O reajuste de 5,4% que levou o piso do magistério a R$ 5.130,63 motivou uma onda de publicações afirmando que, com o novo valor, os docentes passariam a sofrer desconto de 27,5% de Imposto de Renda. A alegação viralizou em redes sociais, mas não se sustenta diante das regras em vigor desde janeiro.
Segundo a Receita Federal, a faixa de isenção foi atualizada para rendimentos de até R$ 5 mil e, para quem recebe um pouco acima disso, a cobrança é progressiva, começando em menos de 1%. Na prática, professores que ganham o piso pagarão apenas 0,91% de IR, afastando qualquer risco imediato de migração para a alíquota máxima.
Entenda a origem da informação falsa
A corrente surgiu logo após a assinatura da Medida Provisória que confirmou o novo salário-base para 40 horas semanais. Postagens no X (antigo Twitter) somaram mais de 150 mil visualizações ao afirmar que a remuneração de R$ 5.130,63 seria automaticamente tributada pela alíquota de 27,5%. O cálculo divulgado apontava uma queda brusca no rendimento líquido, gerando apreensão entre educadores.
Contudo, a própria Receita Federal publicou nota oficial em 22 de janeiro para refutar o boato. No comunicado, o órgão esclareceu que a Lei 15.270/2025 ampliou a isenção e introduziu alíquotas decrescentes entre R$ 5.001 e R$ 7.350. Com isso, apenas salários superiores a R$ 7.350 estão sujeitos à incidência máxima.
Por que o desconto real é de 0,91%
O simulador de alíquota efetiva da Receita considera dedução simplificada de R$ 607,20, relativa à contribuição do INSS, e aplica a tabela progressiva ao valor restante. No caso do piso salarial reajustado, o resultado final chega a 0,91% — porcentual que representa, hoje, R$ 46,78 sobre o salário bruto.
Em 2025, antes da mudança na tabela, um docente que recebia R$ 4.867,77 desembolsava cerca de R$ 283,14 de IR na fonte. Já em 2026, mesmo com o ganho nominal maior, o imposto cai mais de 80%, reforçando o efeito prático da isenção ampliada.
Especialistas em direito tributário destacam que todo aumento pode, em tese, empurrar o contribuinte para faixas superiores, mas isso não ocorreu no caso do magistério graças às alterações recentes. A análise confirma que há ganho real, ainda que parte dele seja absorvida por contribuições previdenciárias e impostos residuais.
Reajuste do piso: números e contexto
A Medida Provisória assinada três dias antes da disseminação do conteúdo enganoso elevou o piso nacional de R$ 4.867,77 para R$ 5.130,63. O acréscimo de R$ 262,86 equivale a 5,4%, percentual que superou os R$ 18 projetados inicialmente para 2026.
O novo salário já vale para o próximo holerite dos profissionais com jornada de 40 horas semanais. Secretarias de Educação devem adequar as folhas de pagamento, embora parte dos estados ainda discuta a viabilidade orçamentária. Mesmo assim, o piso serve de referência e impacta diretamente carreiras com planos salariais escalonados.
Comparativo com valores anteriores
Antes do reajuste, docentes na base da carreira perdiam poder de compra diante da inflação acumulada. O aumento aprovado recupera parcialmente essa defasagem, mas não revoga a necessidade de negociações locais para incorporar benefícios adicionais, como gratificações de regência ou bonificações por desempenho.
No Salão do Livro, espaço que tradicionalmente debate questões educacionais, a notícia do reajuste foi recebida como alento. Porém, a circulação de dados distorcidos sobre a suposta tributação evidenciou o desafio de comunicar mudanças salariais de maneira clara.
Para quem acompanha o tema, vale lembrar que a correção da tabela do IR vinha sendo prometida há anos. A ampliação da faixa de isenção reduziu o impacto do imposto sobre grande parte dos trabalhadores, mas exige acompanhamento constante para que novos aumentos não voltem a comprimir salários.
O que muda na prática para o professor
Com a efetivação do novo piso, o salário líquido aumenta, ainda que em ritmo inferior ao reajuste nominal, pois há desconto de INSS e o já citado IR de 0,91%. O valor final varia conforme dependentes e outras deduções, mas permanece distante da alíquota de 27,5%.
Para consolidar o entendimento, sindicatos recomendam que cada docente utilize o simulador oficial antes de receber o contracheque. A ferramenta, disponível no portal da Receita, evita interpretações equivocadas e ajuda a planejar finanças pessoais.
Perspectivas para 2027 e além
A manutenção da política de correção anual da tabela do IR será determinante para impedir que professores imposto de renda voltem à alíquota máxima. Parlamentares já discutem dispositivos que indexem a tabela à inflação, proposta que encontra resistência pela perda de arrecadação.
No campo salarial, entidades de classe defendem que futuros reajustes do piso considerem não apenas o Fundeb, mas também índices de custo de vida regionais. Enquanto isso, o debate sobre carreira docente segue marcado pela luta por melhores condições de trabalho e pela valorização efetiva da educação pública.
Até lá, o magistério comemora a vitória parcial: ao contrário do que circulou online, professores imposto de renda continuam protegidos da alíquota de 27,5% — pelo menos enquanto seus vencimentos permanecerem abaixo do teto de R$ 7.350 estabelecido pela lei em vigor.


