O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) iniciou uma varredura nos cadastros do Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas) e colocou a biometria no centro do processo. Para quem depende do pagamento, a mensagem é clara: sem o registro digital, o dinheiro pode deixar de cair na conta.
O prazo que mais preocupa é 30 de abril de 2026, data-limite para beneficiários que ainda não têm digitais nos sistemas do governo. A exigência faz parte da modernização que deve culminar, em 2028, na troca definitiva para a Carteira de Identidade Nacional (CIN).
Por que o INSS apertou o cerco à biometria no BPC?
A principal razão é reduzir fraudes. Cruzes de dados entre INSS, Justiça Eleitoral, Detrans e outros órgãos permitem confirmar se a pessoa está viva, se os documentos batem e se não há duplicidade de benefícios. O mecanismo substitui a antiga prova de vida presencial, de forma parecida ao sistema adotado na prova de vida por reconhecimento facial.
Com a confirmação digital, a autarquia pretende economizar tempo e recursos, ao mesmo tempo em que garante que o BPC permaneça nas mãos de quem realmente se enquadra no critério de renda de até um quarto do salário mínimo. O pente-fino também antecipa a fiscalização prevista para quando o piso do INSS subir para R$ 1.621, valor já divulgado no novo valor do INSS para 2026.
Impacto direto no bolso do beneficiário
Quem for convocado e não cumprir as exigências dentro do prazo de 120 dias terá o BPC bloqueado. Se ainda assim continuar inerte por mais 30 dias, sai da folha de pagamento. Para voltar a receber, será necessário um pedido de reativação, processo que costuma demorar.
A ordem, portanto, é antecipar a regularização. Segundo o levantamento interno do INSS, parte dos atuais 5,5 milhões de idosos e pessoas com deficiência ainda não tem biometria validada.
A expectativa é de que a migração para o padrão digital gere economia superior a R$ 800 milhões anuais, valor que deixaria de ser pago a cadastros irregulares.
Quem precisa correr para cadastrar a biometria
O público-alvo está dividido em três frentes. A primeira envolve novos requerentes, já obrigados a apresentar documento com QR Code ou digitais no momento do pedido. A segunda reúne quem já recebe o BPC, mas nunca fez título de eleitor biométrico nem possui CNH ou CIN recentes. Por fim, há os responsáveis legais de beneficiários incapazes, que também devem estar com a própria biometria em dia.
Idosos a partir de 80 anos ou pessoas com mobilidade reduzida comprovada podem solicitar visita domiciliar. Mesmo assim, precisam formalizar a condição junto ao INSS para que o agendamento diferenciado seja liberado.
Novos requerentes: exigência imediata
Quem pretende ingressar no programa não escapa: sem biometria, não há sequer análise do pedido. O conselho dos especialistas é solicitar a nova CIN ou atualizar a CNH antes de procurar o INSS. O processo agiliza a concessão e evita idas e vindas às agências.
Além disso, a conferência digital torna mais rápida a verificação de renda familiar, etapa crítica para aceitar ou negar o benefício. Com menos documentos físicos em circulação, diminui também o risco de extravio.
Para muitos solicitantes, o maior impacto positivo será a possibilidade de acompanhar tudo pelo aplicativo Meu INSS, do pré-cadastro até o depósito em conta.
Responsáveis legais entram na mesma regra
Tutores, curadores ou representantes legais não podem ignorar a convocação. Caso o procurador esteja com biometria desatualizada, o benefício do tutelado será comprometido. Vale lembrar que as procurações no INSS precisam ser renovadas a cada 12 meses ou quando houver mudança de endereço.
A coleta digital desses representantes segue os mesmos formatos: CIN, CNH ou título de eleitor biométrico. Quem atua em nome de mais de um beneficiário deve ficar atento para não perder o prazo de nenhum deles.
Em situações de incapacidade severa do titular, a lei permite que o responsável solicite o bloqueio temporário do prazo, mas o pedido precisa ser formal e acompanhado de laudo médico recente.
Como regularizar o cadastro antes do prazo final
Três caminhos concentram a maior parte dos atendimentos. O primeiro, mais simples, é checar no aplicativo Meu INSS se existe “Cumprimento de Exigência” aberto. Se houver, a própria plataforma libera o reconhecimento facial pelo celular, usando a câmera frontal. A etapa leva menos de cinco minutos.
No segundo caminho, o interessado se dirige ao posto de identificação civil do estado para emitir a nova CIN — documento que, além de unificar RG e CPF, coleta digitais e face. A emissão regulariza o banco de dados de todos os órgãos federais de uma só vez.
Passo a passo no Meu INSS
1. Abra o aplicativo e faça login com a conta Gov.br.
2. Na tela inicial, toque em “Cumprimento de Exigência”.
3. Selecione a pendência relacionada à prova de vida.
4. Siga as instruções de reconhecimento facial, posicionando o rosto conforme orientações.
5. Aguarde a mensagem de confirmação.
Após a validação, o sistema atualiza o status em até 72 horas. Caso o app mostre erro, é recomendável tentar novamente e, persistindo o problema, marcar um atendimento presencial pelo telefone 135.
Durante o agendamento telefônico, vale consultar outras pendências. Muitos segurados descobrem descontos indevidos no extrato e já aproveitam para contestar, usando a extensão de prazo anunciada recentemente pelo INSS para impugnar débitos não autorizados.
Para quem prefere ir direto ao banco, alguns terminais de autoatendimento de instituições conveniadas também disponibilizam a coleta digital. O processo é semelhante ao cadastro de senha e, na maioria dos casos, dispensa agendamento prévio.
Documentos que já valem como prova de biometria
• Título de eleitor emitido após a revisão biométrica do Tribunal Superior Eleitoral.
• CNH com QR Code, geralmente expedida a partir de 2017.
• Carteira de Identidade Nacional, em fase de implantação em todo o país.
Se o beneficiário tiver qualquer um desses documentos, o sistema do INSS costuma apontar status “regular”. Ainda assim, é prudente conferir. Caso o cadastro conste como desatualizado, o recomendado é procurar o posto de identificação civil.
Para quem se preocupa com custos, vários estados oferecem a primeira via da CIN gratuitamente. O serviço garante o registro de digitais, fotografia e assinatura eletrônica num único procedimento.
No meio da correria para resolver pendências, não é raro o segurado esquecer de consultar outros direitos. Por exemplo, aposentados que desejam acessar todo o FGTS podem seguir o passo a passo para saque integral do fundo sem sair de casa.
O Salão do Livro acompanha cada etapa dessas mudanças e reforça: a biometria obrigatória no BPC não é um pedido de rotina, mas um requisito que determina se o benefício continua na folha de pagamento.


