“Seu CNPJ será suspenso em 24 horas.” A frase, que chega junto a um link de pagamento, tem assustado milhares de microempreendedores em todo o país. O alerta usa logotipo do Simples Nacional, prazo curtíssimo e tom oficial, mas não passa de golpe focado no DAS-MEI.
Com mais de 13 milhões de registros ativos, o público MEI virou terreno fértil para criminosos digitais. Em apenas um ano, o número de mensagens fraudulentas cresceu 400%, segundo dados do mercado de cibersegurança. A tática é simples: explorar o medo de perder o CNPJ para arrancar dados ou dinheiro das vítimas.
Por que o golpe do DAS-MEI cresce tão rápido
Engenharia social mira o medo da suspensão do CNPJ
O pilar do golpe do DAS-MEI é a engenharia social. Em vez de atacar sistemas, os fraudadores atacam emoções: urgência, ansiedade e pressa. A promessa de bloqueio imediato do CNPJ faz qualquer empreendedor pensar duas vezes antes de ignorar o aviso.
Mensagens trazem dados reais — como o número do CNPJ do destinatário — para reforçar a impressão de legitimidade. Esse detalhe é obtido em bases públicas e cria o verniz de autenticidade necessário para a armadilha funcionar.
Assim que o microempreendedor clica no link, é direcionado a um boleto fraudulento ou a uma página falsa de login. Se pagar, o valor some na carteira do criminoso; se inserir credenciais, entrega dados bancários e fiscais.
MEIs se tornam alvo preferencial dos golpistas
O crescimento exponencial de novos registros, especialmente em 2025, ampliou a lista de possíveis vítimas. Só nos seis primeiros meses daquele ano, o Brasil registrou 6,9 milhões de tentativas de fraude bancária, boa parte mirando pequenos negócios.
Nesse contexto, boletos falsos de DAS ganharam força. Eles chegam por e-mail, SMS e, principalmente, WhatsApp. O aplicativo oferece alcance massivo, baixo custo e sensação de conversa direta, fatores que turbinaram o golpe.
No Salão do Livro, recebo relatos constantes de leitores que vivem da própria marca e, ao tropeçar em um link suspeito, perdem mais de R$ 1 000 em segundos. O prejuízo financeiro muitas vezes se soma à dor de cabeça para recuperar dados vazados.
Sinais que entregam a fraude do DAS-MEI
Elementos que parecem oficiais, mas não são
Os golpistas usam quatro truques principais: logotipo do Simples Nacional, texto em caixa alta, prazos agressivos e link de pagamento externo. Em conjunto, esses itens imitam a comunicação institucional do governo.
Outra pista está no número de telefone. Geralmente, a mensagem parte de prefixos internacionais ou de linhas móveis recém-adquiridas. Embora haja exceções, nenhum órgão federal envia cobrança pelo WhatsApp.
Além disso, o domínio do link raramente contém “.gov.br”. Se o endereço direcionar para URLs encurtadas ou termos como “regularizeurgente”, encerre a conversa e bloqueie o contato.
Como confirmar se o DAS-MEI está em dia
A conferência deve ocorrer somente em plataformas oficiais. O Portal gov.br e o Portal do Simples Nacional mostram débitos, guias de pagamento e histórico de recolhimentos. O aplicativo MEI — disponível nas lojas Android e iOS — replica essas informações de forma simplificada.
Caso prefira fazer tudo pelo celular, acesse o app, gere a guia e pague direto no internet banking. Qualquer cobrança fora dessas rotas precisa ser ignorada. Esse cuidado ajuda a evitar sustos que, muitas vezes, ultrapassam a marca de quatro dígitos.
Vale lembrar: até decisões como a compra de imóvel exigem cautela, pois fraudes financeiras podem comprometer o score de crédito. Para quem pensa em dar esse passo, existe um passo a passo detalhado que ajuda a fugir de armadilhas maiores.
Onde verificar débito do DAS-MEI com segurança
Portais oficiais são a única fonte confiável
O pagamento do DAS-MEI deve ocorrer exclusivamente pelos canais do governo. Depois de fazer login com CPF e senha no gov.br, o microempreendedor pode gerar a guia de recolhimento mensal ou quitar valores atrasados.
No Portal do Simples Nacional, a seção “PGMEI” permite selecionar o ano e o mês de competência, além de atualizar boletos vencidos com cálculo automático de juros. O sistema exibe a situação do CNPJ em tempo real, evitando interpretações duvidosas.
Se ainda restar dúvida, o contato com a Receita Federal deve ser feito via e-CAC ou presencialmente, nunca por aplicativos de mensagem. Lembre que documentos como RG ou a nova CIN também possuem canais próprios de verificação; saber a diferença entre eles é essencial, como detalha este guia sobre identificação civil.
Passo a passo para evitar prejuízo imediato
Recebeu mensagem suspeita? Primeiro, não clique em links nem baixe anexos. Em seguida, acesse o Portal do Simples Nacional e verifique se há débito pendente. Se tudo estiver em dia, ignore o aviso e bloqueie o número.
Caso exista parcela em aberto, gere a guia oficial nos ambientes listados e pague diretamente no app do seu banco. Isso reduz a chance de cair em site clone ou boleto manipulado.
Por fim, vale cadastrar e-mail e telefone atualizados no gov.br. Assim, qualquer comunicação legítima sobre o DAS chegará por meio verificado, e não por canais improvisados.
Enquanto golpes se sofisticam, seguir rotinas simples — como conferir URLs e desconfiar de prazos irreais — mantém o CNPJ seguro. Pagamentos do DAS-MEI fora do ambiente oficial devem ser tratados como sinal vermelho, evitando que a próxima vítima seja você.


