Quem deseja pagar menos Imposto de Renda em 2026 precisa começar a organização financeira ainda em 2024. Mudanças na tabela e novos limites de isenção exigem atenção redobrada para evitar surpresas na malha fina.
O Salão do Livro reuniu as melhores estratégias para abater valores da base de cálculo, aumentar a restituição e fazer escolhas que respeitem a legislação sem abrir mão de economia.
Escolha do modelo: simplificada ou completa
O primeiro passo na declaração do IRPF 2026 é definir qual modelo compensa mais. A versão simplificada concede desconto automático de 20% sobre os rendimentos tributáveis, limitado a R$ 17.640,00. É a saída prática para quem tem poucas despesas dedutíveis ou não possui dependentes.
Já a declaração completa vale a pena quando as despesas superam esse abatimento padrão. Gastos com saúde, educação, previdência e dependentes somam valores significativos para quem pretende maximizar a restituição. Por isso, reúna comprovantes ao longo do ano e compare as simulações oferecidas pelo próprio programa da Receita.
Quando optar pela simplificada
Contribuintes com rendimentos mais enxutos e que não concentram gastos expressivos costumam ganhar tempo e tranquilidade com a opção simplificada. O desconto padrão já reduz a base de cálculo de forma instantânea e dispensa conferência de recibos extensos.
Mesmo quem utiliza a simplificada deve guardar informes de rendimento e comprovantes básicos. A Receita pode solicitar revisão a qualquer momento, principalmente quando surgem rendas de fontes variadas.
Se durante a simulação a diferença entre os modelos for pequena, vale considerar a simplificada pela agilidade. No entanto, a falta de organização pode fazer o contribuinte abrir mão de um reembolso maior.
Vantagens da declaração completa
Famílias com gastos robustos em planos de saúde, mensalidades escolares ou pós-graduação, além de contribuições à previdência privada, tendem a recuperar parte significativa do que pagaram ao longo do ano. Nesse caso, a completa se torna quase obrigatória.
A inclusão de dependentes garante dedução anual de R$ 2.275,08 por pessoa, desde que todos tenham CPF. A soma dos abatimentos pode ultrapassar o teto de R$ 17.640,00, superando com folga o desconto automático.
Antes de finalizar, o contribuinte deve comparar o imposto a pagar ou a restituir nos dois formatos para escolher a alternativa mais vantajosa.
Previdência privada: o peso do PGBL na restituição
Contribuições a planos PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) podem reduzir até 12% da renda bruta anual da base de cálculo. A estratégia transfere a tributação para o momento do resgate, permitindo que o investidor aproveite o benefício hoje e pague imposto apenas no futuro.
Quem recebe R$ 100 mil por ano, por exemplo, tem direito a investir até R$ 12 mil no PGBL e ver esse montante excluído do cálculo do IRPF vigente. O adiamento da cobrança gera efeito de bola de neve, já que o dinheiro fica aplicado e rendendo no período em que estaria retido pelo Fisco.
Prazos e cuidados ao aderir
O benefício só vale para quem entrega a declaração completa. A adesão ao plano deve ocorrer dentro do ano-calendário 2025 para surtir efeito na declaração de 2026, portanto, programar aportes mensais facilita alcançar o limite de 12% sem sustos de última hora.
Outro ponto crucial é verificar a tabela de tributação escolhida no momento da contratação. Embora a alíquota definitiva apareça apenas no resgate, a seleção entre regimes progressivo e regressivo influencia no imposto futuro.
Manter os extratos anuais arquivados evita dúvidas durante o preenchimento da ficha de “Pagamentos Efetuados” e garante que as informações batam com as enviadas pela instituição financeira.
Deduções médicas, educacionais e novas faixas de isenção
Despesas médicas continuam sem limite de abatimento. Consultas, exames, internações e planos de saúde entram integralmente na declaração, desde que haja recibos detalhados em nome do titular ou do dependente. Essa é, portanto, uma das principais alavancas para reduzir o imposto devido.
Na educação, o teto de dedução permanece em R$ 3.561,50 por pessoa. O valor contempla ensino infantil, fundamental, médio e superior, além de pós-graduação. Cursos de idioma ou preparatórios para vestibular não entram na lista permitida.
Impacto da nova faixa de isenção
A partir de 2026, contribuintes com renda mensal até R$ 5 mil podem ficar totalmente isentos ou sofrer retenção mínima. Na prática, quem recebe até R$ 60 mil ao ano ganha alívio imediato na fonte.
Atenção a quem possui empregos simultâneos: se a soma ultrapassar o limite anual, o ajuste na declaração será inevitável. Por isso, é essencial acompanhar contracheques e informes de rendimentos para evitar cobranças adicionais.
O ajuste anual também se aplica a beneficiários de pensões e aposentadorias que possam sofrer novo bloqueio documental em caso de inconsistências, cenário semelhante ao observado na fiscalização digital que ameaça cancelar CNH sem aviso prévio.
Doações incentivadas: redirecionar imposto e apoiar projetos
O contribuinte pode destinar até 6% do imposto devido a fundos da criança, do adolescente ou do idoso durante o ano-calendário. Se deixar para fazer a doação somente no preenchimento da declaração, o percentual cai para 3%.
Essa prática não gera despesa extra, apenas redireciona parte do imposto a pagar. A Receita reconhece a contribuição, e o valor doado é abatido diretamente do cálculo final, favorecendo organizações sociais que atuam em sua região.
Como comprovar e inserir na declaração
Após efetuar a transferência, o contribuinte deve exigir recibo emitido pelo fundo beneficiado. O documento precisa conter CNPJ da entidade, data, valor e dados completos de quem doou.
No programa da Receita, o valor é informado na aba “Doações Efetuadas” e reduz o imposto no mesmo instante. O sistema calcula automaticamente se o percentual máximo foi respeitado.
Manter esses comprovantes arquivados por no mínimo cinco anos evita problemas em eventual pedido de apresentação de documentos, realidade semelhante ao novo processo de emissão de RG biométrico que exigirá controle rígido de dados pessoais.
Seguir essas etapas garante que você use corretamente as regras do IRPF 2026, reduza a carga tributária e deixe o Leão satisfeito com informações claras e bem organizadas.


