Uma onda de gripe volta a lotar consultórios e farmácias, reacendendo uma dúvida frequente: qual analgésico e antitérmico pegar na prateleira? Dois nomes lideram as buscas — ibuprofeno e paracetamol —, mas cada um age de forma diferente no organismo.
Infectologistas Matteo Bassetti e Fabrizio Pregliasco apontam que a decisão deve considerar o sintoma que mais incomoda: temperatura elevada ou dor inflamatória. A seguir, veja o que muda na prática e como reduzir o desconforto sem escorregar em erros comuns.
Como o paracetamol ataca a febre persistente
Bassetti lembra que o paracetamol se tornou o padrão-ouro para derrubar a febre da Influenza. O fármaco age no sistema nervoso central, diminuindo o ponto de ajuste do corpo e, consequentemente, a temperatura.
Em quadros em que o termômetro ultrapassa 38 °C e o mal-estar está ligado ao calor interno, o medicamento costuma oferecer alívio rápido. Ao baixar a febre, ele facilita o descanso, essencial para que o sistema imunológico combata o vírus.
Doses seguras e cuidados indispensáveis
O uso correto envolve respeitar o intervalo mínimo de quatro a seis horas entre as tomadas e não exceder 4 g ao dia em adultos. Quem já convive com doenças hepáticas precisa redobrar a cautela: o paracetamol, metabolizado no fígado, pode sobrecarregar o órgão em caso de excesso.
Gestantes também devem conversar com o obstetra antes de ingerir qualquer remédio. Embora o paracetamol seja considerado seguro na gravidez, a avaliação médica evita riscos desnecessários.
Outro detalhe: combine a medicação com ambiente arejado e roupas leves. Empilhar cobertores, alerta Bassetti, impede que o corpo dissipe o calor, atrasando o efeito antitérmico.
Quando o ibuprofeno faz diferença contra a Influenza
Já o ibuprofeno pertence à classe dos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) e atua sobre a enzima COX, responsável pela produção de prostaglandinas — substâncias que amplificam dor e processo inflamatório. Por isso, é mais indicado para quem sofre com dores musculares intensas, articulações sensíveis e sensação de corpo pesado.
Segundo Pregliasco, a gripe provoca uma inflamação sistêmica que se traduz em desconforto generalizado. Nessas situações, o ibuprofeno costuma proporcionar alívio amplo, reduzindo tanto a dor quanto a febre leve que acompanha o quadro.
Riscos de automedicação e quem deve evitar
Apesar da eficácia, o AINE pode irritar o estômago e elevar o risco de sangramento em pessoas com gastrite ou úlcera. Portadores de insuficiência renal ou hipertensão também precisam de orientação profissional antes de optar por esse caminho.
Assim como ocorre com o paracetamol, siga a dose máxima recomendada (1 200 mg a 1 800 mg por dia, dependendo da apresentação) e nunca misture outras drogas anti-inflamatórias sem supervisão.
Vale lembrar que a gripe atual não é o único vírus respiratório em circulação. Há pouco, a Índia registrou novos casos do vírus Nipah, tema que despertou preocupação global e levou pesquisadores a avaliar o potencial de risco para o Brasil.
Febre alta ou dores fortes? Resumo para escolher
O quadro clínico dita o melhor remédio. Febre persistente pede paracetamol; dores musculares ou articulares, ibuprofeno. Em ambos os cenários, o acompanhamento médico se torna imprescindível se os sinais durarem mais de 48 horas ou se houver dificuldade para respirar.
Estimativas recentes apontam 803 mil novos casos de gripe em apenas uma semana, com maior impacto em crianças de zero a quatro anos. Manter a vacinação em dia continua sendo a defesa primária — quem recebeu a dose anual costuma apresentar sintomas mais brandos e menor tempo de recuperação.
Evite erros comuns e acelere a recuperação
Além da escolha correta do fármaco, ventile o quarto, hidrate-se bem e não negligencie o repouso. O excesso de cobertores, segundo Bassetti, permanece como um deslize clássico que sustenta a febre.
Outro passo essencial é completar o esquema vacinal. A imunização reduz complicações e hospitalizações, cenário confirmado em relatórios do Ministério da Saúde.
Por fim, nunca misture ibuprofeno e paracetamol sem orientação. Embora, em alguns casos, médicos alternem as substâncias para controlar febre e dor, a prática exige cálculo de dose e intervalo específico.
No Salão do Livro, continuaremos de olho em avanços terapêuticos e dados de vigilância epidemiológica, trazendo informações atualizadas sobre saúde pública com a mesma atenção dedicada a temas literários.


