A partir desta segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026, o Banco Central coloca em operação um conjunto de barreiras extras no PIX que promete apertar o cerco contra golpes virtuais e sequestros relâmpagos. As instituições financeiras agora compartilham dados de forma integrada e praticamente em tempo real.
A mudança mira a movimentação criminosa sem interferir no custo do serviço para pessoas físicas. Neste material, o Salão do Livro explica como o novo protocolo de rastreamento universal funciona, o que muda na rotina de quem paga e recebe via PIX e quais medidas simples evitam bloqueios inesperados.
O que muda nas transações via PIX a partir de 2 de fevereiro de 2026
A principal novidade é o rastreamento universal, que coloca todas as instituições sob o mesmo radar. Se uma conta for marcada como suspeita em um banco, o alerta se espalha instantaneamente por todo o sistema financeiro. Isso reduz os pontos cegos e facilita a devolução do dinheiro quando há fraude.
Outro ajuste sensível atinge quem utiliza aparelhos recém-cadastrados. Até que o banco valide a identidade do usuário, cada pagamento fica limitado a R$ 200, com teto diário de R$ 1.000. A lógica é dificultar que criminosos acessem a conta de terceiros a partir de celulares clonados ou computadores públicos.
Rastreamento universal reforça a identificação de contas suspeitas
Antes, quando um golpista deslocava recursos de uma instituição para outra, o percurso muitas vezes desaparecia dos radares internos. Com o novo protocolo, o caminho do dinheiro permanece visível em cada etapa, permitindo congelamento rápido e posterior devolução ao cliente lesado.
Essa integração usa inteligência artificial para comparar padrões de envio e recepção. Caso uma conta passe a receber valores incompatíveis com seu histórico, o sistema dispara sinal de alerta. A operação então entra na fila de verificação automática e, se necessário, é bloqueada preventivamente por até 72 horas.
O Banco Central explica que o bloqueio cautelar pode se estender a transações já concluídas caso os bancos percebam forte indício de fraude. Nesses casos, o valor permanece retido à espera de investigação.
Limites apertados para dispositivos não cadastrados
Trocar de celular ou realizar o acesso ao internet banking em um computador novo passa a exigir mais paciência. Enquanto o dispositivo não for reconhecido como confiável, o valor máximo de cada transferência cai consideravelmente. Quem precisar movimentar quantias maiores deve solicitar elevação temporária de limite, processo que pode levar até 24 horas.
Segundo especialistas, essa barreira reduz a eficácia de sequestros relâmpagos, em que a vítima é obrigada a realizar transferências em um celular roubado. O teto de R$ 1.000 por dia impede a drenagem total da conta e dá tempo para a vítima comunicar o banco e a polícia.
Além disso, o algoritmo monitora o horário e o padrão das operações. Se o cliente raramente paga algo de madrugada e, de repente, tenta transferir R$ 500 às 3h, há grande chance de bloqueio automático até que a autenticidade seja confirmada.
Como o Banco Central pretende sufocar golpes e fraudes
O PIX se popularizou justamente pela instantaneidade, mas esse mesmo atrativo virou chamariz para golpistas. O Banco Central estima que o rastreamento total reduza a efetividade de fraudes em até 80%, pois dificulta o repasse do dinheiro a contas laranjas.
A cooperação entre bancos inclui o envio de listas de usuários suspeitos, similar ao que já ocorre em grandes bandeiras de cartão de crédito. Quando uma chave, CPF ou CNPJ aparece em qualquer denúncia, os demais bancos são alertados de imediato e passam a classificar aquela conta como de alto risco.
Parte da estratégia também é educativa. O órgão regulador orienta a população a manter aparelhos cadastrados, atualizar senhas e desconfiar de solicitações urgentes de transferência. A recomendação se soma a cuidados cotidianos, como verificar os dados do destinatário antes de confirmar o envio.
Dicas para evitar bloqueios e garantir fluidez nas transferências
Para não virar estatística nem perder tempo com liberações de limite, vale reservar alguns minutos e revisar configurações no aplicativo do banco. Cadastre biometria facial, habilite notificações e mantenha o e-mail atualizado. Essas ações reduzem o estranhamento do sistema frente a transações legítimas.
Quem trocou de smartphone deve acessar o menu de dispositivos confiáveis e adicionar o aparelho. Assim que o cadastro for aprovado, os limites voltam ao patamar já definido antes. Ajustar limites de horário também ajuda: se você nunca faz pagamentos depois das 22h, define um teto baixo e aumenta apenas quando houver necessidade.
Outra dica envolve atenção ao destinatário. Conferir nome, CPF ou chave aleatória evita erro de digitação. Caso a transferência seja para a mesma pessoa com frequência, salve-a como favorita — o sistema tende a reconhecer repetições e classificá-las como de baixo risco.
Integração com outros serviços financeiros
Embora o foco seja a segurança, o reforço de dados abre portas para ampliar benefícios. Bancos poderão oferecer empréstimos personalizáveis baseados no histórico de PIX, enquanto fintechs estudam novas funcionalidades, como parcelamento instantâneo em comércio eletrônico.
Esse avanço dialoga com outros movimentos do sistema financeiro, como o Open Finance. A partir do consentimento do cliente, é possível centralizar informações de contas, salários e transações para obter melhores condições de crédito. Em paralelo, programas sociais seguem explorando meios de pagamento digitais — caso do adicional de R$ 50 para gestantes no Bolsa Família.
Nesse cenário, manter dados atualizados e limites ajustados não só reforça a proteção como facilita a liberação de serviços extras, seja no varejo, em plataformas de investimento ou no recebimento de benefícios.
Conexão com direitos trabalhistas e benefícios
Muitos trabalhadores utilizam o PIX para receber depósitos do FGTS ou repasses do INSS. Ao consultar o saldo do PIS/Pasep ou solicitar a segunda etapa do Saque-Aniversário do FGTS, o usuário pode escolher a chave PIX como destino. Com o novo rastreamento, o valor cai em segurança, evitando desvio de terceiros.
O mesmo vale para quem aguarda o crédito de benefícios previdenciários. Plataformas como PicPay já devolveram milhões de reais a segurados e agora incluem camadas extras de verificação antes de liberar o chamado “dinheiro extra”. A tendência é que mais fintechs adotem medidas semelhantes.
Ao reunir informações cruzadas de várias frentes, o Banco Central reforça não apenas a segurança do consumidor, mas a transparência de programas sociais e trabalhistas, criando um ecossistema interligado de pagamentos instantâneos.
Por enquanto, o PIX continua gratuito para pessoas físicas. A expectativa é que a combinação de rastreamento intensivo, limites inteligentes e cooperação entre bancos consiga minar o espaço de atuação de quadrilhas virtuais sem afetar a velocidade ou a popularidade do serviço.


