O trabalhador com carteira assinada começa a sentir o reforço do salário mínimo de 2026 nesta semana. O piso nacional, que subiu para R$ 1.621, será depositado no quinto dia útil de fevereiro, data que quita a folha referente a janeiro.
A correção, oficializada em 1.º de janeiro por decreto presidencial, representa um reajuste real de 6,79% em relação aos R$ 1.518 anteriores. A mudança influencia não só a folha salarial, mas também benefícios previdenciários, seguro-desemprego e o cálculo de tributos trabalhistas.
Por que o salário mínimo de 2026 aumentou 6,79%
A legislação vigente determina que o piso nacional seja corrigido pela soma da inflação do ano anterior, medida pelo INPC até novembro, e do crescimento do PIB de dois anos antes. Em 2026, as duas variáveis avançaram: o INPC acumulou alta e o Produto Interno Bruto registrou expansão, fato que puxou o ganho real de R$ 103 na remuneração base.
Convertendo o novo valor, cada jornada legal de trabalho passou a valer R$ 7,37 por hora ou R$ 54,04 por dia. São números que parecem pequenos isoladamente, mas, multiplicados ao longo do mês, marcam diferença significativa no orçamento das famílias que dependem do piso como teto salarial.
Impacto no custo das empresas
Para as empresas, o acréscimo implica reajustar folhas, encargos e tributos vinculados ao salário mínimo de 2026. Micro e pequenos negócios, que concentram grande parte dos trabalhadores remunerados pelo piso, precisam recalibrar o fluxo de caixa para não comprometer a saúde financeira.
A consultoria de recursos humanos Sergio & Ramos estima aumento médio de 7% na massa salarial das companhias que pagam até três mínimos. O cálculo considera não só o salário, mas FGTS, INSS patronal e provisões de férias e 13.º salário.
Especialistas recomendam que gestores reavaliem contratos e preços de produtos para absorver o gasto adicional sem demissões. A adoção de ferramentas digitais de gestão, segundo a consultoria, reduz erros e garante compliance em mudanças tributárias.
Quem recebe primeiro e como conferir o depósito
A regra geral prevê que o salário de janeiro seja quitado até 6 de fevereiro, último dia útil do prazo. Trabalhadores com conta-salário devem verificar se o valor líquido incorpora o novo piso. Qualquer diferença pode ser questionada diretamente ao departamento de RH ou ao sindicato de classe.
Aposentados e pensionistas que ganham até R$ 1.621 já sentiram o reajuste no fim de janeiro, quando o Instituto Nacional do Seguro Social antecipou a folha para esse grupo. Os que recebem acima do mínimo terão percentuais distintos — tema detalhado em reportagens como a que explica o valor inédito do INSS para benefícios acima do piso.
Efeitos sobre benefícios sociais e trabalhistas
O novo salário mínimo de 2026 serve de referência para programas como seguro-desemprego, Bolsa Família e abono salarial. No caso do PIS/Pasep, o trabalhador que cumpriu os requisitos poderá sacar até R$ 1.621, conforme orientações disponíveis na página da consulta ao PIS/Pasep 2026.
No Bolsa Família, o adicional de gestante, por exemplo, continua em R$ 50, mas a renda per capita usada para aferição do direito à transferência de renda também se eleva. Isso significa que famílias que antes ultrapassavam o teto por pequena margem podem voltar a se enquadrar, movimento mapeado pelas secretarias municipais de assistência social.
Outro reflexo ocorre no saque-aniversário do FGTS. Quem opta pela modalidade passa a ter liberação proporcionalmente maior, já que parte dos índices de cálculo considera remuneração mensal. Informações detalhadas sobre a segunda etapa de liberação constam no conteúdo sobre o saque-aniversário do FGTS 2026.
Calendário de pagamentos e principais dúvidas
O governo manteve o cronograma padrão de crédito em conta: vencimento no quinto dia útil para trabalhadores do regime CLT e pagamento escalonado para segurados do INSS, de acordo com o número final do benefício. Abaixo, um resumo das próximas datas-chave:
- 6 de fevereiro: salário de janeiro para empregados com carteira assinada;
- 25 de fevereiro a 8 de março: segunda rodada de depósitos do INSS, variando conforme o final do cartão de benefício;
- Início de março: abertura de lotes para saque do abono PIS/Pasep, conforme mês de nascimento;
- Primeira quinzena de março: créditos do seguro-desemprego solicitados em janeiro já com valor atualizado.
Trabalhadores que não recebem o reajuste ou detectam divergência podem formalizar denúncia junto ao Ministério do Trabalho e Emprego pelo canal Alô Trabalho 158 ou pela plataforma Emprega Brasil. Em caso de litígio, sindicatos podem ajuizar reclamatória coletiva.
O que muda na vida prática do trabalhador
Embora a correção do salário mínimo de 2026 não resolva sozinho o poder de compra corroído pela inflação, o incremento ajuda a equilibrar despesas fixas como aluguel, transporte e alimentação. Para quem vive em regiões de custo elevado, o ganho real ainda é modesto, mas cria fôlego para renegociar dívidas de curto prazo.
Economistas recomendam destinar parte do acréscimo à reserva de emergência ou quitar pendências de cartão de crédito, caro no Brasil. O educador financeiro Leandro Costa lembra que juros rotativos ultrapassam 400% ao ano e corroem qualquer reajuste se o consumidor não se organizar.
Enquanto isso, plataformas digitais ampliam ofertas voltadas ao público de baixa renda. O PicPay, por exemplo, anunciou devolução de valores a beneficiários do INSS e até “dinheiro extra” em conta, conforme detalhado em matéria sobre o reembolso de R$ 2,1 milhões a segurados.
Para o leitor do Salão do Livro, vale acompanhar não apenas o impacto do piso na renda, mas também as correções que afetam preços de livros, mensalidades de cursos e eventos culturais. Muitas editoras utilizam o reajuste do salário mínimo como parâmetro para definir políticas de descontos e parcelamentos.
Por fim, lembre-se de que qualquer mudança no cadastro do governo, seja no Bolsa Família ou no sistema do INSS, deve ser comunicada de imediato para evitar bloqueios. O salário mínimo de 2026 já está valendo e será a base de cálculo para todas as obrigações trabalhistas até dezembro ou até que um novo reajuste seja anunciado.


