Milhares de brasileiros descobrirão, nos próximos meses, que o valor depositado todo mês pelo INSS não reflete exatamente o que contribuíram durante a vida profissional. Um emaranhado de revisões pouco conhecidas — algumas com prazo apertado — abre caminho para aumentar o valor da aposentadoria em 2026.
O assunto voltou ao centro do debate porque a digitalização do Meu INSS tornou mais simples revisar dados, descobrir lacunas no CNIS e até conseguir acréscimo de 25% para quem precisa de cuidador. A seguir, o Salão do Livro destrincha o que pode ser revisto, quem tem mais chance de ganhar e como evitar perder o prazo.
Por que a revisão pode aumentar o valor da aposentadoria
O mecanismo mais conhecido, mas ainda subutilizado, é a revisão do benefício. Prevista em lei, essa correção serve para incluir contribuições esquecidas, salários que não apareceram no histórico ou vínculos empregatícios que ficaram de fora do cálculo inicial. Se o segurado venceu uma ação trabalhista depois de se aposentar, por exemplo, também pode pedir a reanálise.
O impacto é permanente: uma vez reconhecido o erro, o novo valor passa a ser pago todos os meses, com correção e possível retroativo desde a data de início da aposentadoria. Para um benefício de R$ 3.000, reajustes modestos já representam alguns milhares de reais ao longo dos anos.
Erros mais comuns no CNIS
No dia a dia dos institutos de previdência, aparecem cinco falhas frequentes que prejudicam o cálculo:
• salários que o sistema simplesmente não registrou;
• períodos trabalhados sem carteira assinada, mas com contribuição em atraso;
• recolhimentos feitos como autônomo que ficaram fora da conta;
• decisões judiciais que reconheceram adicionais de periculosidade ou insalubridade;
• aplicação incorreta de coeficientes na fórmula de cálculo.
Qualquer uma dessas situações pode elevar o valor da aposentadoria em 2026 se for comprovada. O segurado precisa reunir documentos como holerites, GFIPs e sentenças trabalhistas para apresentar ao INSS.
Enquanto alguns erros nascem de falhas humanas, outros decorrem da transição para sistemas digitais antigos. Não à toa, o INSS reforça checagem de dados e ameaça bloquear benefícios em 2026, movimento que obriga segurados a manter cadastro impecável.
Acréscimo de 25% para quem necessita de cuidador
Mais discreto, mas não menos valioso, o adicional de 25% foi criado para aposentados por incapacidade permanente que dependem de ajuda constante de outra pessoa. Esse direito não tem relação direta com erros no CNIS: trata-se de um percentual fixo aplicado sobre o valor já concedido.
Na prática, um segurado que recebe R$ 2.000 passa a ganhar R$ 2.500 enquanto durar a limitação funcional. O acréscimo é considerado parte integrante do benefício, reajustado todos os anos conforme a política previdenciária.
Quem pode solicitar o adicional
O Instituto exige laudo médico que comprove a necessidade de cuidados permanentes. Entre as limitações aceitas estão:
• incapacidade para realização de atividades básicas, como alimentar-se ou tomar banho;
• sequelas graves de acidente de trabalho;
• doenças degenerativas que comprometam movimentos ou cognição.
O pedido pode ser feito on-line e exige perícia. Vale lembrar que, se a condição deixar de existir, o valor extra é suspenso — mas volta a ser pago caso o problema retorne, sem novo prazo de carência.
Além disso, quem trabalha ou trabalhou em funções de risco pode ter direito à aposentadoria especial, modalidade que também influencia o valor do benefício e cujo detalhamento de profissões e prazos mínimos pode ser conferido neste guia.
Prazo de dez anos: contagem regressiva começa na data do primeiro pagamento
Apesar da possibilidade de corrigir distorções, a lei impõe limite de dez anos para solicitar revisão — contados a partir do primeiro depósito do benefício. Depois desse período, apenas situações muito específicas permitem reanálise.
Quem se aposentou em 2016, portanto, precisa agir antes do aniversário do benefício em 2026, sob pena de perder o direito. Já o aposentado mais recente pode se planejar com maior tranquilidade, mas não deve adiar a conferência de dados.
Passo a passo para conferir salário e vínculos
1. Acesse o site ou aplicativo Meu INSS com CPF e senha do Gov.br.
2. No menu, clique em “Extrato de Contribuição (CNIS)”.
3. Compare datas de admissão, salários e códigos de recolhimento.
4. Identifique lacunas ou valores divergentes.
5. Organize comprovantes e protocole pedido de revisão na própria plataforma.
O serviço é gratuito e pode ser acompanhado on-line. Caso encontre resistência do Instituto, o segurado ainda pode ingressar na Justiça Federal, onde prazos de julgamento variam conforme a região.
É importante manter disciplina, pois o pente-fino do INSS costuma suspender benefícios que apresentem inconsistências de dados ou faltas de atualização.
Perfis com maior chance de aumento do valor da aposentadoria
Nem todo pedido resulta em reajuste, mas alguns grupos reúnem indícios fortes de que vale tentar:
• aposentados há menos de dez anos, dentro do prazo legal;
• profissionais que ao longo da carreira receberam salários superiores à média nacional;
• contribuintes que alternaram períodos formais e autônomos, suscetíveis a falhas de registro;
• segurados com ação trabalhista exitosa depois da aposentadoria;
• aposentados por incapacidade permanente que passaram a precisar de cuidador.
A relevância desses perfis cresce porque, ao mesmo tempo em que o Brasil enfrenta envelhecimento da população, o mercado de trabalho tornou-se mais dinâmico. Empregos temporários, intermitentes e a popularização do MEI ampliam a possibilidade de erros no histórico contributivo.
Impacto financeiro ao longo dos anos
Considere um aposentado que, após revisão, ganhe R$ 350 a mais por mês. Em 12 meses, são R$ 4.200; em dez anos, R$ 42 mil, sem contar o 13º salário. Se houver retroativo de cinco anos, o valor imediato ultrapassa R$ 20 mil, soma significativa para quem depende exclusivamente do benefício.
Por isso, cresce a procura por informações confiáveis. Enquanto alguns buscam segurança financeira, outros temem bloqueios, sobretudo porque agências do INSS fecham em períodos de feriado prolongado. Durante o próximo Carnaval, por exemplo, o atendimento presencial será suspenso, mas o aplicativo Meu INSS segue aberto para pedidos eletrônicos.
Quem pretende viajar ou aproveitar a folia pode se programar com antecedência; afinal, serviços digitais funcionam inclusive para reagendar perícia, atualizar endereço e anexar documentos.
Digitalização facilita, mas exige atenção constante
A migração de processos físicos para plataformas on-line agilizou solicitações, porém aumentou a responsabilidade do segurado quanto à exatidão dos dados. Documentação incompleta ou rasurada tende a provocar indeferimento e atrasos.
Além do reforço de checagem, o INSS tem implementado medidas de segurança que suspendem automaticamente benefícios com indícios de fraude. Assim, ao mesmo tempo em que a revisão do INSS surge como oportunidade de aumentar o valor da aposentadoria, também exige diligência na manutenção do cadastro.
Em resumo, 2026 aparece no horizonte como ano decisivo. Quem estiver atento ao prazo de dez anos, reunir provas e solicitar revisão a tempo pode garantir incremento significativo. Já aqueles que postergarem correm o risco de perder valores que, somados, fazem diferença no orçamento e proporcionam maior estabilidade financeira.


