O debate sobre o PL 310/2026 ganhou força no Senado e mexe diretamente no bolso de quem tem carro ou moto. A proposta extingue a cobrança pelo licenciamento anual quando o documento é emitido em formato digital, hoje disponível no aplicativo oficial de trânsito.
Caso avance, o texto promete economia imediata para proprietários de veículos, que em alguns estados pagam quase R$ 300 apenas para manter o registro em dia. A seguir, entenda as mudanças, o estágio da tramitação e os argumentos usados no Congresso.
O que diz o PL 310/2026 e por que ele afeta todo motorista
Apresentado pelo senador Cleitinho (Republicanos-MG), o projeto altera o Código de Trânsito Brasileiro para três pontos centrais: proibir taxa ao licenciamento eletrônico, tornar o certificado exclusivamente digital e impedir que Detrans estaduais cobrem qualquer valor pela emissão desse arquivo.
Na prática, nada muda quanto à obrigação de manter o veículo regular. O motorista continuará precisando quitar IPVA, multas e demais débitos. A diferença está no fim da tarifa paga apenas para gerar o documento digital. Segundo o parlamentar, o processo hoje é completamente automatizado, sem esforço extra do órgão público, o que tornaria a cobrança desnecessária.
Economia potencial: da teoria ao bolso do motorista
O próprio autor cita, na justificativa do PL 310/2026, que taxas de licenciamento podem chegar perto de R$ 300 em algumas unidades da federação. Se aprovado, o valor desaparece da fatura anual do proprietário, gerando alívio proporcional à tarifa vigente em cada estado.
Para ter ideia de quanto isso representa, basta comparar com outros gastos obrigatórios. Em São Paulo, por exemplo, o proprietário ainda precisaria arcar com o IPVA, cujo calendário já está em andamento — o prazo para placas final 1 terminou recentemente, conforme lembrou o Salão do Livro. Mesmo assim, retirar cerca de R$ 300 da conta anual faz diferença.
Impacto financeiro nos Detrans e no Tesouro estadual
Embora o motorista comemore, estados podem ver queda de receita. O projeto não apresenta cálculo oficial de impacto fiscal, mas o senador argumenta que, ao não existir mais serviço físico, não há contrapartida que justifique a cobrança.
O texto sugere que a digitalização eliminou custos operacionais relevantes, como impressão e postagem. Dessa forma, a arrecadação com a taxa deixaria de ter finalidades específicas e passaria a ser um ônus para o contribuinte.
Governos locais ainda podem buscar alternativas, como otimizar processos ou redirecionar verbas de outras fontes. Qualquer compensação, porém, exigiria novas discussões legislativas nos estados.
Comparação com outras cobranças digitais
A discussão não é isolada. O Congresso analisa, por exemplo, mudanças sobre operações financeiras via Pix, tema que levantou dúvidas sobre eventual imposto para transações acima de R$ 5 000, conforme detalhado nesta reportagem. Em comum, está o questionamento sobre a pertinência de taxas num cenário digital cada vez mais automatizado.
No campo de trânsito, outra alteração recente envolve a suspensão da CNH como meio de cobrança de dívidas, já confirmada pelo STF para 2026. A decisão, também repercutida pelo Salão do Livro, mostra uma tendência de rever práticas administrativas à luz de novas tecnologias e garantias legais.
Esses exemplos reforçam o pano de fundo do PL 310/2026: reduzir custos ao cidadão quando o serviço público migra do papel para a tela do celular.
Tramitação: onde está o projeto e próximos passos
Protocolado em fevereiro de 2026, o projeto segue sem relator designado nas comissões temáticas. Enquanto isso, parlamentares podem sugerir emendas ou pedidos de audiência pública. Só depois de receber parecer é que o texto será votado no colegiado e, se aprovado, avançará ao plenário do Senado.
Passada essa fase, o PL 310/2026 ainda precisa da análise da Câmara dos Deputados. Como se trata de alteração no Código de Trânsito, eventuais mudanças feitas pelos deputados voltariam para revisão dos senadores. Portanto, não há prazo concreto para que a medida entre em vigor, e a taxa continua existindo enquanto o debate legislativo não se encerra.
O que muda para o motorista se o PL 310/2026 virar lei
Com aprovação definitiva, o licenciamento passará a ser emitido somente em formato eletrônico. O documento continuará disponível no aplicativo Carteira Digital de Trânsito, podendo ser impresso pelo usuário se necessário, sem carimbo ou autenticação do Detran.
Quem depende de comprovantes para circular em outros países do Mercosul também não seria prejudicado: acordos bilaterais já reconhecem certificados eletrônicos. Assim, o principal efeito concreto será mesmo financeiro, aliviando o custo anual de manutenção do veículo.
IPVA e demais obrigações mantidos
É importante frisar que o PL 310/2026 não toca no IPVA, imposto que segue obrigatório e calculado sobre o valor venal do veículo. Multas, seguro obrigatório (caso volte a ser cobrado) e vistorias eventuais permanecem válidos.
Em suma, o motorista continuará sujeito à regularização anual; apenas deixará de pagar a taxa de emissão. A estratégia é semelhante à que já ocorre com a CNH digital, cujo arquivo pode ser baixado sem custo adicional desde que a habilitação física esteja em dia.
Até lá, vale acompanhar o andamento do projeto e manter a documentação atual dentro dos prazos legais, evitando transtornos como o acúmulo de juros ou a suspensão de direitos de conduzir.
No universo literário deste portal, discutimos livros, mas também temas que impactam a rotina dos leitores. Afinal, quem circula para visitar bienais e livrarias quer economizar onde for possível. Se o PL 310/2026 prosperar, sobrará mais verba para investir em novas leituras.


