Uma simples “paradinha” na vaga reservada a idosos pode custar caro. Motoristas que ignoram a sinalização ou dispensam a credencial específica se deparam com valores altos de multa, perda de pontos na CNH e até guincho.
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é claro: estacionar na vaga de idoso sem o cartão à vista é infração gravíssima. A seguir, entenda como a norma foi endurecida, quais punições estão em jogo e de que forma obter o Cartão do Idoso sem complicações.
Estacionar na vaga de idoso: o que diz o CTB
Desde 2016, o CTB determina que a reserva de vagas para pessoas com 60 anos ou mais seja respeitada tanto em vias públicas quanto em estacionamentos privados de uso coletivo. A exigência vale para shoppings, supermercados, hospitais e qualquer outro local sinalizado.
O artigo 181 do código tipifica como gravíssima a conduta de parar em vagas especiais sem a credencial adequada. A simples justificativa de que o condutor ou o passageiro tem 60 anos não livra da infração se o cartão não estiver exposto no painel.
Como a lei evoluiu desde 2016
A Lei 13.281/2016 aumentou a gravidade da irregularidade. Antes, estacionar na vaga de idoso era infração leve; com a mudança, passou ao grau máximo do sistema, equiparada a dirigir sob influência de álcool em termos de pontuação. Com isso, as autoridades de trânsito ampliaram a fiscalização e adotaram remoção imediata do veículo em muitos municípios.
Além da remoção, a penalidade financeira cresceu. O valor passou de menos de R$ 100 para os atuais R$ 293,47, reforçando o caráter educativo da medida. Especialistas apontam que a alteração resultou em maior consciência, mas ainda há motoristas que insistem em arriscar.
Em linhas gerais, estacionar na vaga de idoso sem credencial tornou-se um dos pontos de atenção preferenciais de blitzes, câmeras e rondas em centros comerciais. A rigidez busca garantir a mobilidade de quem muitas vezes enfrenta limitações físicas.
Multa, pontuação e remoção do veículo
Quem estaciona na vaga exclusiva incorre na penalidade mais alta do CTB. São 7 pontos na CNH, valor de R$ 293,47 e possibilidade de guincho imediato, o que adiciona ainda taxas de remoção e diárias de pátio.
Além do prejuízo financeiro, a pontuação atinge quase metade do limite de 20 pontos para suspensão da carteira em 12 meses. Motoristas profissionais, que têm teto menor para suspensão, sentem o impacto de forma ainda mais severa.
Quando o uso da vaga é permitido
O direito ao espaço prioritário é vinculado à pessoa idosa, não ao veículo. Dessa forma, o motorista pode utilizar a vaga quando transporta um passageiro com 60 anos ou mais, desde que o Cartão do Idoso esteja presente e visível no painel.
Não é necessário que o idoso seja o condutor. O essencial é que ele esteja no carro no momento do uso e que a credencial contenha data válida, emitida pelo órgão de trânsito local. Caso o beneficiário não esteja no veículo, a vaga se torna proibida.
Em situações de dúvida — por exemplo, ao deixar o idoso no hospital e sair para buscar documentos — é mais seguro procurar outra vaga. Fiscalizações costumam checar se a pessoa contemplada está de fato presente.
Passo a passo para garantir o Cartão do Idoso
Solicitar a credencial é simples, gratuito e, em muitos municípios, totalmente digital. Confira as etapas básicas:
1. Reúna documentos: RG ou CNH, CPF e comprovante de residência recente.
2. Faça o pedido: dirija-se ao órgão municipal de trânsito ou acesse plataformas como o portal da Senatran ou o aplicativo Carteira Digital de Trânsito.
3. Aguarde a aprovação: prazos variam; em capitais, o cartão costuma ficar pronto em até sete dias úteis.
4. Imprima ou retire o cartão: alguns órgãos permitem baixar a versão PDF; outros liberam a retirada física.
5. Exiba sempre sobre o painel: coloque a frente do cartão virada para cima e em local totalmente visível.
Vale reforçar que a data de validade fica impressa no documento. Rodar com o cartão vencido equivale a não tê-lo e também resulta em infração. Por isso, acompanhe prazos e renove com antecedência.
Outras dúvidas frequentes
É possível ter mais de uma credencial? Sim, mas cada órgão pode limitar a emissão a dois cartões por idoso, principalmente para quem utiliza mais de um veículo regularmente.
Posso plastificar o cartão? Em geral, não há impedimento, desde que o plástico seja fosco e não cause reflexos que dificultem a leitura pelos agentes.
E se eu vender o carro? O Cartão do Idoso segue o beneficiário, não o veículo. Basta removê-lo, mantê-lo em mãos e utilizá-lo no automóvel recém-adquirido.
Quem pretende economizar em tempos de orçamento apertado busca evitar despesas desnecessárias. O mesmo vale para infrações de trânsito: respeitar a vaga especial poupa quase 300 reais — valor que poderia ser usado, por exemplo, para quitar pendências como as contempladas no programa que dá perdão de juros e multas ao MEI.
Motoristas que têm saldo no FGTS e moram em áreas afetadas por enchentes também podem recorrer ao saque calamidade para emergências, evitando que multas corroam as economias.
O Salão do Livro reforça: estacionar na vaga de idoso exige respeito e empatia com quem tem mobilidade reduzida. Seguir o CTB é simples, não custa nada e preserva o direito de quem realmente precisa.


