O Japão voltou a colocar o tema da família no centro de sua agenda. Para enfrentar a queda de nascimentos e aliviar o peso financeiro de criar crianças, o país decidiu turbinar o auxílio infantil no Japão, conhecido como Jido Teate.
As mudanças abrangem desde a duração do benefício até quem pode recebê-lo, além de ajustes nos valores. Na prática, o pacote reposiciona o Estado como parceiro direto de pais e mães, inclusive estrangeiros que residem legalmente em território japonês.
Como funciona o novo Jido Teate
Antes das alterações, o pagamento mensal era reservado a faixas etárias menores e havia um corte de renda que excluía famílias com salários mais altos. Agora, o auxílio infantil no Japão cobre toda a jornada escolar obrigatória, sem discriminação de renda.
Os valores foram mantidos ou ampliados: 15.000 ienes de zero a três anos e 10.000 ienes dos três aos 18. Para quem tem três filhos ou mais, a quantia sobe a 30.000 ienes por criança, algo em torno de mil reais, reforçando o incentivo a famílias numerosas.
Extinção do limite de renda
A decisão de eliminar o teto salarial veio após estudos do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar apontarem que o custo de vida afeta igualmente diferentes faixas de renda. Com isso, executivos de Tóquio e operários em províncias industriais passam a ter o mesmo direito.
A medida também encerra a burocracia de comprovar ganhos anuais, passo que travava a entrada de novos solicitantes. Agora, basta que a criança esteja registrada na prefeitura local.
Para os brasileiros no arquipélago, essa mudança reduz a ansiedade sobre variações de salário e contratos, tornando o benefício mais previsível.
Pagamentos e prazos
O cronograma mantém a liberação trimestral: abril, agosto e dezembro. O dinheiro cai diretamente na conta bancária cadastrada no ato da inscrição, exigindo apenas que os responsáveis atualizem endereço e número de dependentes sempre que houver mudança.
Gestantes também devem ficar atentas ao Auxílio Maternidade, pago em parcela única no parto e que costuma superar 500.000 ienes. Somado ao Jido Teate, o valor cobre grande parte das despesas com hospital e enxoval.
Quem ainda não deu entrada precisa procurar o setor de Kosodate Shien da prefeitura. A inscrição só vale a partir do mês de protocolo, portanto adiar a visita pode significar dinheiro perdido.
Rede de apoio além do benefício em dinheiro
O Jido Teate é a estrela do pacote, mas o governo oferece outras formas de suporte. A assistência médica pediátrica, batizada de Shoni Iryohi Josei, reduz ou zera consultas e internações até o ensino médio, aliviando despesas inesperadas.
Famílias monoparentais contam com o Jido Fuyo Teate, complementação que evita quedas bruscas de renda após divórcio ou viuvez. Para quem busca planejamento financeiro a longo prazo, programas como o Fies 2026 já abriram 112 mil oportunidades de financiamento estudantil, tema detalhado no Salão do Livro.
Impacto na baixa natalidade
A taxa de fertilidade japonesa, hoje abaixo de 1,3 filho por mulher, preocupa demógrafos. O primeiro-ministro Fumio Kishida afirmou que 2024 é “a última chance” de reverter o encolhimento populacional. Ao tornar o auxílio infantil no Japão universal e mais robusto, o governo espera motivar jovens casais a formar família.
Embora economistas alertem que subsídios não resolvem sozinhos a equação, pesquisas indicam que reduzir o peso financeiro é um passo decisivo para quem hesita em ter o primeiro ou o segundo filho.
Nos bastidores, parlamentares estudam acoplar incentivos habitacionais e flexibilizar jornadas de trabalho, criando um ecossistema propício à criação de crianças.
Estrangeiros também têm direito
O benefício não faz distinção de nacionalidade. Brasileiros, filipinos e demais imigrantes recebem as mesmas quantias, desde que possuam visto válido e residência registrada. Em caso de mudança de cidade, é preciso refazer o cadastro na nova prefeitura.
Pais devem apresentar passaporte, cartão de residência e certidão da escola (para maiores de três anos). No caso de recém-nascidos, a certidão de nascimento japonesa, o chamado Shussei Todoke, é suficiente.
Quem mantém só um imóvel no Brasil e se aposentou pode ainda usufruir da isenção de IPTU para idosos, demonstrando como políticas sociais se somam em diferentes frentes.
Por que o modelo chama atenção mundial
Em comparação com nações europeias que apostam em creches gratuitas ou licença parental estendida, o Japão prefere o pagamento direto em dinheiro. Essa escolha dialoga com a cultura de autonomia financeira típica do país: pais decidem como gastar, seja em educação, alimentação ou lazer.
Organismos internacionais, como a OCDE, acompanham os resultados. Se o índice de natalidade subir, há chances de outros países copiarem o formato, sobretudo aqueles com sistemas previdenciários pressionados pelo envelhecimento.
No Brasil, o debate ecoa em programas como o Bolsa Família, cujas parcelas podem alcançar 900 reais, segundo calendário divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento. A atual rodada, agendada para fevereiro de 2026, foi detalhada no portal em notícia recente.
Enquanto isso, o governo japonês já discute a possibilidade de reajustar os valores do Jido Teate a cada dois anos, acompanhando a inflação e os custos de educação.
Para famílias que planejam permanecer no arquipélago, a mensagem é clara: mantenha o registro de residência atualizado e aproveite o auxílio infantil no Japão desde o primeiro mês de elegibilidade. Dinheiro no bolso e menos preocupação com contas são estímulos valiosos à construção de um futuro mais populoso para o país do sol nascente.


