O sistema de pagamentos instantâneos do Itaú Unibanco sofreu instabilidade na manhã desta quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026. Usuários relataram dificuldade para concluir transferências, receber valores e pagar contas pelo aplicativo, que exibia mensagens de erro.
O banco confirmou o problema como “pontual” e afirmou ter mobilizado equipes técnicas para restabelecer o serviço o mais rápido possível. Enquanto isso, correntistas enfrentaram atrasos e incerteza sobre operações realizadas durante o período fora do ar.
Instabilidade no PIX Itaú: o que aconteceu
Segundo o Itaú, a falha atingiu apenas parte dos clientes, mas os relatos se espalharam rapidamente pelas redes sociais logo nas primeiras horas do dia. O serviço, que costuma operar 24 horas, parou de processar transações às 7h10, causando filas virtuais e mensagens de “não foi possível concluir”.
O problema afeta principalmente quem depende do PIX Itaú fora do ar para pagar fornecedores, salários ou contas com vencimento imediato. A instituição não divulgou a causa exata, limitando-se a informar que “houve instabilidade sistêmica” e que técnicos investigam a origem.
Transferências interrompidas e mensagens de erro
Usuários relataram tentativas múltiplas sem sucesso, seguidas de débitos pendentes ou sumiço temporário do valor na conta de origem. Embora o sistema do Banco Central disponha de salvaguardas, a ausência de confirmação deixa o correntista apreensivo até que o status mude para “efetivado” ou “devolvido”.
Nessas situações, especialistas orientam evitar repetir a transferência imediatamente, pois o valor pode ser processado em lote assim que o sistema se estabilizar. Caso a quantia não seja creditada nem devolvida em até 30 minutos, a recomendação é registrar protocolo no SAC ou na ouvidoria.
Empresas que usam o PIX para fluxo de caixa diário tiveram de recorrer a TEDs, boletos ou cartão, meios mais lentos e, muitas vezes, mais caros. A falha reforça a importância de manter alternativas operacionais para períodos de pane.
Impacto para correntistas e empresas
Correntistas pessoa física sentiram o reflexo em pagamentos de contas de consumo e na divisão de despesas entre amigos. Já micro e pequenos empreendedores, que aderiram em massa ao QR Code para receber, apontaram queda abrupta no volume de vendas matinal.
O episódio reacende o debate sobre concentração bancária e resiliência da infraestrutura financeira. Analistas lembram que falhas não são exclusividade do Itaú; sistemas de outras instituições e até mesmo o da Nova Carteira de Identidade, que integra dados com bancos, também já apresentaram instabilidade, como ocorreu em 2025.
Prazo para normalização do serviço
Até as 11h45, o Itaú informava “progressiva normalização”. Em ocasiões semelhantes, o restabelecimento completo costuma ocorrer ainda no mesmo dia, mas sem horário definido. Durante o período, o cliente deve monitorar a movimentação no extrato e guardar comprovantes digitais.
O Banco Central acompanha essas ocorrências em tempo real por meio do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI). Caso a instituição ultrapasse o limite de tempo para ajuste automático, pode haver multa administrativa, embora o órgão não tenha divulgado qualquer sanção até o momento.
Enquanto aguardam, muitos consumidores recorrem a fóruns e grupos de ajuda para verificar se a transação foi concluída. A experiência recente com bloqueios temporários de aposentadorias motivou alguns usuários a conferir, no mesmo aplicativo, se estão no lote de atrasados do INSS liberados pela Justiça, aproveitando o tempo ocioso na tela do celular.
Por que falhas no PIX ainda ocorrem
Especialistas em tecnologia bancária apontam três fatores principais: sobrecarga de demandas acima da previsão original, atualizações internas sem janelas de manutenção e integrações cada vez mais complexas com serviços externos. Qualquer instabilidade em um elo da cadeia pode derrubar o fluxo de ponta a ponta.
O Banco Central exige redundância de servidores, criptografia de ponta e monitoração em tempo real. No entanto, o aumento de adoção — especialmente depois que o Salão do Livro mostrou, em relatório recente, a expansão de 700% no uso do método desde 2022 — pressiona as instituições a escalar infraestrutura em ritmo acelerado.
Mecanismos de proteção contra perda de dinheiro
Quando o PIX Itaú fica fora do ar, o temor de “soma desaparecida” surge imediatamente nas redes. O sistema, porém, conta com processos automáticos de conciliação: se o pagamento falhar, o valor retorna à conta de origem em até 60 minutos ou fica pendente até a confirmação da liquidação.
Caso o prazo máximo do Banco Central seja ultrapassado, o usuário deve abrir reclamação formal. Em situações limite, o BC pode intervir para garantir a restituição, mas ocorrências dessa natureza são raras graças aos mecanismos antifraude e de rastreabilidade.
O Itaú reforça que nenhuma informação sensível foi exposta durante a falha. O banco adota duplo fator de autenticação, criptografia de 256 bits e monitoração por inteligência artificial para detectar padrões anômalos.
Falhas pontuais, embora incômodas, não comprometem a segurança estrutural do PIX, avalia a Federação Brasileira de Bancos. A entidade lembra que o método segue sendo o mais rápido e barato do país, respondendo por mais de 40% das transações eletrônicas em 2025.
Com a normalização prevista ainda hoje, o Itaú deve divulgar relatório técnico detalhado nos próximos dias. Enquanto isso, usuários são aconselhados a guardar protocolos das tentativas e acompanhar o extrato para conferir a data e a hora exatas em que cada operação foi efetivada.
O episódio reforça a dependência cada vez maior do consumidor por meios digitais. E deixa claro que, apesar de robusto, o ecossistema ainda exige investimentos contínuos em infraestrutura para evitar que o PIX Itaú fique fora do ar novamente em momentos críticos.


