O domingo, tradicionalmente associado às compras de última hora, sai de cena em parte do varejo alimentar. A partir desta segunda-feira (24), supermercados, atacarejos e minimercados de diversas cidades passam a funcionar apenas de segunda a sábado, graças a uma convenção coletiva recém‐assinada.
A medida altera não só a rotina de quem abastece a despensa, mas também a logística interna das redes varejistas. Nas próximas semanas, o setor deve ajustar escalas, estoques e atendimento, enquanto a clientela reorganiza o carrinho para evitar imprevistos.
O que muda na rotina dos supermercados
A principal virada é a suspensão total das atividades aos domingos. Cessar o atendimento neste dia implica repensar turnos de funcionários, fluxos de recebimento de mercadorias e campanhas promocionais, normalmente concentradas no fim de semana.
Com um dia a menos de portas abertas, as redes projetam maior volume de público nas sextas e sábados. Algumas lojas já planejam estender o horário nesses dois dias para acomodar o pico de circulação, embora cada unidade decida de forma independente.
Impacto imediato nas operações internas
Sem o domingo no calendário, a armazenagem precisará ser mais eficiente. Perecíveis, como frutas e laticínios, terão giro acelerado para evitar perdas, e os pedidos ao centro de distribuição passam por reprogramação.
As equipes de frente de caixa também ganham novas escalas. Quem trabalhava sete dias em esquema de revezamento agora terá folga dominical fixa, exigindo redistribuição de horas nos demais dias.
A logística de fornecedores acompanha o movimento. Entregas antes agendadas para o domingo migram para sábado ou segunda, criando uma pequena corrida contra o relógio para garantir que prateleiras não fiquem vazias na abertura da semana.
Reorganização dos serviços auxiliares
Além dos supermercados, lojas de material de construção incluídas no mesmo acordo reduzem o expediente. Isso pressiona consumidores que costumavam comprar insumos de obra ou manutenção na folga dominical a reorganizarem listas e horários.
Prestadores de serviço que dependem do movimento do supermercado — como promotores de marcas, empacotadores terceirizados e motoristas de aplicativo de entrega — precisarão redistribuir a carga de trabalho.
Essa nova configuração amplia a busca por alternativas de renda em horários flexíveis. Estratégias como ganhar dinheiro pelo celular já despontam como válvula de escape para quem terá horas livres aos domingos.
Por que o domingo saiu do calendário de atendimento
Sindicatos de trabalhadores e representantes do varejo negociaram a mudança diante de três obstáculos: dificuldade crescente de formar equipes completa no domingo, necessidade de descanso semanal previsível e busca por redução de custos operacionais.
Para os funcionários, a folga dominical fixa corrige um antigo ponto de insatisfação. Folgas alternadas, muitas vezes em datas pouco úteis, dificultavam convívio familiar. Agora, a pausa regular promete melhorar qualidade de vida e diminuir rotatividade.
Equilíbrio entre custos e produtividade
Manter a loja aberta no domingo exigia horas extras ou adicional de fim de semana, o que pressionava a folha de pagamento. Ao concentrar a jornada de segunda a sábado, as redes projetam alívio nas despesas com pessoal.
Outro ponto reside na conta de energia. Menos um dia de climatização, iluminação e operação de equipamentos refrigerados gera economia imediata, sobretudo para as grandes lojas tipo atacarejo.
Por fim, a decisão vem em linha com movimentos de sustentabilidade, já que funcionamento reduzido significa menor pegada de carbono. Ainda não há números oficiais, mas entidades do setor esperam apresentar estudos de impacto ambiental em breve.
Tendência regional com possível efeito dominó
Até o momento, a convenção vale para municípios específicos. Contudo, o histórico do varejo mostra que mudanças testadas localmente tendem a ganhar escala, caso apresentem resultados positivos.
Estados vizinhos acompanham de perto a experiência. Se indicadores como redução de custos e diminuição de faltas ao trabalho se confirmarem, novos acordos poderão surgir, repetindo o modelo.
Nos bastidores, redes nacionais já simulam cenários para avaliar aderência em praças onde o contrato de trabalho permite alteração. Uma eventual adoção ampla alteraria o comportamento de consumo em todo o país, tal como ocorre em feriados prolongados, como a folga de três dias em abril.
Como o consumidor deve se reorganizar
A primeira recomendação é simples: antecipar compras. Produtos de uso diário, como pão, leite e itens de higiene, precisam entrar na lista até sábado. Lembrar‐se de checar despensa e geladeira na sexta ajuda a evitar correria.
Outra dica envolve dividir as compras ao longo da semana. Adquirir itens perecíveis em pequenos volumes, duas ou três vezes, reduz o risco de falta e ainda dilui o impacto no orçamento mensal.
Fluxo de gente e horários alternativos
Com mais gente buscando o supermercado no fim de semana, filas maiores são esperadas. Consumidores que podem se deslocar em horários alternativos — como manhã de quarta ou quinta — ganharão tempo e encontrará prateleiras mais organizadas.
Para quem recebe benefícios sociais ou aposentadoria, ajustar a data da compra ao calendário de pagamento traz vantagens. Quando o depósito do INSS cai na conta, antecipar a ida ao mercado ainda na própria segunda pode significar menos gente no corredor e mais ofertas disponíveis.
Aplicativos de delivery passam a ser alternativa para emergências dominicais, mas vale lembrar que a taxa de entrega tende a subir se a demanda crescer. Planejamento continua sendo o caminho mais econômico.
Efeito no orçamento doméstico
Com o domingo livre, muitas famílias podem substituir a ida ao mercado por lazer fora de casa. Isso exige disciplina para não transferir o gasto alimentar para restaurantes ou aplicativos, desequilibrando o orçamento.
Estruturar cardápios semanais ajuda a manter controle de custo e evita desperdício. Em tempos de inflação de alimentos, cada descuido pesa no bolso, como reforça o Salão do Livro em suas análises de economia doméstica.
Por fim, reservar um espaço na agenda para revisões rápidas da despensa — prática que leva menos de dez minutos — é suficiente para evitar surpresas. A mudança de rotina tende a se consolidar em pouco tempo e, segundo lojistas, deve tornar o fluxo de compras mais planejado e menos impulsivo.


