é checar eventuais contratos de empréstimo antes de criar expectativas sobre o montante.
Vale lembrar que cada conta vinculada ao FGTS pode ter valores diferentes. Trabalhadores que passaram por mais de uma empresa nesse intervalo precisam verificar todas as contas ativas e inativas.
Como consultar o FGTS retido sem sair de casa
A forma mais rápida continua sendo o aplicativo FGTS. Após baixar ou abrir o app (Android e iOS), basta fazer login com CPF e senha gov.br, avançar até “Informações Úteis” ou “Saque” e conferir se existe saldo liberado. Caso uma conta bancária já esteja cadastrada, o crédito é automático.
Quem prefere atendimento por telefone pode ligar gratuitamente para o 0800-726-0207, escolher a opção destinada ao FGTS e informar CPF e data de nascimento. Em ambos os canais, o sistema mostra não apenas o valor, mas também a previsão de depósito. Segundo a Caixa, essa transparência reduz o fluxo de trabalhadores às agências.
Consulta presencial garante conferência detalhada
Ainda assim, muitas pessoas se sentem seguras apenas com atendimento cara a cara. Nesse caso, basta levar um documento oficial com foto e CPF a qualquer agência da Caixa. O atendente checa o saldo, atualiza dados cadastrais e orienta sobre a melhor forma de resgate.
Quem não tem conta na Caixa pode receber o dinheiro em terminais de autoatendimento, casas lotéricas ou correspondentes Caixa Aqui, usando o Cartão Cidadão e a senha. Para valores mais altos, é comum que o banco peça comprovação de identidade antes do saque.
Vale reforçar: se houver inconsistências no sistema, o trabalhador deve abrir um protocolo. A Caixa costuma resolver pendências em até cinco dias úteis, mas atrasos podem ocorrer quando existem divergências cadastrais ou contratos de empréstimo não baixados.
Calendário de liberação segue até fevereiro de 2026
A liberação do FGTS retido acontece em ondas. A primeira começou em dezembro de 2025, com depósitos de até R$ 1.800 por conta. A partir de fevereiro de 2026, entram lotes maiores, alcançando valores superiores conforme o saldo individual do trabalhador.
Para entender a lógica do escalonamento, o cronograma de liberações publicado pela própria Caixa traz datas, limites e montantes. É recomendável acompanhar, já que atrasos em datas festivas ou feriados bancários são comuns, como se viu quando os bancos fecharam no Carnaval.
O que fazer se o valor não estiver disponível
Se o aplicativo indicar saldo zero, verifique primeiro se o contrato de demissão se encaixa no período elegível. Contratos encerrados fora do intervalo 2020-2025 não entram nessa MP. Também pode haver bloqueio por garantia de crédito — situação frequente após anos de oferta de empréstimos consignados atrelados ao FGTS.
Outra possibilidade: CPF desatualizado no sistema do governo. Nesse caso, atualizar dados no app Gov.br e no aplicativo FGTS costuma resolver. Persistindo o erro, registre reclamação na ouvidoria da Caixa ou no Banco Central. Manter protocolo em mãos ajuda a acelerar qualquer futura conferência judicial.
Para quem acompanha notícias sobre benefícios sociais, a lógica se assemelha ao calendário do BPC, também pago em lotes. A diferença é que, no FGTS retido, cada conta tem valor próprio, baseado em contribuições anteriores.
O Salão do Livro costuma receber dúvidas de leitores que misturam FGTS com PIS/Pasep ou INSS. São programas distintos, com regras e calendários próprios. Ao pesquisar sobre FGTS retido, foque no aplicativo oficial, canais da Caixa ou nas fontes governamentais. Isso evita confusões e promessas infundadas feitas por links suspeitos.
No mais, acompanhar as datas de perto, manter dados atualizados e verificar contratos de empréstimo são as melhores práticas para garantir que o FGTS retido volte ao bolso de quem trabalhou e já deveria ter recebido esse direito há anos.


