Quando a água invade a casa ou o telhado voa com a ventania, a primeira pergunta que surge é: de onde tirar dinheiro para recomeçar? A Caixa Econômica Federal tenta responder a essa urgência com o Saque Calamidade do FGTS, liberação que alcança até R$ 6.220 por trabalhador.
A modalidade, diferente do saque-aniversário e das regras tradicionais de rescisão, foi pensada para atender quem mora em municípios com calamidade pública reconhecida. A seguir, o Salão do Livro explica passo a passo como funciona o pedido, quem tem direito e quais prazos precisam ser observados.
Como funciona o Saque Calamidade do FGTS
O Saque Calamidade do FGTS é ativado somente após decreto municipal ou estadual de calamidade pública ser homologado pelo Governo Federal. A partir daí, a Caixa recebe a lista de cidades elegíveis e libera, de maneira imediata, a solicitação no aplicativo FGTS.
O valor máximo permitido é de R$ 6.220 por ocorrência. Se o saldo disponível for inferior a esse teto, o trabalhador retira o montante inteiro que possui. Caso o total em conta ultrapasse a cifra, o limite permanece fixado nos mesmos R$ 6.220, regra que reforça o caráter emergencial da medida.
Quem pode solicitar e quais documentos apresentar
Para ter acesso ao saque, é preciso morar no município afetado, possuir saldo em conta — ativa ou inativa — e não ter usado o mesmo recurso nos últimos 12 meses. Esses requisitos são cumulativos e baseados na legislação que rege o FGTS.
No momento da solicitação, o trabalhador anexa RG, CPF e comprovante de residência emitido há no máximo 120 dias. O envio dos arquivos ocorre diretamente pelo aplicativo, evitando filas nas agências e acelerando a liberação do dinheiro.
Critérios de elegibilidade
O primeiro critério é geográfico: somente quem reside na área declarada em calamidade consegue acessar a ferramenta no aplicativo. O sistema “enxerga” o CEP informado e verifica se a cidade está na lista validada pela Defesa Civil nacional.
O segundo filtro é financeiro. Mesmo em situação de desastre, o saque não será autorizado sem saldo disponível. O FGTS, afinal, não funciona como linha de crédito, mas como conta vinculada ao contrato de trabalho.
Por fim, vale a regra dos 12 meses. A Caixa confere a data do último Saque Calamidade efetuado pelo CPF. Se o intervalo for menor do que um ano, o pedido é barrado. Essa limitação evita retiradas consecutivas e garante liquidez ao fundo.
Envio digital passo a passo
A experiência foi desenhada para caber na tela do celular. Depois de abrir o app FGTS, basta tocar em Meus Saques, selecionar Outras Opções e escolher Saque Calamidade. O sistema solicitará o município afetado e, em seguida, abrirá a aba de anexos.
Nesta etapa, o usuário fotografa documento de identificação e comprovante de residência. Assim que tudo estiver anexado, ele indica a conta bancária de preferência, inclusive de outras instituições, detalhe que dispensa a abertura de poupança na Caixa.
Após o envio, o banco promete analisar o material em até cinco dias úteis. Caso falte algum arquivo ou o endereço seja rejeitado, o aplicativo emite alerta para correção. Se aprovado, o crédito cai automaticamente na conta informada.
Limites de valor e prazos de pagamento
Embora o teto de R$ 6.220 pareça modesto diante de grandes perdas, especialistas lembram que o valor foi definido para garantir fôlego imediato até que seguros ou programas de assistência social cheguem. O banco não cobra taxas sobre a retirada e o saque não interfere no saldo destinado à aposentadoria.
O prazo para solicitar começa na data em que o município entra oficialmente na lista de calamidade e pode se estender por até 90 dias, conforme portaria publicada no Diário Oficial. Quem perder a janela precisará aguardar novo evento elegível ou utilizar outras modalidades, como o saque-aniversário ou destravar valores retidos, conforme explica o guia FGTS bloqueado.
Enquanto a maioria corre para repor móveis perdidos, quem é Microempreendedor Individual pode redirecionar parte do dinheiro para quitar débitos, principalmente após o alívio concedido pelo governo que ampliou até 2026 o prazo para zerar dívidas, com perdão de juros e multas, conforme detalha o artigo sobre o MEI ganha fôlego.


