O primeiro pagamento do INSS com reajuste para quem ganha acima de um salário mínimo começou a sair do papel nesta sexta-feira, 2 de fevereiro. Com o índice de 3,9 % aplicado pelo governo, o teto previdenciário ultrapassou a marca dos R$ 8,4 mil, novidade que afeta aposentados, pensionistas e demais segurados que recebem valores superiores ao piso.
A atualização segue a variação do INPC do ano anterior e mexe com o orçamento de cerca de 12 milhões de brasileiros. Abaixo, o Salão do Livro detalha o que muda no contracheque, quais são as datas exatas de depósito e onde consultar o novo valor.
Reajuste de 3,9 % amplia o teto do INSS
O aumento concedido em 2026 manteve a política de correção pela inflação medida pelo INPC. Na prática, quem já recebia um benefício acima do piso em janeiro do ano passado viu o valor subir integralmente em 3,9 %. Com isso, o limite máximo de pagamento saltou de R$ 8.213,02 para R$ 8.475,55.
O piso previdenciário também foi reajustado e passou a acompanhar o novo salário mínimo, agora em R$ 1.621,00. Esse valor serve de referência para cálculo de contribuições e para benefícios que partem do mínimo. A relação entre piso e teto importa porque define a alíquota de desconto de cada faixa salarial.
Vale lembrar que quem começou a receber depois de janeiro de 2025 tem correção proporcional, uma regra que evita ganho acima da inflação. Cada mês de benefício reduz o índice cheio, detalhe que explica por que dois aposentados com rendas iguais podem ter percentuais de aumento diferentes.
Calendário de pagamentos para valores acima do mínimo
O Instituto Nacional do Seguro Social organiza a liberação do dinheiro conforme o penúltimo dígito do número de benefício, desconsiderando o verificador depois do traço. A lógica continua a mesma, mas as datas mudam ano a ano. Em 2026, os depósitos referentes a janeiro estão distribuídos da seguinte forma:
Como identificar sua data pelo número do benefício
• Final 1 ou 6 – 02/02
• Final 2 ou 7 – 03/02
• Final 3 ou 8 – 04/02
• Final 4 ou 9 – 05/02
• Final 5 ou 0 – 06/02
O crédito costuma entrar na conta no fim do dia bancário, mas pode variar conforme a instituição. Caso o beneficiário tenha conta corrente ou poupança na Caixa Econômica, também é possível usar a poupança social do Caixa Tem, opção semelhante ao que ocorre com o Saque-Aniversário do FGTS, cujo calendário corre paralelo.
Pagamentos para quem recebe o piso previdenciário
Os segurados que ganham exatamente um salário mínimo já começaram a receber desde 26 de janeiro. O cronograma para essa faixa também termina em 6 de fevereiro, seguindo a mesma ordem de finais de benefício.
Muitos aposentados confundem as datas, mas basta lembrar: quem ganha o piso recebe primeiro; quem ganha acima do piso, depois. Por isso, um titular que viu o depósito em janeiro dentro do intervalo de 26/01 a 06/02 receberá o novo valor em fevereiro seguindo o esquema de finais 1 a 0.
A Caixa, por sinal, aproveitou o início do ano para confirmar que o FGTS desbloqueado para demitidos entre 2020 e 2025 também começou a ser pago, ampliando o volume de recursos que circulam na economia neste começo de semestre.
Canais de consulta do novo valor
O INSS mantém três canais oficiais para quem deseja conferir o contracheque antes de a quantia cair na conta. A checagem do extrato mostra o valor bruto, descontos de Imposto de Renda, eventuais empréstimos consignados e o valor líquido disponível para saque. Veja onde acessar:
Aplicativo, site e Central 135
1. Meu INSS – Disponível para Android e iOS. O segurado faz login com o CPF e a senha da conta Gov.br. Dentro do app, toque em “Extrato de Pagamento” e confira valores atualizados.
2. Portal Meu INSS – A versão web reproduz as mesmas funções do aplicativo. É possível baixar o PDF do contracheque para imprimir ou enviar por e-mail.
3. Central 135 – Atendimento telefônico de segunda a sábado, das 7h às 22h. Informe CPF, data de nascimento e número do benefício. Quem preferir pode pedir para receber o extrato por SMS.
Se, ao consultar, o percentual de aumento parecer menor que 3,9 %, não se assuste. Benefícios concedidos ao longo de 2025 obedecem à tabela de reajuste proporcional. Por exemplo, quem começou a receber em julho do ano passado terá correção de 1,92 % em vez dos 3,9 % integrais.
Motivos para variação individual no contracheque
Além da data de concessão, descontos de imposto e consignados podem reduzir o valor líquido. Outra questão frequente envolve revisões de aposentadoria. Caso o processo administrativo tenha revisto seu benefício, o índice de reajuste pode ser recalculado sobre a nova base.
Há ainda quem estranhe a diferença ao comparar valores com amigos ou parentes. Nesses casos, convém lembrar que categoria de benefício, tempo de contribuição e fator previdenciário influenciam no cálculo final. A consulta no Meu INSS especifica cada parâmetro usado.
Para quem recebe pensão por morte, por exemplo, a cota familiar pode aumentar ou diminuir conforme mudança de dependentes. Já aposentados por invalidez podem ter acréscimo de 25 % se precisarem de cuidador, e esse adicional também sofre reajuste.
Enquanto isso, o novo salário mínimo de 2026 impacta diretamente contribuintes ativos. Quem recolhe como MEI ou facultativo precisa adequar o boleto da Guia da Previdência Social para não ficar inadimplente.
O que fazer caso o depósito não aconteça
Mesmo com sistema automatizado, falhas pontuais podem ocorrer. Primeiramente, confirme a data correta pelo número de benefício. Se o dinheiro não for creditado após 24 horas do dia previsto, verifique se há pendências cadastrais, como CPF suspenso ou conta bancária encerrada.
Procedimento para regularizar dados bancários
1. Entre no Meu INSS e escolha a opção “Alterar Dados de Pagamento”.
2. Informe a nova agência e conta, sempre em nome do titular.
3. Aguarde a confirmação do sistema. O próximo pagamento já virá pelo novo banco.
Quando o problema envolver bloqueio do CPF na Receita Federal, o segurado precisa resolver a pendência primeiro no órgão fazendário. Depois, basta ligar no 135 ou agendar atendimento presencial para atualizar o cadastro. A boa notícia é que valores retroativos ficam retidos no INSS e são liberados assim que a situação se regulariza.
Outra dificuldade comum ocorre com quem abriu conta digital e esqueceu de habilitar a função de receber depósitos de terceiros. Nesses casos, a instituição pode devolver o crédito. A orientação é ativar imediatamente a opção no aplicativo do banco ou solicitar ao gerente. Caso persista, o segurado pode pedir transferência para carteira social, a mesma usada por quem recebe o abono do PIS/Pasep.
Por fim, quem preferir atendimento presencial pode agendar horário em qualquer agência do INSS. O serviço é gratuito. Leve documento com foto, número do benefício e dados bancários atualizados. Em geral, a regularização ocorre no mesmo dia.
Com o reajuste oficializado, o mês de fevereiro marca a entrada em vigor do novo teto de R$ 8.475,55 e reforça a importância de acompanhar calendários e extratos para evitar surpresas. A informação oficial continua sendo a melhor aliada do segurado.


