O flagrante da Polícia Rodoviária Federal apreendendo o UTV de Richard Rasmussen, durante uma expedição recente, despejou gasolina no já inflamável debate sobre onde é permitido dirigir um UTV no Brasil. Bastaram poucos minutos de vídeo nas redes sociais para que a sigla “UTV” figurasse entre os termos mais buscados do dia.
No rastro da repercussão, motoristas, aventureiros e curiosos tentam entender por que o veículo, parecido com um carro compactado, não pode simplesmente circular pelas mesmas estradas. Abaixo, o Salão do Livro destrincha a questão, rememorando o caso de Richard e explicando cada detalhe técnico e legal que envolve a condução desses utilitários multitarefa.
Por que o UTV de Richard Rasmussen foi parar no pátio da PRF
O primeiro ponto a ser esclarecido é o motivo da apreensão. Embora equipado com volante, pedais e até cintos de segurança, o UTV (Utility Task Vehicle) não possui homologação para tráfego em rodovias federais. Falta-lhe, por exemplo, o conjunto de itens exigidos pelo Departamento Nacional de Trânsito para veículos de passeio — desde iluminação específica até registro adequado no Renavam.
No episódio, registrado em trecho asfaltado de rodovia, agentes constataram que o utilitário não atendia às normas mínimas de segurança e documentação. Por consequência, aplicaram multa e recolheram o veículo, decisão que desagradou parte do público do aventureiro, mas segue a legislação vigente.
Outro detalhe é a categoria de habilitação. Como o UTV não se enquadra no mesmo grupo de um automóvel comum, seu piloto pode, em determinadas situações, precisar de licença específica ou até de um curso de reciclagem caso já tenha sido penalizado por infrações anteriores. A combinação de documentação incompleta e uso inadequado da via formou o cenário perfeito para a retenção do utilitário.
Onde é permitido dirigir um UTV no Brasil
Para quem se pergunta “onde é permitido dirigir um UTV”, a resposta passa longe da malha urbana. Os side-by-side nasceram para encarar lama, pedra e areia, não semáforos. Por isso, a lei delimita ambientes específicos, quase sempre fora do alcance do tráfego convencional.
Ambientes off-road indicados para o side-by-side
Propriedades privadas continuam sendo o espaço mais tranquilo para acelerar o utilitário. Em fazendas, sítios ou empreendimentos destinados ao turismo de aventura, o UTV cumpre o que promete: transportar pessoas e carga por terrenos irregulares, com segurança reforçada pela gaiola tubular.
Trilhas demarcadas, áreas de lazer autorizadas e competições chanceladas por confederações também entram na lista de locais legais. Nessas competições, há fiscalização de itens como estrutura, capacete e idade mínima do condutor, fatores que reduzem riscos de acidentes graves.
Fora desse contexto, o veículo esbarra em proibições. Rodovias federais, avenidas urbanas e ruas comuns estão vetadas. Mesmo pequenas estradas vicinais podem representar perigo se houver circulação mista de carros, motos, ciclistas e pedestres.
Consequências de ignorar as restrições de circulação
Quando o condutor leva o UTV para a pista errada, o resultado raramente se limita à multa. Como o utilitário não possui equipamentos obrigatórios — retrovisores extras, iluminação específica, placa traseira em padrão Mercosul, entre outros — a infração costuma evoluir para apreensão imediata.
Penalidades mais comuns para o condutor
A multa, em geral, se enquadra no artigo 230 do Código de Trânsito Brasileiro, que trata de dirigir veículo sem condições de segurança ou sem registro. Os valores variam conforme o estado, mas a pontuação pode levar à suspensão da carteira, exigindo posteriormente um processo de regularização para voltar a dirigir.
Além da questão monetária, há o custo logístico de recuperar o UTV. O proprietário precisa providenciar transporte adequado até uma área permitida, pagar diárias de pátio e, em alguns casos, contratar perícia para ajustar itens de segurança.
Ignorar essas regras também pesa no bolso quando o assunto é seguro. Apólices tradicionais não cobrem veículos usados de forma inadequada, elevando o risco de prejuízo total em caso de acidente ou dano irreversível.
Vale dizer que parte do público associa o side-by-side a funções agrícolas, acreditando que o equipamento se enquadra em isenção de impostos ou fiscalização. No entanto, usar essa brecha em rodovias é receita para encrenca, como alertam especialistas em trânsito e advogados que atuam na área.
Para quem pensa em adquirir um veículo do tipo, o caminho mais seguro é verificar, junto ao concessionário, a possibilidade de registrá-lo como máquina agrícola — isenção válida apenas se ele trabalhar estritamente dentro da propriedade rural. Do contrário, o utilitário precisa permanecer na trilha ou ser transportado em carreta até o início do percurso off-road.
O caso de Richard Rasmussen, portanto, serve de alerta: conhecer onde é permitido dirigir um UTV evita não apenas sanções, mas também tragédias potenciais. E, como mostrou a viralização do vídeo, o desconhecimento sobre as regras ainda é grande entre condutores e até autoridades locais de trânsito.
Se a ideia é viver aventuras longe do asfalto, planeje rotas legalizadas, equipe-se com capacete, luvas e roupas adequadas, e mantenha revisões em dia. Pequenos cuidados transformam a experiência em algo divertido e, sobretudo, seguro.


