Chegou ao fim o medo de ser mandado para casa após um simples “vacilo” na prova prática de direção. O Manual Brasileiro de Exames de Direção Veicular foi reformulado e, desde janeiro de 2026, estabelece um modelo inédito de avaliação para quem busca a primeira habilitação.
Com a extinção das faltas eliminatórias e a introdução de um sistema de pontuação, o objetivo agora é medir a habilidade real do candidato no trânsito, não sua capacidade de decorar macetes. As mudanças também incluem direito a reteste gratuito, menos burocracia e até a possibilidade de usar carro automático na hora do exame.
Como funciona o novo sistema de pontos na prova prática
A principal virada está na metodologia de avaliação. Antes, qualquer erro considerado grave — como deixar o carro morrer numa ladeira ou tocar no meio-fio — significava eliminação imediata. Agora, o candidato começa com zero e pode acumular até 10 pontos negativos sem reprovar.
Os pesos refletem o Código de Trânsito Brasileiro: infração leve soma 1 ponto, média vale 2, grave gera 4 e gravíssima acrescenta 6 pontos. A desclassificação, portanto, ocorre somente ao ultrapassar a marca de 10. Isso dá margem para que pequenos deslizes não destruam o teste inteiro, reduzindo a ansiedade de quem está ao volante.
Pontos que ainda derrubam o candidato
Apesar da flexibilidade, certas condutas seguem intoleráveis. Avançar sinal vermelho, trafegar na contramão ou ignorar pedestres na faixa, por exemplo, possuem caráter gravíssimo e praticamente asseguram a reprovação. A lógica é simples: erros que colocam vidas em risco permanecem sem perdão.
Também não há anistia para quem invade cruzamento congestionado, dirige usando o celular ou realiza ultrapassagem perigosa. Mesmo com a nova tabela, esses comportamentos extrapolam os 10 pontos rapidamente, selando o destino do exame.
Em resumo, o candidato ganhou folga para deslizes técnicos, mas não para infrações que violam a segurança viária.
Baliza deixa o pátio e vai para a rua
Outra mudança comemorada é o fim da baliza cronometrada em circuito fechado. A tradicional manobra entre cones, muitas vezes treinada até a exaustão na autoescola, foi substituída pelo estacionamento em local público durante o trajeto da prova.
Com a baliza integrada ao trânsito real, a avaliação observa se o condutor sinaliza corretamente, confere espelhos e estaciona de forma fluida, sem stress com cronômetro. Caso esbarre no meio-fio, perde pontos — mas não necessariamente é eliminado, salvo se atingir o limite de 11 pontos.
Impacto no preparo dos alunos
Instrutores relatam que o novo formato aproxima o treinamento do cotidiano. Já não faz sentido decorar sequência de movimentos milimétricos; importa adaptar-se a diferentes vagas, ângulos e fluxos de veículos ou ciclistas.
A carga horária obrigatória também caiu, permitindo ajustes conforme o desempenho do aluno. Se ele domina o carro rapidamente, pode agendar a prova com menos aulas, reduzindo custos. Em contrapartida, quem sente insegurança prolonga o treinamento sem pressa, até atingir confiança necessária.
De acordo com centros de formação, o índice de desistência caiu justamente por essa sensação de justiça, já que um deslize leve não arruína todo o processo.
Tecnologia, carros automáticos e reteste gratuito
Pela primeira vez, o Departamento Nacional de Trânsito autoriza a realização da prova em veículos automáticos. Basta que o candidato faça todas as aulas práticas no mesmo tipo de transmissão. A habilitação, porém, trará a observação exclusiva para câmbio automático; quem quiser dirigir carro manual depois terá de passar por avaliação complementar.
Outra inovação são as câmeras e sensores instalados no veículo de exame. Eles registram trajetos, velocidade, uso de setas e frenagens. O material pode ser auditado por uma comissão remota, diminuindo o peso subjetivo da decisão do examinador que está no banco do passageiro.
Transparência e economia para o candidato
Caso ocorra reprovação, o primeiro reteste agora é gratuito — medida que alivia o bolso, sobretudo em tempos de orçamento apertado. A isenção vale para quem marcar a nova tentativa em até 30 dias. Passado esse prazo, as taxas voltam a ser cobradas normalmente.
A economia não se limita às autoescolas. O Banco do Brasil, por exemplo, já prevê fluxo maior de pagamentos no início do ano, alinhado ao calendário do PASEP 2026, reforçando a circulação de recursos que podem ajudar na quitação de despesas com habilitação.
Para quem já possui carteira e pensa em renová-la, o portal CNH 2026: passo a passo para renovar sem erros detalha as etapas mais recentes, lembrando que tecnologia e digitalização também reduziram filas nos Detrans estaduais.
Exame valoriza comportamento no trânsito urbano
O foco principal da reforma é checar se o motorista novato convive bem com o fluxo real. Durante o percurso, o avaliador observa distância de segurança, respeito aos limites de velocidade, atenção a ciclistas, scooters e pedestres, além da capacidade de leitura de placas.
Esse conjunto de critérios fica mais próximo da vida cotidiana do que as manobras repetidas em circuito isolado. Especialistas apontam que a mudança desloca parte da pressão psicológica: em vez de “não posso errar nada”, o candidato passa a pensar “preciso dirigir de forma segura e constante”.
Salão do Livro e a cultura de aprender dirigindo
Para quem acompanha o Salão do Livro, a evolução dos métodos de ensino sempre foi tema frequente. No caso da educação para o trânsito, a narrativa não é diferente: leitura de manuais, simulações em aplicativos e vídeos educativos se tornam ferramentas tão importantes quanto as aulas práticas.
Ao longo do processo, instrutores indicam conteúdos extras, podcasts e artigos que discutem direção defensiva, legislação e até manutenção básica do automóvel. Quanto mais o aluno consome informação, menor é a chance de cometer erros que pesam seis pontos na nova grade.
Portanto, embora o teste tenha ficado mais tolerante com falhas leves, ele exige conhecimento amplo do ambiente urbano e das regras de circulação para garantir a tão desejada CNH.


