A cena de carrinhos lotados circulando pelos corredores de supermercados capixabas aos domingos está com os dias contados. A partir de 1º de março, as portas de grandes redes, atacarejos e minimercados serão mantidas fechadas no primeiro dia da semana em todo o Espírito Santo.
A mudança, fruto de uma nova convenção coletiva válida até 31 de outubro de 2026, mexe com o calendário de compras de milhares de consumidores. O acordo foi costurado entre sindicatos patronais e de trabalhadores, que apontam falta de mão de obra e maior liberdade para operar em feriados como principais argumentos.
O que muda a partir de 1º de março
O próximo domingo, 25 de fevereiro, será o último com funcionamento normal. Depois dele, supermercados, hipermercados, atacarejos, mercearias que mantêm funcionários e até lojas de material de construção ficarão com as portas abaixadas todo domingo. Padarias independentes, açougues, farmácias, postos de gasolina e estabelecimentos dentro de shoppings seguem livres para abrir.
Pequenos comércios familiares, sem funcionários registrados, também poderão atender normalmente. A regra se estende a todo o território capixaba, mas já acende o alerta em outros estados, que enfrentam desafios semelhantes no quadro de pessoal e podem adotar solução parecida.
Razões que levaram ao acordo
Segundo a Associação Capixaba de Supermercados (Acaps), duas questões pesaram na decisão. A primeira é a dificuldade de compor escalas dominicais. O setor reclama da escassez de mão de obra disposta a trabalhar aos domingos, mesmo com adicional de 100% sobre a hora normal.
O segundo ponto foi a troca negociada durante as rodadas de negociação coletiva: em vez de abrir aos domingos, os supermercados ganharão sinal verde para funcionar em boa parte dos feriados nacionais, período historicamente proibitivo por força de lei municipal ou convenções antigas. Para muitos empresários, abrir no feriado pode significar faturamento maior do que o obtido em um domingo regular.
Impacto nas redes varejistas
Para as grandes redes, o fim dos supermercados aos domingos implica reorganizar logística, estoque e jornada de cerca de 60 mil trabalhadores no estado. A estratégia será concentrar promoções em sextas e sábados, tentar antecipar compras por aplicativos e reforçar o sistema de entregas na segunda-feira.
Algumas empresas preveem dobrar o efetivo nos centros de distribuição aos sábados para respeitar prazos de entrega agendada. Outras avaliam prorrogar expediente nas noites de sexta, recriando o antigo “horário de verão” do varejo — lembrança que ressurge semanas depois de circular o boato, já desmentido, sobre a volta do horário de verão em março de 2026. O rumor falso foi esclarecido pelo Salão do Livro em reportagem recente sobre os ponteiros que não vão mudar.
Do lado financeiro, analistas preveem leve perda de receita no curto prazo, compensada pela abertura nos feriados e pela redução de custos operacionais aos domingos, como energia, segurança e transporte de funcionários.
Estratégias para o consumidor se adaptar
Para o público, a nova rotina exige planejamento. O reflexo imediato será maior movimento aos sábados, principalmente nas primeiras horas da manhã. Quem puder, deve antecipar a visita ao mercado para evitar filas extensas nas gôndolas e nos caixas.
Outra opção é recorrer aos apps de entrega. A maioria das plataformas permite agendar pedidos feitos até sábado para entrega no domingo, ainda que as lojas não estejam abertas ao público. Nessa modalidade, apenas o centro de distribuição funciona internamente, sem atendimento presencial.
Como organizar a lista de compras
Criar um checklist semanal ajuda a reduzir esquecimentos e evita a volta emergencial ao mercado. Legumes de curta durabilidade, como alface, podem ser comprados em feiras livres no próprio domingo, enquanto produtos não perecíveis, higiene e limpeza entram na cesta de sábado.
É recomendável, ainda, monitorar promoções de pagamentos online. Com o aumento do fluxo sábado à noite, muita gente tende a preferir transações rápidas. Por isso, conhecer os limites e boas práticas de segurança de transferências fora do expediente bancário — como ensina o guia sobre Pix à noite — pode evitar contratempos.
Para itens de uso contínuo, como medicamentos de rotina, vale lembrar que a Farmácia Popular continua funcionando normalmente durante o fim de semana. A lista de documentos aceitos para retirada gratuita está detalhada em publicação recente. Dessa forma, o consumidor reduz idas extras ao supermercado somente para comprar analgésicos ou anti-inflamatórios.
Com as mudanças, o fim dos supermercados aos domingos muda hábitos, mas não impede a reposição básica da despensa. Já a equipe do Salão do Livro seguirá acompanhando os desdobramentos no varejo nacional e eventuais adesões de outros estados ao acordo capixaba.


