O primeiro reajuste do salário mínimo na casa dos R$ 1,6 mil já está em vigor em todo o país. O novo piso, fixado em R$ 1.621, mexe diretamente com a renda de aposentados, pensionistas e trabalhadores com carteira assinada.
Embora o aumento tenha efeito automático, as mudanças em benefícios, empréstimos consignados e programas sociais ainda despertam dúvidas. A seguir, o Salão do Livro explica, em detalhes, como o novo valor repercute no bolso de cada grupo.
Impacto imediato para quem recebe pelo INSS
Quem depende do Instituto Nacional do Seguro Social passa a ter o benefício mínimo corrigido para R$ 1.621 já na folha referente a janeiro, paga entre o fim do mês e o início de fevereiro. O ajuste vale para aposentadorias, pensões e auxílios que utilizam o piso nacional como referência.
Além de elevar o depósito mensal, o novo valor aumenta a chamada margem consignável. Como consequência, o limite destinado a parcelas de empréstimo também sobe. Especialistas alertam, porém, que a combinação de renda maior e crédito fácil pode levar ao superendividamento se não houver planejamento.
Repercussão nos empréstimos consignados
O limite de 35% sobre o benefício, voltado ao empréstimo consignado, acompanha o reajuste. Na prática, isso significa uma capacidade de endividamento maior em torno de R$ 59 para quem recebe o piso. Embora o acréscimo pareça pequeno, ele pode ampliar o valor total liberado, já que as instituições financeiras costumam ofertar crédito pelos próximos anos de benefício.
Como a taxa de juros do consignado é tabelada, o ganho real costuma aparecer no valor final captado. Mesmo assim, a recomendação é comparar propostas e verificar a soma de todo o contrato. A oferta de produtos direcionados ao público 60+ é ampla, principalmente após iniciativas que reforçam os direitos dos idosos em 2026.
Os bancos também intensificam campanhas nas primeiras semanas do ano, quando o reajuste do salário mínimo 2026 entra em vigor. Caso o segurado opte por contratar, vale checar a margem disponível no extrato do Meu INSS antes de assinar.
Reflexos para trabalhadores com carteira assinada
No mercado formal, o novo piso nacional estabelece o valor mínimo a ser pago por uma jornada de 44 horas semanais. Quem já recebia salário acima de R$ 1.621 não tem reajuste automático, pois a definição depende de acordos coletivos ou dissídios.
Entretanto, vários direitos atrelados ao salário base também sofrem correção. É o caso do seguro-desemprego, do FGTS e do abono salarial do PIS/Pasep. Com o piso mais alto, as parcelas mínimas desses benefícios acompanham o crescimento.
Seguro-desemprego e PIS/Pasep reajustados
O cálculo do seguro-desemprego considera faixas salariais atualizadas anualmente. Assim, a parcela mínima passa a ser de R$ 1.621. Para quem tinha média salarial até esse valor, o benefício fica igual ao piso. Faixas superiores recebem percentuais diferentes, mas sempre acima do novo mínimo.
Já o abono salarial paga até um salário mínimo a quem trabalhou os 12 meses do ano-base. Portanto, o valor máximo sobe de R$ 1.412 para R$ 1.621. Quem atuou menos tempo recebe proporcionalmente, em dozeavos, seguindo a mesma lógica.
O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço também é diretamente influenciado. Como a alíquota é fixa em 8% sobre a remuneração bruta, o depósito mensal mínimo cresce para R$ 129,68. Esse adicional pode parecer modesto, mas, acumulado ao longo do ano, representa R$ 1.556,16 a mais na conta vinculada.
Ajuste atinge programas sociais e critérios de elegibilidade
Benefícios assistenciais, como o BPC, são equivalentes a um salário mínimo. Pessoas com deficiência e idosos de baixa renda, por isso, passam a receber R$ 1.621. Além do pagamento individual, o reajuste amplia a faixa de renda que define quem pode entrar ou permanecer em programas sociais.
O Bolsa Família, por exemplo, considera limite de renda per capita atrelado ao piso. Com a atualização, famílias com renda levemente acima de R$ 706 — equilíbrio entre um quarto e meio salário mínimo — continuam aptas ao benefício. A regra evita cortes abruptos quando há pequeno incremento salarial.
Como o novo piso redefine critérios de inclusão
Muitos cadastros em programas federais precisam ser revisados sempre que o salário mínimo sobe. O objetivo é impedir que famílias deixem de receber auxílio por causa de variações salariais pontuais. Em 2026, a recomposição foi antecipada justamente para reduzir distorções.
A mudança também fortalece o argumento de quem defende a atualização permanente dos valores de renda para a concessão de benefícios. Um exemplo prático é o BPC, que exige renda familiar de até um quarto do salário mínimo. Quando o piso cresce, os R$ 405,25 per capita em vigor em 2025 viram R$ 405,25 para R$ 405,25 não — o número precisa acompanhar o novo patamar.
Além disso, o reajuste do salário mínimo 2026 impacta calendários de pagamentos especiais. Quem pretende receber o PIS por Pix no valor exato de R$ 1.621 precisa conferir se os dados bancários estão corretos para evitar devoluções.
Por fim, trabalhadores informais e Microempreendedores Individuais não ficam de fora das repercussões. Já existe previsão para regulamentar alíquotas do Simples e limites de faturamento compatíveis com o novo piso. O governo, inclusive, lançou recentemente um aplicativo que promete simplificar a rotina do MEI, detalhado neste anúncio oficial.
Vale lembrar que o reajuste anunciado em Brasília segue a política de valorização do salário mínimo, que considera inflação medida pelo INPC mais eventual ganho real baseado no crescimento do PIB de dois anos antes. Para 2026, o resultado foi o aumento de R$ 209 em relação ao valor de 2025.
Ainda assim, o cálculo definitivo só será aplicado após a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor referente a dezembro de 2025. Caso a inflação final fique acima do estimado, pode ocorrer um ajuste residual no início de 2027.
Enquanto isso, aposentados, pensionistas e empregados celetistas devem conferir contracheques e extratos bancários. Se o novo valor não aparecer até o segundo pagamento de 2026, o caminho é acionar o setor de recursos humanos ou registrar reclamação no telefone 135 e no portal Gov.br.
A orientação de especialistas é manter cópias de holerites e comprovantes de benefício atualizados. Esses documentos são essenciais para renegociar dívidas, contratar crédito e garantir direitos previdenciários. Afinal, o piso salarial serve de base para uma série de políticas públicas que tocam diretamente o cotidiano de milhões de brasileiros.


