Trocar uma dívida de um banco para outro pode parecer só burocracia, mas a operação, chamada de portabilidade de crédito, tem potencial de aliviar o bolso de maneira rápida. Ao migrar o contrato, o consumidor quita o financiamento antigo e assume um novo, com juros menores, prazo igual ou até mais longo e prestações mais leves.
Garantido pelo Banco Central, o processo não custa nada e ganha força em 2026, quando a disputa por clientes promete acirrar ainda mais as ofertas. A seguir, o Salão do Livro explica cada detalhe para que o leitor avalie se vale a pena acionar esse direito e começar o ano com as contas em ordem.
Como a portabilidade de crédito funciona na prática
Na essência, a portabilidade de crédito é a transferência do saldo devedor para outra instituição financeira. O novo banco quita o contrato original e gera um financiamento idêntico em valor, mas com outras condições. O consumidor, então, passa a pagar ao novo credor, sempre preservando o mesmo tipo de garantia — seja consignado, veículo ou imóvel.
O segredo da economia está no Custo Efetivo Total (CET). Se o banco que assume a dívida cobra juros menores, o CET cai e, com ele, a prestação. Há casos em que a mudança chega a derrubar a parcela pela metade, especialmente nos empréstimos consignados de aposentados e servidores.
Etapas para solicitar a portabilidade
O primeiro passo é pedir ao banco atual o Documento de Evolução da Dívida (DED). O papel detalha saldo, taxa, prazo e número de prestações pagas. A instituição tem até um dia útil para entregar o relatório.
Com o DED em mãos, o consumidor procura outros bancos, apresenta os dados e pede uma proposta. Se a nova oferta couber no bolso, basta dar o “aceite”. Todo o trâmite corre por sistema eletrônico do Banco Central, sem necessidade de visitar agências diferentes.
Importante lembrar que o valor transferido nunca passa pela conta do cliente. O dinheiro circula de banco para banco, quitando automaticamente o saldo antigo. Depois disso, o correntista só precisa acompanhar o débito do novo contrato.
Principais vantagens da portabilidade de crédito em 2026
A redução de juros é o benefício mais visível, mas não o único. Ao diminuir a prestação, sobra espaço no orçamento para outros compromissos, como renovar a carteira de motorista — tema que pode exigir desembolsos extras, conforme mostra a matéria sobre valor já pago à autoescola.
Ainda é possível solicitar a unificação de dívidas. Se o cliente mantém crédito pessoal, financiamento de carro e empréstimo consignado, pode concentrar tudo num único banco, simplificando o controle de vencimentos e, muitas vezes, conseguindo taxa ainda melhor pelo volume total.
Quem pode transferir suas dívidas
Qualquer pessoa física ou jurídica com um contrato ativo de crédito pode optar pela portabilidade. O ponto central é contar com um histórico de pagamento em dia; inadimplências recentes reduzem as chances de o novo banco assumir o risco.
Servidores, aposentados e pensionistas do INSS formam o grupo que mais migra dívidas, porque o desconto em folha oferece alta segurança à instituição financeira, permitindo taxas baixas. Mesmo assim, trabalhadores da iniciativa privada também podem levar consignado, crédito pessoal ou financiamento para outra casa.
Quem tem financiamento imobiliário ou de veículo encontra oportunidades de economizar milhares de reais em longo prazo. Em muitos casos, trocar contrato antigo, assinado quando a Selic estava alta, por um novo, vinculado a juros menores, faz sentido financeiro.
Modalidades que aceitam portabilidade de crédito
Entre os contratos elegíveis, destacam-se o empréstimo consignado, o crédito pessoal, o financiamento de veículos e o financiamento habitacional. Cada modalidade segue regras específicas, mas todas compartilham o princípio de manter o valor da dívida e melhorar as condições de pagamento.
Vale frisar que o banco original não pode recusar a transferência. Ele apenas tem direito de fazer uma contraproposta. Caso ofereça condições tão boas quanto as do concorrente, o cliente pode ficar onde está; caso contrário, a migração ocorre sem custos. Aproveitar essa concorrência, aliás, encaixa-se na mesma lógica de “buscar o melhor negócio”, tão citada nas discussões sobre mudanças no FGTS em 2026.


