O Ministério da Educação inicia nesta terça-feira, 20 de fevereiro, o período de inscrição para o Pé-de-Meia Licenciaturas 2026. A nova rodada do programa, parte do Mais Professores para o Brasil, destina 12 mil bolsas mensais de R$ 1.050 a estudantes de cursos presenciais de licenciatura.
Voltado a quem ingressou pelo Sisu, Prouni ou Fies, o incentivo combina auxílio mensal direto e uma reserva financeira que estimula a permanência do futuro docente na rede pública. Veja, a seguir, como o benefício funciona, quem pode participar e quais passos seguir na Plataforma Freire.
Como o Pé-de-Meia Licenciaturas 2026 está estruturado
O programa do MEC mantém dois componentes de pagamento. O primeiro libera R$ 700 todos os meses, valor que o estudante pode sacar e usar em despesas do dia a dia, como transporte, alimentação ou aquisição de material didático. O segundo, chamado de “poupança docente”, retém R$ 350 em conta específica.
Esse montante acumulado somente poderá ser resgatado se o recém-formado assumir, em até cinco anos após a graduação, um posto de professor em rede pública de ensino. Caso o egresso não ingresse na carreira dentro desse prazo, o saldo retorna ao Tesouro Nacional.
Critérios de seleção: mérito e modalidade
Para disputar uma das 12 mil vagas, o candidato precisa se adequar a três requisitos principais. O primeiro diz respeito ao ingresso no ensino superior, aceitando-se apenas quem foi aprovado, nesta ordem de prioridade, via Sisu, Prouni ou Fies. O segundo exige matrícula em curso presencial de licenciatura reconhecido pelo MEC.
O terceiro critério é o desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio. O estudante deve ter alcançado média igual ou superior a 650 pontos no Enem. O atendimento simultâneo a essas condições garante a elegibilidade para o processo de seleção.
Passo a passo para se cadastrar na Plataforma Freire
Todo o procedimento acontece on-line. Primeiro, acesse o portal oficial da Plataforma Freire e crie um perfil — ou apenas atualize seu currículo, caso já possua registro. Em seguida, localize o termo de ciência e concordância, documento eletrônico que ratifica o conhecimento das regras do Pé-de-Meia.
Depois de aceitar as condições, escolha a opção de pré-inscrição no programa. Na etapa seguinte, informe a instituição de ensino, o curso de licenciatura e o número de matrícula. Se este dado ainda não estiver disponível, o sistema permite inserir o CPF como substituto temporário.
Segundo o MEC, as inscrições desta primeira chamada ficam abertas até 20 de março. A análise dos cadastros, porém, ocorre mensalmente. Portanto, quem preencher o formulário mais cedo tende a receber o auxílio com maior rapidez.
Perguntas frequentes sobre o novo benefício
1. Já recebo Bolsa Permanência ou auxílio da universidade. Posso acumular?
O MEC não proíbe o acúmulo, mas recomenda verificar se a instituição de ensino prevê alguma limitação interna para bolsas simultâneas.
2. O que acontece se eu trancar a matrícula?
Havendo trancamento, os repasses são suspensos até que o aluno comprove o retorno às aulas presenciais.
3. A poupança docente rende juros?
Sim. O valor de R$ 350 mensais é depositado em conta poupança e segue as regras de remuneração desse tipo de aplicação.
Impacto financeiro direto para o estudante
Somando as parcelas mensais disponíveis para saque, o beneficiário recebe R$ 8.400 ao longo de um ano letivo de 12 meses. Já a reserva acumulada na poupança docente pode chegar a R$ 4.200 no mesmo período, sem contar a correção monetária aplicada pela instituição financeira responsável.
Esse reforço orçamentário busca reduzir a evasão em cursos de licenciatura, área historicamente marcada por desistências. Ao aliviar gastos correntes e oferecer perspectiva de renda futura, o Pé-de-Meia procura reter talentos na formação de professores.
Por que o programa prioriza o ingresso via Sisu, Prouni e Fies
Essa triagem segue a lógica de privilegiar estudantes que já passaram por seleção pública e apresentam vínculo formalizado com o Governo Federal. O Sisu considera apenas notas do Enem, enquanto o Prouni e o Fies incluem critérios socioeconômicos e financiamentos estudantis, respectivamente.
A prioridade estimula maior participação de jovens de baixa renda. Muitos deles, inclusive, contam com recursos pontuais do mercado de trabalho para custear despesas durante a graduação. Nesses casos, conhecer formas legais de alívio financeiro, como a possibilidade de saque do FGTS sem demissão, pode complementar o orçamento.
Além disso, o formato escalonado do pagamento evita uso único e imediato do valor total, garantindo subsídio contínuo. Esse modelo também serve de incentivo para que o futuro professor permaneça na educação básica pública, área que carece de profissionais em várias disciplinas.
Datas, prazos e dicas para não perder o benefício
O calendário oficial prevê inscrições até 20 de março, mas o MEC reitera: a aprovação ocorre mês a mês. Logo, antecipar o cadastro aumenta a chance de liberação do primeiro repasse ainda no primeiro semestre letivo.
Para quem mora em regiões onde o horário de verão costuma gerar confusão, vale ficar atento à diferença de fuso entre o sistema da Plataforma Freire e a localidade. No início de fevereiro, o tema foi alvo de debate nas redes após a divulgação de suposta data de retorno do horário de verão. A recomendação é concluir o processo em horário comercial, quando o suporte técnico está disponível.
Outra dica: mantenha seus dados bancários atualizados. Qualquer divergência pode atrasar o crédito do auxílio de R$ 700 e, em consequência, a formação do saldo na poupança docente.
Perspectivas para a formação docente no Brasil
O lançamento de 12 mil novas bolsas reforça a estratégia do MEC de valorizar a carreira do magistério. A pasta estima que, só na educação básica, há um déficit expressivo de professores habilitados em áreas como Física, Química e Matemática.
Programas de incentivo financeiro, como o Pé-de-Meia, funcionam como bússola para estudantes que cogitam seguir docência, mas hesitam por questões econômicas. Ao assegurar renda mensal e recompensa futura, o Governo Federal pretende equilibrar oferta e demanda por profissionais qualificados.
No cenário de planejamento acadêmico, iniciativas assim ganham ainda mais relevância quando combinadas a debates sobre salário inicial, carreira e condições de trabalho. O portal Salão do Livro acompanha essas pautas de perto e seguirá noticiando atualizações sobre o Mais Professores para o Brasil.
Por fim, vale lembrar que programas de apoio podem sofrer ajustes orçamentários ao longo do ano. Ficar atento aos comunicados do MEC, monitorar a área logada na Plataforma Freire e participar de grupos de estudantes são formas práticas de evitar surpresas.


