Perder o documento de identidade ou ter a carteira furtada é dor de cabeça certa para qualquer brasileiro. Felizmente, em boa parte do país, a emissão da 2ª via do RG de graça é uma realidade sempre que o cidadão comprova determinadas situações previstas na lei.
Além disso, o tradicional RG começa a dar lugar à Carteira de Identidade Nacional (CIN), que padroniza o CPF como número único. Entender as regras de isenção e o funcionamento do novo modelo evita filas, gastos desnecessários e garante que ninguém fique sem identificação.
Quem tem direito à 2ª via do RG de graça
A gratuidade não é automática para todos os pedidos, mas existe um conjunto de circunstâncias em que a taxa deixa de ser cobrada. Roubo ou furto, por exemplo, dispensam pagamento desde que o cidadão leve o boletim de ocorrência emitido pela polícia.
Outra situação frequente envolve pessoas em condição de vulnerabilidade social. Inscritos no CadÚnico, beneficiários do Bolsa Família ou comprovadamente de baixa renda costumam ter isenção mediante apresentação dos documentos que atestem o enquadramento. Nos últimos anos, algumas capitais ampliaram esse grupo para moradores de rua, reforçando a política de acesso universal à identidade civil.
Erros no documento e primeira emissão da CIN
Quando o erro parte do próprio órgão emissor — nome digitado de forma incorreta ou data de nascimento trocada, por exemplo — não há motivo para o cidadão pagar novamente. A correção é gratuita em quase todos os estados.
Da mesma forma, a primeira emissão da Carteira de Identidade Nacional costuma ser gratuita. Como o modelo substituirá o RG antigo até 2032, muitas secretarias estaduais incentivam a migração sem custo para agilizar a transição.
Vale lembrar que a gratuidade na CIN não impede o usuário de optar por um formato mais resistente, em policarbonato, cuja taxa pode existir dependendo da unidade da federação.
Documentos e etapas do atendimento
Mesmo quando não há taxa, a burocracia continua exigindo atenção. A lista básica inclui certidão de nascimento ou casamento, CPF e comprovante de residência. Em casos de roubo ou furto, o boletim de ocorrência é item indispensável.
Os institutos de identificação estaduais exigem agendamento online para evitar longas filas. Basta escolher o posto mais próximo, selecionar o tipo de serviço (segunda via do RG, emissão da CIN) e definir data e horário. Quem não tem acesso fácil à internet pode marcar presencialmente nos postos de atendimento, mas a agenda costuma encher rápido.
Por que o CPF virou número único?
A mudança para a CIN foi motivada pela necessidade de unificar a identificação em todo o território nacional. O CPF já é solicitado por bancos, Receita Federal e programas sociais, tornando-se o candidato natural a código principal do novo documento.
Com a unificação, a base de dados do governo se torna mais confiável, reduz fraudes e facilita o cruzamento de informações. A CIN inclui QR Code que permite a verificação instantânea da autenticidade, recurso valioso em transações comerciais e na prestação de serviços públicos.
A digitalização também ganhou força: o cidadão passa a carregar a identidade no celular, solução parecida com a carteira digital de trânsito. Esse movimento acompanha a tendência de transformação digital vista em diversos serviços públicos — basta lembrar que a regulamentação de funcionamento de supermercados em feriados já utiliza portais online para consulta de normas.
Trocar o RG antigo pela CIN compensa?
Quem ainda segura um RG emitido há anos provavelmente precisará trocá-lo antes de 2032, prazo definido pelo governo federal para aposentadoria total do modelo antigo. Antecipar a substituição livra o cidadão de enfrentar filas no futuro e evita pagar duas vezes por diferentes versões do mesmo documento.
Outro ponto relevante é a praticidade. Quem usa serviços bancários digitais, recebe benefícios do INSS ou precisa comprovar identidade em viagens nacionais já nota vantagem nos documentos com QR Code. Usar o CPF como identificador elimina divergências em cadastros, característica que pode interferir até no calendário de benefícios, como mostra o cronograma de pagamentos do INSS.
Custos, prazos e onde retirar
Na maior parte dos estados, o prazo para retirada varia de sete a dez dias úteis para o modelo em papel e pode chegar a 20 dias quando o cidadão opta pelo cartão rígido de policarbonato. A retirada costuma exigir senha ou protocolo entregue no ato do atendimento.
Mesmo quando há cobrança de taxa para modelos premium, o valor não costuma ultrapassar R$ 100. Quem perde o documento por descuido — sem boletim de ocorrência ou comprovação de vulnerabilidade — deve consultar a tabela estadual, pois os preços mudam bastante de uma região para outra.
Importante: enquanto a CIN não chega a todos os postos, a segunda via do RG antigo continua disponível. O Instituto de Identificação local poderá indicar qual documento emitir no momento do atendimento.
A emissão da 2ª via do RG de graça e o avanço da Carteira de Identidade Nacional marcam um período de mudança na documentação civil brasileira. Planejar a troca com antecedência economiza tempo, evita pagamento desnecessário e garante que ninguém fique sem o principal comprovante de quem é. Leitores do Salão do Livro que acompanham o tema já perceberam que, assim como a literatura se reinventa, a burocracia também passa por sua revolução silenciosa — agora em formato digital e com QR Code à mão.


