Os criminosos encontraram uma nova maneira de chegar até aposentados e pensionistas: a falsa confirmação da Prova de Vida por telefone. A tática, segundo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), tem se espalhado pelo país e já provocou diversos prejuízos financeiros.
Durante as chamadas, o golpista utiliza gravações que simulam a Central 135, pede que a vítima digite números no teclado e, em seguida, solicita dados pessoais ou senhas bancárias. O próprio INSS veio a público para reforçar que não pede nenhum tipo de informação sigilosa por ligação.
Como o golpe se apresenta aos beneficiários
O roteiro costuma seguir um padrão. Primeiro, o criminoso liga usando identificador de número parecido com o da Central 135. Na mensagem gravada, afirma que a “Prova de Vida” está pendente e que o benefício corre risco de ser bloqueado.
Em seguida, instrui o segurado a apertar 1 ou 2 para “confirmar dados”, e é nesse momento que inicia o verdadeiro ataque. O fraudador volta à linha, pergunta informações pessoais — CPF, número do benefício, senhas e até dados bancários. Há relatos de pressão psicológica, citando prazo curtíssimo para evitar suspensão de pagamentos.
Diante do susto, muitas vítimas cedem. Especialistas ouvidos pelo Salão do Livro destacam que o sucesso da fraude se apoia no medo de perder renda. “Aposentados, em geral, têm rotina de contas fixas; bloquear um benefício significa caos financeiro”, pontua a analista de segurança Ângela Ferreira.
Alguns aposentados relatam ainda ter recebido SMS com links suspeitos, prometendo regularizar a situação. Nessa variação, a página falsa coleta dados e instala malware no celular ou no computador.
Por que o INSS não pede dados por telefone
Desde 2022, a Prova de Vida passou a ser feita de modo automático, por cruzamento de diferentes bases federais. Órgãos públicos verificam registros de vacinação, votação em eleições, renovação de passaporte e movimentações bancárias para confirmar que o beneficiário está vivo.
Somente quem não é identificado nesse cruzamento recebe notificação oficial. E o aviso aparece no extrato bancário, nunca em ligação telefônica. Se existir pendência, o segurado tem 60 dias para resolver a questão presencialmente ou pelo aplicativo Meu INSS.
Entenda o novo modelo de Prova de Vida
O procedimento automático ampliou a segurança e reduziu fraudes. De acordo com o INSS, mais de 17 milhões de aposentados tiveram a situação regularizada sem precisar sair de casa. Caso o cruzamento não encontre registros, o beneficiário continua recebendo normalmente por um ano, prazo em que deve apresentar documento de identidade em banco ou agência.
Importante lembrar: nenhuma etapa exige fornecimento de senha. O app Meu INSS solicita apenas login no Gov.br, com confirmação de dois fatores. Se você tem dúvida sobre autenticação, o ideal é visitar uma agência ou ligar para a Central 135, sempre discando o número você mesmo.
Uma dica para quem quer acompanhar pagamentos é usar o extrato detalhado no aplicativo. A funcionalidade também mostra descontos indevidos; quem identificar cobrança irregular pode aproveitar o prazo prorrogado para contestar valores diretamente pelo celular.
Estratégias simples para escapar de fraudes
Além de ignorar ligações suspeitas, os especialistas recomendam manter a calma e nunca clicar em links enviados por remetentes desconhecidos. Se a mensagem mencionar bloqueio imediato do benefício, desconfie: o INSS não cancela pagamentos sem comunicação prévia e prazos amplos.
Outra boa prática é conversar com familiares sobre a artimanha. Muitos netos ajudam avós a mexer no app do banco ou no portal Gov.br, minimizando o risco de exposição de dados. Há, inclusive, ferramentas que bloqueiam chamadas de números suspeitos — recurso nativo em vários smartphones.
Canais oficiais para confirmar informações
Ao receber notícia sobre bloqueios, o primeiro passo é acessar o Meu INSS. Tudo o que envolve aposentadoria, pensão, auxílio ou empréstimo aparece na plataforma. Ela também traz links úteis sobre regras do empréstimo consignado, espaço bastante visado pelos golpistas.
A segunda porta de entrada segura é a Central 135. Porém, é fundamental que o segurado faça a ligação — nunca atenda números desconhecidos que se apresentam como “135”. Se a ligação cair em horário fora do expediente (7h às 22h, de segunda a sábado), é golpe na certa.
Também vale acompanhar o extrato bancário. Qualquer alerta referente à Prova de Vida virá impresso no comprovante de pagamento. No mesmo documento, o cidadão pode verificar o NIS para consultar o Bolsa Família, outro benefício com frequência alvo de fraudes.
Por fim, o INSS mantém perfis nas principais redes sociais e publica comunicados no site oficial. Informações sobre alertas de CPF irregular, por exemplo, ajudam a distinguir comunicação legítima de tentativas de phishing.
Casos de tentativa de golpe devem ser registrados na polícia. O boletim auxilia investigações e embasa bloqueios de linhas suspeitas pela Anatel. Já os bancos podem reembolsar valores se houver comprovação de fraude, desde que avisados rapidamente.
Em meio a tantas armadilhas digitais, a recomendação central permanece simples: o INSS não pede dados por telefone. Se a ligação exigir senhas, desligue imediatamente e procure um canal oficial. Assim, aposentados e pensionistas seguem recebendo seus direitos sem sustos.


