A nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) já pode ser solicitada em todos os estados brasileiros. O documento, agora centrado no CPF, promete facilitar a vida do cidadão e reduzir fraudes, eliminando de vez a multiplicidade de números de RG pelo país.
Com design inspirado em padrões internacionais e segurança reforçada, a CIN chega para modernizar o sistema de identificação—sem pressa para quem ainda carrega o modelo antigo, que continuará válido até janeiro de 2032.
Por que a Nova Carteira de Identidade Nacional é tão diferente?
A mudança mais visível é o fim do tradicional número do RG. Em seu lugar, figura exclusivamente o CPF, que passa a exercer o papel de identificador único em todo o território nacional. A novidade encerra o cenário em que um mesmo cidadão podia ter diferentes registros estaduais.
Outro detalhe marcante é o QR Code impresso na face do documento. Ele possibilita a checagem instantânea de autenticidade, indicando se a carteira foi furtada ou extraviada. Esse recurso dialoga com a atualização do pedágio eletrônico, cuja nova configuração também aposta em tecnologia para coibir fraudes.
Padrão internacional e viagem pelo Mercosul
A CIN carrega o código MRZ (Machine Readable Zone), a mesma faixa usada em passaportes. Esse padrão facilita a leitura automática em fronteiras, tornando o documento um aliado para viagens dentro do Mercosul, onde não é obrigatório portar passaporte. O trecho ampliado de dados legíveis por máquina elimina dúvidas de digitação e acelera o controle migratório.
Na prática, a CIN pode funcionar como passaporte regional. Para quem pretende cruzar fronteiras terrestres, a compatibilidade com sistemas internacionais reduz o risco de atrasos, semelhante ao impacto que propostas de simplificação tributária buscam alcançar no trânsito intermunicipal.
Embora a CIN não dispense o passaporte fora do bloco sul-americano, a adoção do MRZ coloca o Brasil em linha com recomendações da Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO).
Como emitir a CIN em cada estado
Cada unidade da federação segue cronograma próprio, mas os pontos de atendimento costumam ser os mesmos onde hoje se faz o antigo RG: institutos de identificação e delegacias de Polícia Civil. O serviço precisa ser agendado em grande parte do país.
A primeira via em papel de segurança continua gratuita. Basta apresentar a certidão de nascimento ou de casamento original e garantir que o CPF esteja regular na Receita Federal. Se houver divergência nos dados—por exemplo, nome de casado não atualizado—o servidor indicará a correção antes de concluir a emissão.
Versões em papel, plástico e digital
O cidadão escolhe entre papel de segurança e cartão de policarbonato, material semelhante ao das atuais CNHs. A segunda opção exige pagamento de taxa estadual, que varia de acordo com o local. Depois de retirar o documento físico, o usuário pode habilitar a versão digital no aplicativo Gov.br, na seção “Carteira de Documentos”.
Essa integração reflete a tendência de serviços online que o Salão do Livro vem acompanhando, como o mutirão do INSS que ofertou 15 mil perícias extras para reduzir filas. Em ambos os casos, a digitalização busca economizar tempo de deslocamento e evitar burocracia.
Vale lembrar que a carteira virtual só fica disponível depois da emissão da física. Sem o QR Code impresso, o sistema não gera a versão eletrônica, reforçando a importância de cumprir todas as etapas presenciais.
Prazos de validade de acordo com a idade
O novo documento tem validade escalonada, conforme a faixa etária do titular. Para crianças de zero a 11 anos, o prazo é de cinco anos. Dos 12 aos 59 anos, a validade sobe para dez anos. Já quem tem 60 anos ou mais recebe carteira com validade indeterminada.
Mesmo com prazos definidos, especialistas recomendam observar endereços e sobrenomes que mudam por casamento ou separação. Atualizar a CIN assegura consistência cadastral, evitando transtornos semelhantes aos que um deslize no CNIS pode causar na aposentadoria.
A troca pode esperar, mas não convém adiar por muito tempo
O RG antigo será aceito em todo o Brasil até 11 de janeiro de 2032. Apesar desse longo período de transição, os estados estão estimulando o público a migrar logo para o novo formato, sobretudo quem precisa viajar ou usa com frequência aplicativos de serviços públicos.
Documentos emitidos antes de 2010, em especial, tendem a apresentar foto desatualizada e material mais frágil. A substituição previne problemas de identificação em bancos ou convênios médicos, onde o desgaste do papel costuma comprometer a leitura dos dados.
Para quem depende de benefícios sociais, a CIN também traz ganhos. No futuro, programas como Tarifa Social de Energia, que já oferece desconto de até 65% na conta de luz, poderão consultar dados direto pelo CPF, sem risco de confundir identidades estaduais.
Com padrão internacional, aplicativo integrado e identificação unificada pelo CPF, a Nova Carteira de Identidade Nacional moderniza o registro civil brasileiro e atualiza o país para as exigências digitais do século XXI.


