A conta de água dos moradores de São Paulo vai mudar de cara nos próximos anos. A Sabesp começou a implementar hidrômetros inteligentes que eliminam a leitura manual e prometem informação quase em tempo real sobre o consumo.
Com investimento de R$ 3,8 bilhões, o projeto prevê a instalação de 4,4 milhões de medidores conectados até 2029, o que encerra décadas de uso de pranchetas e anotações porta a porta. A iniciativa inaugura uma nova etapa de digitalização de serviços públicos no estado.
Por que a Sabesp decidiu trocar os medidores
A decisão de aposentar os equipamentos analógicos foi motivada por três fatores principais: melhorar a precisão da cobrança, reduzir perdas financeiras e oferecer transparência ao consumidor. Segundo a companhia, fraudes e leituras equivocadas representam parte das chamadas perdas aparentes, que somam centenas de milhões de reais todos os anos.
Ao automatizar o envio de dados, a empresa também diminui o custo operacional de deslocar agentes a cada residência. Essa economia estrutural ajuda a justificar o aporte bilionário. Outro impulso veio do avanço da conectividade M2M (machine to machine), já disseminada em serviços como o acesso facial ao Gov.br, capaz de manter comunicação contínua entre dispositivos sem intervenção humana.
Investimento e custos
O orçamento total de R$ 3,8 bilhões cobre compra, instalação e infraestrutura de telecom. Vivo e Sabesp formam a espinha dorsal tecnológica, enquanto fornecedores de hardware entregam os medidores com módulos de radiofrequência. A expectativa da companhia é diluir o gasto ao longo da vida útil dos equipamentos, estimada em 12 anos.
Para o usuário final, não há cobrança adicional na fatura. A troca é automática e gratuita. O desembolso ficará restrito à tarifa regular de água e esgoto, que continua sujeita ao reajuste anual homologado pela agência reguladora. Dessa forma, a modernização não gera impacto direto no bolso no momento da instalação.
Apesar de o valor soar elevado, a Sabesp argumenta que a redução de perdas de receita e de custos operacionais permitirá retorno financeiro em média de sete anos. É uma janela considerada curta em infraestruturas públicas de grande porte.
Como funcionam os hidrômetros inteligentes
Os novos dispositivos têm sensor interno que mede o volume de água em intervalos curtos e envia as leituras para a central da Sabesp. A comunicação ocorre por rede celular NB-IoT, solução de baixo consumo de energia, semelhante à usada em sistemas de monitoramento do agronegócio e em rastreadores veiculares.
Com dados quase em tempo real, o cliente terá acesso a gráfico de consumo diário no aplicativo oficial da empresa. Ali, será possível comparar dias da semana, identificar picos fora do padrão e receber alertas de vazamento antes que o susto apareça na fatura.
Vantagens para o morador
A principal mudança para quem vive na capital ou em São José dos Campos é o controle detalhado do gasto. A conta mensal continuará chegando, mas, agora, o usuário poderá enxergar exatamente quanto consome em cada dia — recurso útil para quem divide moradia ou administra imóveis alugados.
Além do monitoramento, o sistema detecta variações bruscas, sinalizando vazamentos internos e acionando notificação imediata. A medida ajuda a evitar prejuízos, sobretudo em apartamentos vazios ou com tubulações antigas. Tal função conversa com um movimento mais amplo de prevenção, semelhante ao do uso de biometria no Bolsa Família, que busca reduzir fraudes e repasses indevidos.
Por fim, a leitura automática praticamente elimina conflitos entre consumidores e companhia sobre erros de medição. A confiabilidade dos dados reduz a necessidade de revisões ou pedidos de segunda vistoria, tornando o processo menos burocrático.
Cronograma e impacto para o consumidor
A substituição começou em 2024 em bairros-piloto e ganha escala a partir de 2026. São José dos Campos deve ser a primeira cidade com 100 % da rede renovada, meta prevista para o fim de 2026. Na capital, o cronograma é gradual: cada zona receberá equipes em fases, concluindo o processo até 2029.
Quando a instalação chegar ao endereço, o morador será comunicado com antecedência e precisará permitir acesso ao quadro do hidrômetro. A intervenção leva, em média, 20 minutos e não exige obra interna. Após a troca, o antigo cartão de leitura mensal deixa de ser usado.
Como se preparar para a mudança
Manter o cadastro atualizado na Sabesp é a etapa mais importante. Telefone, e-mail e CPF corretos garantem o recebimento de avisos sobre a visita técnica e o acesso posterior ao aplicativo. Vale reservar o dia agendado, pois a ausência do responsável pode adiar a instalação.
Outra dica é começar a checar o próprio consumo usando a foto do hidrômetro atual. Quem cria o hábito de verificar a marcação semanal compreenderá mais rapidamente os relatórios digitais. Esse exercício de autoconhecimento lembra as planilhas usadas por quem segue o calendário de pagamentos do INSS, pois requer disciplina para acompanhar números e datas.
Após a ativação, o usuário deve baixar o aplicativo oficial e habilitar as notificações de gasto elevado. Configurar um limite de alerta pode impedir que pequenos vazamentos passem despercebidos até o fechamento da fatura.
Com a nova tecnologia, a relação do público com a água se torna mais parecida com a já vivida nos serviços de telefonia móvel ou streaming: consumo em tempo real, alertas automáticos e conta digital. Para o Salão do Livro, esse avanço caminha junto de outras plataformas que modernizam a gestão doméstica e ampliam a consciência sobre recursos naturais.


